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Capitulo 1 - Duas Palavras

AllyneMaia
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O REENCONTRO

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bete

Tem gente que fica anos esperando uma resposta. Você pelo menos teve a coragem de dar a sua.

Tem gente que fica anos esperando uma resposta. Você pelo menos teve a coragem de dar a sua.

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O REENCONTRO

Capítulo 1 — Duas palavras

Oi. Tudo bem?

Duas palavras.

Era só isso.

Duas palavras que, para qualquer outra pessoa, talvez não significassem nada. Uma mensagem simples, perdida entre tantas outras que chegam todos os dias pelas redes sociais.

Mas não para mim.

Eu estava sentada no trabalho, no meio da correria de mais uma tarde comum, quando aquela notificação apareceu na tela do meu celular.

Olhei distraidamente.

Até que vi o nome.

Por alguns segundos, tive a sensação de que meus olhos estavam me enganando.

Li novamente.

E depois mais uma vez.

Era ele.

Depois de tantos anos.

Depois de tudo.

Ele.

Meu coração pareceu esquecer por alguns instantes como deveria bater.

Respirei fundo e deixei o celular sobre a mesa.

Não toquei na mensagem.

Não respondi.

Apenas fiquei olhando para a tela, como se aquelas duas palavras pudessem desaparecer se eu piscasse.

Oi. Tudo bem?

Como uma mensagem tão pequena poderia carregar tantos anos?

De repente, eu já não estava mais naquela sala.

Eu tinha dezessete anos novamente.

Eram os meus dezessete anos que voltavam correndo pela minha memória, trazendo consigo tudo aquilo que eu passei tantos anos tentando colocar em algum lugar onde não pudesse mais alcançar.

Quinze anos.

Quinze anos passaram diante dos meus olhos em questão de segundos.

Lembrei de todas as vezes em que tentei me aproximar.

Das mensagens que mandei.

Das vezes em que fui atrás.

Das tentativas de puxar conversa.

E das vezes em que ele simplesmente me ignorou.

Eu me lembrava da sensação de olhar para o celular esperando uma resposta que não vinha.

Naquele momento, uma parte de mim pensou:

Agora é a minha vez.

Eu poderia simplesmente ignorá-lo.

Não responder.

Deixá-lo esperando.

Talvez fosse justo.

Talvez ele precisasse sentir um pouco daquilo que eu senti.

Mas então vieram outras lembranças.

Nós dois conversando no trabalho.

Os olhares que eu fingia não perceber.

O sorriso dele.

As pequenas coisas que, na época, pareciam insignificantes e que hoje minha memória guardava como se fossem tesouros.

E aquele abraço.

Aquele único abraço que, mesmo depois de tantos anos, meu corpo ainda parecia lembrar.

Eu não sabia explicar.

Havia abraços que eram apenas abraços.

Aquele não.

Aquele tinha feito alguma coisa dentro de mim.

Eu tremi.

Por dentro.

E por fora também.

Fechei os olhos.

Por que eu ainda me lembrava disso?

Por que, depois de tantos anos, uma simples mensagem conseguia abrir uma porta que eu tinha passado tanto tempo tentando manter fechada?

Talvez porque algumas histórias não terminem quando as pessoas vão embora.

Talvez elas apenas aprendam a viver em silêncio dentro da gente.

Abri os olhos novamente.

A mensagem continuava ali.

Oi. Tudo bem?

Meu dedo pairou sobre a tela.

Eu ia responder.

Mas outra lembrança apareceu.

Ele com outra pessoa.

A mão dele segurando a mão dela.

O abraço dele envolvendo outra mulher.

E, pior que tudo, os olhos dele encontrando os meus enquanto fazia isso.

Eu me lembrava perfeitamente de como aquilo doía.

Mas eu também precisava admitir uma coisa.

Eu não era inocente naquela história.

Eu tinha começado aquele jogo.

Fui eu quem apareceu primeiro com outra pessoa.

Fui eu quem acreditou que poderia brincar com os sentimentos dele e, quando quisesse, voltar.

Eu achava que ele sempre me perdoaria.

Achava que algumas pessoas simplesmente permaneciam disponíveis para nós, independentemente das escolhas que fizéssemos.

Eu estava errada.

Muito errada.

Naquela época, eu não sabia.

Hoje eu sabia.

A vida tinha me ensinado de maneiras que eu jamais escolheria aprender.

Eu havia amadurecido.

Havia errado.

Havia me decepcionado.

Havia perdoado.

E também aprendido que perdoar alguém não significa necessariamente voltar para essa pessoa.

Algumas pessoas entram na nossa vida para nos ensinar quem somos.

Outras entram para mostrar quem ainda precisamos nos tornar.

E talvez ele tivesse sido um pouco dos dois.

Olhei novamente para a mensagem.

Meu dedo finalmente se aproximou da tela.

Mas antes que eu pudesse responder, outra imagem atravessou minha memória.

As fotos do casamento.

O vestido.

O sorriso.

Aquela vida que ele havia escolhido construir.

Eu me lembrava de ter olhado para aquelas imagens tentando convencer a mim mesma de que estava tudo bem.

