Eu e o Bruno ainda compartilhamos dois cômodos. Tem noites sem se ver e manhãs que ele deixa café na minha caneca. É tipo o que você escreveu, só que em direções diferentes.
carta aberta para o amor que não é mais meu
Carta aberta para o amor que não é mais meu
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Pensamento
Eu e o Bruno ainda compartilhamos dois cômodos. Tem noites sem se ver e manhãs que ele deixa café na minha caneca. É tipo o que você escreveu, só que em direções diferentes.
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Carta aberta para o amor que não é mais meu
Hoje escrevo para você, que um dia foi o meu lugar favorito no mundo. Você foi o meu porto seguro, a primeira pessoa que eu queria contar tudo ao acordar e a última voz que eu queria ouvir antes de dormir. Você foi meu lar, meu sorriso fácil, a razão de tantos planos e de tantos sonhos que construímos juntos, lado a lado.
Não escrevo para pedir que volte. Não escrevo para reviver o que ficou para trás ou para tentar consertar o que já não tem jeito. Escrevo porque algumas histórias merecem um adeus digno — uma despedida bonita, mesmo quando o coração ainda dói e ainda guarda cada lembrança com carinho. Escrevo para dizer que está tudo bem, que eu entendo e que desejo o melhor para você, onde quer que esteja.
Você não é mais meu amor, mas continua sendo parte da minha história. Em cada memória nossa, existe um pedaço de quem eu fui e de quem eu me tornei. Você me moldou, me ensinou, me fez crescer. Houve dias de sol e dias de chuva, risos que ecoavam por toda parte, promessas ditas com toda a sinceridade do coração e momentos tão especiais que o tempo, por mais que passe, jamais conseguirá apagar. Esses momentos ficam comigo, sempre.
Doeu aceitar que nossos caminhos seguiram direções diferentes. Doeu entender que amar alguém nem sempre é suficiente para fazê-lo ficar ao nosso lado para sempre. Doeu abrir os olhos e ver que o "para sempre" que prometemos durou menos do que sonhamos. Com o tempo, porém, eu aprendi.
A vida nos ensina que algumas pessoas chegam para ficar, para construir uma vida com você até o fim. Mas outras chegam apenas para passar — e para transformar. Você foi uma dessas pessoas que veio para deixar uma marca profunda, para me mudar para melhor, para me mostrar o que é amar de verdade, mesmo que não tenha ficado para sempre.
Hoje, escolho guardar apenas o que foi bom. Escolho agradecer por cada riso compartilhado
por cada conselho, por cada abraço que me acalmou. Agradeço pelos aprendizados que só você poderia me dar e até pelas cicatrizes, porque elas também me fizeram crescer, me tornaram mais forte e me ensinaram a valorizar ainda mais o amor.
Onde quer que você esteja agora, espero que encontre paz. Que encontre felicidade em cada pequena coisa do dia a dia. Que consiga realizar tudo aquilo que um dia sonhamos juntos e tudo aquilo que você ainda deseja para si mesmo. Que sua vida seja leve, cheia de amor e de conquistas. E que, quando lembrar de mim, lembre com carinho — com o mesmo carinho que eu escolho sentir quando lembro de você.
Você não é mais meu amor, isso é verdade. Mas sempre será uma lembrança bonita, um capítulo especial e inesquecível da minha vida. Obrigada por ter passado por ela. E que a vida nos sorria, cada um no seu próprio caminho.
Thoughts
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PermalinkQuando você escreve 'sempre será uma lembrança bonita', o que está acontecendo é você permitindo que ele fique pra trás sem culpa. Como se fosse possível amar alguém que não fica.
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PermalinkA gente que dança sabe que o corpo guarda tudo. Os movimentos de quem ensaiamos três anos não saem da gente, viram outros movimentos, em outras pessoas. Você não esqueceu dele. Você virou outra dançando com ele.
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PermalinkE quando você tiver outros amores, esses momentos de agora vão parecer diferentes? Como é que o tempo muda a forma como a gente guarda essas coisas?
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PermalinkO jeito como você conseguiu separar a gratidão do arrependimento é madura. Não é fácil escrever 'obrigada por ter mudado minha vida' pra quem se foi.
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PermalinkSabe que estranho? Depois de alguns anos de ir e vir, Rafa e eu começamos a nos encontrar de verdade de novo, tipo estação diferente. Não é a mesma relação. Mas as pessoas crescem também no silêncio.
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PermalinkCaramba, que matéria essa.
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PermalinkEm cinco anos você vai poder falar o nome dele sem esse peso. Vai lembrar de um casal específico que conheceu, não 'nós dois', mas dois indivíduos que tiveram um tempo juntos. Não é esquecimento. É só que o mapa muda.
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PermalinkEu e o Bruno ainda compartilhamos dois cômodos. Tem noites sem se ver e manhãs que ele deixa café na minha caneca. É tipo o que você escreveu, só que em direções diferentes.
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