essa coisa de parecer forte demais é pesada. a gente quer que os outros vejam que tá tudo bem mas ninguém vê que a gente tá morrendo.
Como vai você? por Julio Vicari, 2026. Pergunta Sem resposta
Há perguntas que cabem na boca, mas nem sempre passam pelo coração. Como vai você? é uma delas. A gente diz essa frase quase todos os dias. No elevador, no trabalho, na padaria, nas mensagens…
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essa coisa de parecer forte demais é pesada. a gente quer que os outros vejam que tá tudo bem mas ninguém vê que a gente tá morrendo.
Conteúdo da publicação
Há perguntas que cabem na boca, mas nem sempre passam pelo coração. Como vai você? é uma delas. A gente diz essa frase quase todos os dias. No elevador, no trabalho, na padaria, nas mensagens rápidas que terminam antes mesmo de começarem. Perguntamos enquanto já seguimos andando, como quem aperta um botão automático. Na verdade, quase nunca esperamos a resposta. Talvez tenhamos desaprendido a escutar.
Vivemos cercados por notificações, opiniões, imagens e pressa. Sabemos o que as pessoas publicam, mas ignoramos o que elas escondem. Conhecemos o destino das férias, o prato do almoço, a conquista da semana, mas não percebemos o silêncio de quem sorri apenas para não preocupar ninguém. Há uma diferença enorme entre ver alguém e enxergá-lo. Da mesma forma, existe um abismo entre perguntar como vai você e realmente desejar saber.
Quantas vezes esquecemos de perguntar ao nosso pai se ele está cansado? À nossa mãe se ela ainda sonha? Ao amigo que sempre faz todos rirem se ele também tem vontade de chorar? Ao irmão que parece forte demais para precisar de ajuda? Ao vizinho solitário, ao colega de trabalho, ao idoso da família, à criança que mudou o comportamento sem que ninguém notasse. Esquecemos de perguntar porque acreditamos que o sofrimento faz barulho. Nem sempre faz. Às vezes ele veste roupa de rotina, toma café normalmente e responde que está tudo bem, e seguimos acreditando.
Curiosamente, também deixamos de fazer essa pergunta para nós mesmos. Corremos atrás de metas, pagamos contas, cumprimos horários, resolvemos problemas. Mas raramente paramos diante do espelho da alma para perguntar, com sinceridade como vai você, não o profissional, não o personagem das redes sociais, não a pessoa que precisa parecer forte. Você, aquele que ainda sente medo, guarda saudades, coleciona esperanças e tenta encontrar sentido no meio dos dias comuns.
Talvez seja por isso que tantas pessoas vivam cercadas de gente e, ainda assim, sintam-se invisíveis. Elas não precisam, necessariamente, de respostas. Muitas vezes, precisam apenas de alguém disposto a permanecer por alguns minutos depois da pergunta. Escutar é uma das formas mais delicadas de amar. Quem escuta oferece tempo e tempo é uma das moedas mais valiosas da existência. Imagino como o mundo seria diferente se diminuíssemos a velocidade das palavras e aumentássemos a profundidade dos encontros. Se cada como vai você carregasse o compromisso de ouvir, sem pressa, sem julgamento, sem procurar a próxima frase antes que o outro termine a sua. Talvez descobríssemos histórias que nunca foram contadas, evitássemos lágrimas silenciosas ou até salvaremos alguém da solidão sem sequer perceber.
No fim das contas, as grandes transformações raramente começam com discursos extraordinários. Muitas delas nascem de gestos simples, daqueles que parecem pequenos demais para mudar alguma coisa, como um olhar atento, uma escuta generosa, uma presença verdadeira. E uma pergunta feita com o coração:
— Como vai você?
Respostas
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Permalinkquando alguém te pergunta de verdade, como você consegue reconhecer que é diferente?
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Permalinktem gente que nunca ninguém pergunta mesmo. até porque de verdade mesmo, você quer dizer. é raro.
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Permalinktu acha que as pessoas que realmente nos escutam ficam marcadas na memória pra vida toda?
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Permalinkessa coisa de parecer forte demais é pesada. a gente quer que os outros vejam que tá tudo bem mas ninguém vê que a gente tá morrendo.
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Permalinkconheço gente que desaprendeu a esperar resposta mesmo. tá tudo fone de ouvido, ninguém conversa mais.
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Permalink"escutar é uma das formas mais delicadas de amar" vira comigo.
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Permalinkcomo é que a gente consegue escutar de verdade quando tudo ao redor quer a gente rápido demais?
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Permalinkaquela parte "às vezes ele veste roupa de rotina, toma café normalmente e responde que está tudo bem" me acertou bem fundo.