Eu era madura.

Eu era forte.

Eu tinha superado.

Eu não iria chorar por causa de um passado.

Mas a verdade era outra.

Eu tinha apenas aprendido a esconder.

Naquele dia, as lágrimas que eu não permiti que caíssem ficaram guardadas em algum lugar dentro de mim.

E agora, quinze anos depois, bastaram duas palavras para encontrá-las.

Senti meus olhos marejarem.

Respirei fundo.

Não.

Eu não iria chorar.

Não por ele.

Não depois de tanto tempo.

Mas algumas lágrimas não pedem autorização.

Elas simplesmente chegam.

E então me lembrei de outra vez em que nos encontramos.

Ele já estava casado.

Estava com a mãe.

E com a filha pequena nos braços.

A menina me olhava com uma doçura que eu jamais esqueci.

Sua mãe perguntou se eu queria segurá-la.

Eu engoli em seco.

Peguei aquela criança nos braços.

E naquele instante alguma coisa dentro de mim se partiu e, ao mesmo tempo, encontrou uma espécie de paz.

Eu olhei para aquele rostinho pequeno e pensei:

E se?

E se tivesse sido diferente?

E se nós tivéssemos escolhido um ao outro?

E se eu tivesse tomado outras decisões?

E se aquela criança fosse nossa?

Por alguns minutos, imaginei uma vida que nunca existiu.

Uma casa.

Nós dois.

Uma família.

Uma história diferente.

Mas então olhei novamente para aquela menina.

Ela precisava de segurança.

Precisava de uma família.

Precisava crescer sabendo onde era o seu lugar.

E eu entendi que algumas fantasias precisam morrer para que a realidade possa continuar vivendo.

Foi naquele momento que comecei, de verdade, a deixá-lo para trás.

Ou pelo menos tentei.

Durante mais cinco anos, ainda o vi algumas vezes.

De longe.

E algumas vezes precisei brigar comigo mesma por ainda olhar.

Por ainda sentir.

Por ainda perceber sua presença.

Eu me condenei muitas vezes.

Perguntei o que havia de errado comigo.

Por que eu não conseguia simplesmente esquecer?

Até que aprendi que esquecer não é a única forma de seguir em frente.

Às vezes, seguir em frente significa aceitar que aquilo existiu.

Que foi importante.

Que doeu.

Que poderia ter sido diferente.

E que, mesmo assim, acabou.

Ou pelo menos era isso que eu acreditava.

Porque agora ele estava novamente diante de mim.

Não fisicamente.

Ainda não.

Mas uma mensagem havia atravessado quinze anos de silêncio.

E eu sabia que alguma coisa dentro de mim tinha despertado.

Ele estava passando por uma separação recente.

Eu sabia disso.

E essa informação tornou tudo ainda mais confuso.

Porque junto com a surpresa veio uma esperança que eu não queria admitir.

Pequena.

Quase ridícula.

Mas viva.

Uma esperança que eu havia enterrado tantas vezes que acreditava não existir mais.

Será que ele também se lembrava?

Será que aquela mensagem significava alguma coisa?

Ou será que ele só estava tentando encontrar alguém conhecido em meio à própria dor?

Será que estava procurando um lugar para se esconder?

Um conforto?

Um escudo?

Ou será que, depois de todos aqueles anos, ele finalmente queria saber quem eu havia me tornado?

Eu olhei para o meu reflexo escuro na tela do celular.

Eu já não era aquela menina de dezessete anos.

Aquela menina que esperava por uma mensagem.

Que corria atrás.

Que queria ser escolhida.

Eu tinha vivido uma vida inteira desde então.

Tinha conhecido pessoas.

Tinha amado.

Tinha me decepcionado.

Tinha cometido erros.

Tinha aprendido.

Tinha perdido partes de mim e encontrado outras que nem sabia que existiam.

Eu havia me tornado uma mulher que aquela menina jamais poderia imaginar.

Mas será que ele estava pronto para conhecer essa mulher?

Será que ele também havia mudado?

Que tipo de homem estava do outro lado daquela tela?

O que quinze anos haviam feito com ele?

E, principalmente...

O que aquela mensagem realmente significava?

Meu dedo ainda estava sobre o celular.

Eu poderia apagar a notificação.

Poderia ignorá-lo.

Poderia proteger tudo aquilo que levei anos para reconstruir.

Ou poderia responder.

Talvez aquela mensagem não fosse uma porta para o passado.

Talvez fosse apenas uma oportunidade de finalmente olhar para ele sem ser a menina que um dia sofreu por não ter sido escolhida.

Talvez fosse uma chance de descobrir se ainda existia alguma coisa entre nós.

Ou talvez fosse apenas o último capítulo de uma história que eu nunca consegui terminar.

Respirei fundo.

E, pela primeira vez em quinze anos, não pensei no que ele iria sentir.

Pensei no que eu queria.

Olhei novamente para aquelas duas palavras.

Oi. Tudo bem?

E comecei a escrever.

Oi. Tudo bem.

 

Thoughts

  • bete

    Tem gente que fica anos esperando uma resposta. Você pelo menos teve a coragem de dar a sua.

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