Cálida força, derradeira e branda,
resquício único de uma juventude vazia,
reacenda aqueles sonhos que o tempo desfez,
enquanto eu morria pelos beijos que nunca foram meus.
Intermináveis noites, gélidas de amargura,
abram a névoa espessa dos profundos segredos
e deixem que a lua me tome nos braços,
para amar-me como você não pôde amar.
Olhai meu rosto agora, espelho interior!
Vede as cicatrizes que a indiferença dos olhos seus
deixou talhadas na minha imagem de ontem,
pois a forma hoje refletida é apenas solidão.
Mas não se importe com a minha angústia, musa antiga!
Não foram minhas quimeras quebradas,
nem o ardor da febre em meu sangue que me deixou em escombros.
Apenas nem eu, nem você fomos o que poderíamos ter sido.