Bilhete de passagem
As parcas folhas voam ressequidas...
Descansa a alcova, a pá e um vil coveiro.
Enquanto o inverno chega, sorrateiro,
Famintos vermes varrem a descida.
A cama com a terra carcomida
Aguarda o sono escuro e derradeiro
E a vaga é sem convite ao passageiro:
Bilhete de passagem só de ida.
Levando inúteis vestes na bagagem,
Vai leve pelos braços dessa trilha
Também revolto por não ter ficado...
Mas deixa doces antes da viagem:
O amor, a arte, as duas belas filhas
E algum soneto por inacabado...