10. A RESPIRAÇÃO PRESA NO PEITO
Não era falta de ar.
Era excesso de nó.
O ar entrava, chegava até a metade,
batia em algo sólido, medo e silêncio,
e não descia até o fundo.
Vivia com o peito apertado,
como se alguém tivesse amarrado uma corda
e puxado as duas pontas com toda força.
Cada respiração era esforço consciente,
lembrete de que algo ali estava errado,
algo que eu não conseguia desatar.
Como ´´Janis Joplin`` gritando em ´´Piece of My Heart``,
cada nota era um pedaço de alma que eu também estava perdendo.
Como ´´Brittany Howard `` dos Alabama Shakes em ´´Hold On``,
eu segurava minha respiração esperando o dia em que o ar voltaria.
Falar sobre isso era impossível.
As palavras também ficavam presas,
no mesmo lugar onde o ar não chegava.
Amontoavam-se, engasgavam-se na garganta,
e saíam apenas como suspiros curtos
que ninguém entendia.
Tinha dias em que o aperto era tão forte
que eu achava que o peito ia se romper.
Que os ossos iam ceder, o coração parar.
Mas ele não parava.
Batia, dolorido e cansado,
respirando apenas o suficiente
para não desmaiar.
E eu seguia em frente, passo a passo,
com a respiração presa, sempre presa,
esperando o dia em que o nó se soltasse.
— NelleAziul