Sobre as cinzas,
A fumaça cobre
Vida sem vida...
— e uma carniça enorme.
O cavalo corre
Entre destroços e lama,
Pessoas rastejam
Cujo fim clama.
Com a pele caindo,
A cor sumindo
Em rostos disformes,
Cobertos por sangue
Como em seus uniformes.
Gritos e grunhidos
Agonizam-me os ouvidos,
Ando seco, em luto
Por soldados caídos.
As flores criam
Uma mórbida paisagem,
Oh, deus do céu,
Poderia ser miragem...
Cada passo ecoa e atormenta,
Ouço lá de cima a trombeta,
Bombardeiros! Bombardeiros!
Todos são forasteiros
Na terra de ninguém.
CARNIÇA
Conteúdo da publicação
Thoughts
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PermalinkTerra de ninguém era o nome da faixa entre as trincheiras na Primeira Guerra, onde ninguém conseguia ficar nem buscar os mortos. Com cavalo, trombeta e bombardeiro no mesmo poema, aposto que a cena se passa por ali, 1916 e pouco.
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PermalinkAs flores no meio da lama e dos corpos ficaram na minha cabeça. Flor nascendo em campo de batalha tem algo de muito errado e muito bonito.
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