Durante um tempo, esperei amores.
Durante um tempo, cobicei seu cheiro.
Durante um tempo, desejei vetores.
Durante dias, senti falta de algo verdadeiro.
Dias, semanas, meses e anos,
Como um monge budista, aguardei
Ansiosamente uma iluminação,
Para assim finalmente de ti ser digno.
Mas não sou. Seu pertencimento
Não exige pureza,
Não exige notas de aprovação
E muito menos caminhos definidos.
Você é ríspido com aqueles que
O buscam e simplesmente penetra
Naqueles que não te desejam.
Talvez um dia nos encontremos.
Talvez passemos um mês juntos.
Talvez um ano? Dividir um ano,
Acho que isso, sim, é digno de sonho.
Talvez durante alguns instantes.
Não desejo uma vida toda ao seu lado,
Somente um momento para sentir
Que tudo isso valeu a pena.
Talvez um adeus,
Mesmo que nada tenha acontecido.
Acho injustas suas escolhas,
Tantos indignos com sua bênção.
Talvez não seja tão metódica;
Às vezes, é só sorte.
Agora, pergunto-me se me refiro
À morte, ao amor ou ao prazer
Enquanto gasto meu tempo.
A morte não conversa comigo.
Às vezes, sinto que ela me olha
Entre as avenidas que atravesso.
Mas sua beleza é inegável.
Não a desejo neste instante,
Mas ela, e somente ela,
Dá sentido a tudo.
Mas me pergunto se meu desejo é
O tempo entre a certeza da morte
Ou o desejo de um descanso.
Percorro um período único, felizmente.
Os vetores dos átomos que me formaram
Estavam bem calculados.
Confesso que tive sorte: poucos átomos
Sabem que estão conectados.
Mas, de alguns, sinto inveja: meteram-se
Eternos até o fim, onde o tempo
Não faz sentido. Pena que nunca
Possuirão consciência disso.
O amor, como disse um padre bêbado,
É muito mais valioso que todo ouro ou prata,
Pois sem ele não há valor
Em moedas, tesouros nem reinos.
Se ele é necessário para tudo,
Por que não é nato?
O amor precisa me encontrar ou
Eu devo tratá-lo como ingrato
E buscá-lo à força?
Não acho que será uma pessoa,
Mas espero que permaneça comigo,
Mesmo que seja para ficar à toa.
Já o prazer em gastar tempo
Só existe enquanto sabemos da morte.
Se o tempo é infinito, sua venda é medíocre,
Mas, se ele se despede em algum momento,
O tempo vira seu único presente.
No fim, ainda não sei a resposta.
Apenas espero que não perca tempo
Amando a morte.
Mas talvez, só talvez, precise de sorte.
Talvez não seja o tempo,
Talvez não seja o amor,
Talvez não seja a morte.
No fim, talvez o que procuro seja apenas
O desejo.