Carrego no pescoço uma cicatriz, testemunha silenciosa de uma cirurgia feita há mais de três anos. Ainda hoje, ela dói de tempos em tempos. Uma dor que não é só física, mas parece carregar algo mais profundo, como se a própria pele guardasse memórias de batalhas passadas. Há uma pressão constante, uma sensibilidade que nunca desaparece por completo.
Às vezes, me pergunto se essa dor é real ou se é apenas um eco do que já senti, uma saudade estranha do sofrimento que, de algum modo, se tornou familiar. E se ignorar essa dor for negar o aviso que meu corpo tenta me dar? Talvez eu esteja tão habituada a ela que já não sei onde termina o físico e começa o emocional.
Nosso cérebro é um labirinto. Entre dor e memória, entre corpo e mente, caminhamos às cegas, confundindo sinais, tentando decifrar mensagens que talvez nunca sejam completamente claras. Afinal, somos um enigma feito de carne, sentimentos e cicatrizes.