Faz sentido um cristão pensar e ser a favor da frase: "bandido bom é bandido morto"? Eu penso que isso diverge um pouco dos ensinamentos de Jesus Cristo, que é a base do cristianismo. Ele foi considerado de certa forma pela sociedade da época um "bandido" e julgado. Porém, o que chama a atenção é o fato de Ele ser crucificado ao lado de criminosos que, sabe-se lá que crimes cometeram; no entanto, o fato é que o bandido se arrependeu de coração e foi salvo. Basta uma palavra: Jesus o acolheu e o perdoou.
Hoje, me intriga ver cristãos com visões totalmente radicais em relação a isso, sustentadas pela frase do início da conversa. Isso reflete um pouco da revolta da sociedade perante a ineficácia ou ineficiência das leis. O velho ciclo do "prende e solta" gera uma revolta social que quase desumaniza o infrator. Hoje, temos muito a influência de discursos inflamados por ideias que foram pregadas de forma caricata sobre pensamentos complexos a respeito da sociedade, a famosa frase: "vítima da sociedade". Ao chegarem em ouvidos que aportam em cérebros desprovidos de visão crítica social e filosófica, esses discursos restringem o significado da expressão e criam o sentimento de que "bandido nem gente é". Por fim, quem ousa questionar esse pensamento logo rotulam como "esquerdista" ou defensor de bandido. O que eu fiz, no entanto, foi somente pensar em Jesus.
Muitas vezes, sinto que o sistema conseguiu o que queria — ou até mesmo acho que a Bíblia já alertava sobre isso. Hoje, o pessoal está cego e subverteu totalmente os ensinamentos. Dizer que é cristão está, em grande parte, associado a um discurso político que foi abarcado pela direita em uma demonização da esquerda, apenas para usar quem escuta e acha que se identifica como massa de manobra política. As igrejas foram sequestradas por políticos e, sem dúvida alguma, os cristãos de hoje crucificariam Jesus novamente.