Somos onze num grupo de zap desde a facul. O Dudu casou em março e a vaquinha do presente ficou comigo, como sempre fica: eu monto a planilha e junto os comprovantes. Dez mandaram o pix e postaram o print no grupo, um atrás do outro. Um não mandou. R$ 740. Botei no meu cartão para o pedido não cair, e não falei nada.
Chamei o cara no privado duas vezes. Na primeira ele respondeu "essa semana eu te acerto". Na segunda, visualizou e parou por ali. Quatro meses depois ele segue no grupo, manda meme, e semana passada abriu a conversa da próxima viagem.
O que me trava é onde o dinheiro foi combinado. O grupo é o livro-caixa: está tudo lá, print por print. Cobrar ali recupera os R$ 740 e ao mesmo tempo escreve o nome dele como devedor na frente de dez pessoas que não esquecem nada. E ele pode ter um motivo que nunca disse, sendo que um grupo de onze é o pior lugar para avisar que está apertado.
Do outro lado, enquanto eu absorvo, o arranjo parece funcionar. Vaquinha não tem execução por trás, nada além do constrangimento: o que segura tudo de pé é ter um colchão embaixo. O colchão sou eu, e a próxima vaquinha já está sendo montada em cima disso. A hora barata de perguntar foi março, na frente de todos, e eu deixei passar.
Cobrando, eu recupero a regra do grupo e perco quinze anos de amizade; não cobrando, eu fico com o cara e viro o fundo de reserva permanente de onze pessoas.
Você cobraria no grupo, ou daria os R$ 740 por perdidos?