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Aves de rapina

alpes

Conteúdo da publicação

Vivi na mediocridade do pequeno,

ansiando pela perfeição intangível,

voei pelos céus e construí ninhos no desconhecido,

cada pouso era promessa de liberdade.

Mas um dia, cortaram minhas asas.

E o céu, que antes me acolhia,

tornou-se um abismo impiedoso.

Fugi de mim mesma por tanto tempo,

uma eterna fugitiva em minha própria pele,

mas ao correr, não vi as raízes que plantei.

Eram demônios. Não nascidos do ódio,

mas do amor que lhes dei,

um amor que os nutria e os mantinha vivos,

mesmo quando eu morria um pouco a cada dia.

Hoje, olho para minhas mãos vazias e vejo o que resta:

cicatrizes de sonhos desfeitos,

e um coração que pulsa entre ruínas.

Porém, ainda assim, algo me chama.

Talvez seja o vento,

talvez seja a memória das minhas asas.

Ou talvez, o sussurro de que,

mesmo entre os destroços,

Talvez seja capaz de reerguer o voo.

Mas o sussurro do vento não me consola,

pois sei que, sem asas,

minha queda será eterna.

Thoughts

  • dcabral51

    O fim fala em queda eterna, mas quem escreve isso ainda tá ouvindo o vento chamar e lembrando das asas. Eu leio o poema mais aberto do que a última linha deixa.

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  • lelezinha

    Gostei das raízes plantadas sem ver enquanto corria, e que viraram demônios feitos de amor. Imagem que não sai mais da cabeça.

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  • contoBreve

    Esse fim pesa.

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Vivi na mediocridade do pequeno,

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