A casa que ainda não existia
Versão dela
Começamos a visitar casas.
Nenhuma era perfeita.
Uma tinha espaço demais.
Outra tinha pouco.
Uma ficava longe do trabalho.
Outra tinha um quintal enorme, mas precisava de reformas.
Até que entramos em uma casa simples.
Não era a mais bonita.
Mas tinha uma varanda.
E, quando abri a porta dos fundos, imaginei uma mesa ali.
Talvez plantas.
Talvez uma cozinha onde discutiríamos sobre quem tinha esquecido o sal.
Talvez risadas.
Talvez dias comuns.
Ele me olhou.
— Gostou?
— Acho que sim.
— Do quê?
Olhei para a casa.
— Da possibilidade.
Ele sorriu.
Não compramos naquele dia.
Porque aprendemos que imaginar era diferente de decidir.
Mas aquela casa ficou em nossa cabeça.
Não como um lugar.
Como uma ideia.
A ideia de que, algum dia, talvez existisse uma casa onde nossas duas vidas pudessem se encontrar.
Sem que nenhuma precisasse desaparecer.