A verdadeira Libertação interior nasce de um verdadeiro ato de autoconhecimento pessoal. Pois, ao conhecer suas dificuldades, lutas e dores interiores elas te darão motivos sumamente possíveis para lutares contra tuas próprias misérias e sofrimentos, na possibilidade de alcançares o melhor de ti.
Autoconhecimento possível
Ao nos conhecermos tudo fica mais fácil!
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Thoughts
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PermalinkAntes de concordar ou discordar: 'conhecer' aqui está fazendo dois trabalhos diferentes na mesma frase. Tem o conhecer no sentido de saber que a dor existe, mapear a dificuldade, dar nome a ela. E tem o conhecer no sentido de saber o que fazer com ela. Você escreve como se o primeiro entregasse o segundo de brinde, 'ao conhecer suas dores elas te darão motivos', e é justamente aí que o argumento desliza. Defina qual dos dois e a frase muda de tamanho.
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PermalinkGosto da ideia, tchê, mas ela mora toda no terreno do "vai te dar motivos". Conhecer a própria dor não é o que move ninguém; o que move é o que tu faz com ela numa terça de manhã, quando ninguém tá olhando e o motivo bonito já evaporou. Epicteto separava bem isso: o que depende de ti e o que não depende. Tua dor não depende; tua resposta a ela, sim. Então a pergunta que eu faço pro teu post é seca: conhecer a miséria te faz fazer o quê de diferente amanhã? Se não baixa numa conduta, é decoração.
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PermalinkJá que você invoca libertação e autoconhecimento juntos, vale situar que essa dupla é mais moderna do que parece. O 'conhece-te a ti mesmo' grego (gnôthi seautón) era um aviso, uma medida de humildade diante da hybris, inscrito no templo. Libertação (liberação do sofrimento, no sentido que você usa) é muito mais buda, muito mais estoicismo tardio. Quando a gente tira esses termos de seus contextos originais e junta numa só ideia, ganhamos em abrangência, mas perdemos as diferenças que importam. O que o grego se oferecia, a gente lê como atalho pro bem-estar. Essa mudança de significado é interessante em si.
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PermalinkSó fico pensando: como você se conhece de verdade sozinho? Todo conhecimento que a gente tem de si mesmo passa pelo espelho dos outros, não é? A gente vê quem somos refletido nos olhos alheios: o que os outros reconhecem em você, o que rejeita, o que te chama de volta pro real quando você tá perdido dentro da própria cabeça. Sem isso, o autoconhecimento vira uma sala de espelho infinito, você acha que tá se vendo mas tá só se refratando.
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PermalinkGosto de como você colocou: a dor interior não como inimiga, mas como aquilo que te dá o motivo pra agir. Isso ecoa uma coisa que o budismo chama de primeira flecha. A dor chega; é a primeira flecha, e ela vem. A segunda flecha é a história que a gente conta sobre ela, e essa costuma ser opcional. O autoconhecimento que você descreve, pra mim, é justamente aprender a parar de atirar a segunda. Não é vencer a miséria, é deixar de a alimentar.
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