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AQUELE QUE NINGUÉM ACREDITAVA

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Augusto nunca havia entendido por que algumas pessoas precisavam conhecer tão pouco de alguém para decidir o seu valor.

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Pensamento

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CLAUDIO69POETA

o unico que tem que acreditar em voce é voce mesmo!

o unico que tem que acreditar em voce é voce mesmo!

Conteúdo da publicação

Uma história inspirada em casos reais de estudantes que foram subestimados e encontraram, através da educação, uma oportunidade para mostrar seu verdadeiro potencial.

Augusto nunca havia entendido por que algumas pessoas precisavam conhecer tão pouco de alguém para decidir o seu valor.

Na escola, ele não era conhecido pelas notas, pelos amigos ou por participar das conversas. Na verdade, muitos sequer sabiam o que ele gostava de fazer. Para a maioria dos estudantes, Augusto era apenas o garoto quieto que chegava cedo, sentava no fundo da sala e passava o intervalo sozinho.

Ele não reclamava.

Não porque estivesse feliz com aquilo, mas porque havia aprendido que reclamar nem sempre fazia as pessoas escutarem.

Sua família vivia em uma região simples, distante do centro da cidade. Todos os dias, Augusto acordava cedo, ajudava em algumas tarefas de casa e seguia para a escola. O dinheiro era contado. Nem sempre havia condições de comprar materiais novos, livros ou qualquer coisa que outros estudantes consideravam comum.

Mesmo assim, Augusto estudava.

Quando não tinha um livro, procurava outro.

Quando não entendia uma matéria, perguntava.

Quando errava uma questão, tentava novamente.

Havia, porém, uma coisa que ele fazia sem contar para ninguém.

Guardava perguntas.

Perguntas sobre o mundo.

Por que determinada planta crescia mais rapidamente em certas condições? Por que alguns materiais conduziam eletricidade e outros não? Como a água poderia ser reaproveitada? Como pequenas mudanças poderiam transformar a vida de uma comunidade?

Ele anotava tudo em um caderno velho.

A capa já estava desgastada, algumas páginas tinham sido arrancadas e outras estavam cheias de cálculos, desenhos e observações.

Para Augusto, aquele caderno valia mais do que qualquer objeto caro.

Era ali que ele podia ser quem realmente era.

Na escola, porém, ninguém conhecia aquele lado.

Leonardo conhecia apenas o Augusto que permanecia calado.

E era justamente por isso que fazia questão de provocá-lo.

— Vai responder alguma coisa hoje ou vai continuar olhando para o caderno? — perguntou Leonardo certa manhã.

Alguns colegas riram.

Augusto continuou escrevendo.

— Estou falando com você.

Ele levantou os olhos.

— O que foi?

— Nada. Só queria saber se você sabe falar.

Mais risadas.

Augusto fechou o caderno.

— Sei.

— Então fala alguma coisa.

Augusto ficou alguns segundos em silêncio.

— Não tenho nada para dizer.

Leonardo riu.

— É por isso que você nunca vai chegar a lugar nenhum.

A frase ficou na cabeça de Augusto durante o restante da manhã.

Não porque acreditasse nela.

Mas porque já havia escutado aquilo muitas vezes.

“Você não vai conseguir.”

“Isso não é para você.”

“Você não tem capacidade.”

“Você não tem futuro.”

Quando uma pessoa ouve algo assim uma única vez, talvez consiga esquecer.

Quando ouve todos os dias, começa a precisar lutar contra aquela voz dentro da própria cabeça.

Foi uma professora de Ciências chamada Helena quem começou a perceber que havia algo diferente em Augusto.

Durante uma aula sobre meio ambiente, ela fez uma pergunta para toda a turma.

— Se uma comunidade possui pouca água disponível, que soluções poderiam ser utilizadas para diminuir o desperdício?

Vários alunos começaram a responder.

Alguns deram respostas simples.

Leonardo falou primeiro.

— É só economizar.

A professora perguntou:

— Como?

Ele não soube responder.

Então Augusto levantou a mão.

A sala ficou quieta.

— Augusto?

Ele se levantou.

— Poderia ser criado um sistema simples de reaproveitamento da água utilizada em determinadas atividades domésticas, desde que houvesse tratamento e uso adequado para cada finalidade. Também seria possível captar água da chuva e armazená-la corretamente.

A professora ficou olhando para ele.

— E como você chegou a essa conclusão?

Augusto deu de ombros.

— Eu li sobre isso.

— Onde?

— Em alguns livros.

Leonardo soltou uma risada.

— Claro. O cientista do fundo da sala.

Alguns alunos riram.

A professora não riu.

— Leonardo, se você não tem uma contribuição para a aula, respeite quem está falando.

Foi a primeira vez que alguém interrompeu uma provocação por causa de Augusto.

Ele voltou para a carteira.

Naquele mesmo dia, Helena o chamou depois da aula.

— Você gosta de Ciências?

— Gosto.

— Muito?

Augusto sorriu discretamente.

— Muito.

— Então por que nunca participa?

Ele pensou antes de responder.

— Porque quando eu falo, eles riem.

A professora ficou em silêncio.

Depois disse:

— Você não pode deixar a opinião deles decidir o tamanho do seu futuro.

Augusto não respondeu.

Mas guardou aquela frase junto com as outras coisas importantes que anotava.

Algumas semanas depois, a escola recebeu um comunicado.

Haveria uma competição científica envolvendo estudantes de várias escolas.

A proposta era desenvolver uma solução para um problema real da comunidade.

O vencedor receberia uma bolsa de estudos e a oportunidade de apresentar o projeto em uma etapa maior.

Leonardo imediatamente decidiu participar.

Ele gostava de competições.

Gostava de troféus.

Gostava, principalmente, de ser reconhecido.

Quando descobriu que Augusto também participaria, começou a rir.

— Você vai competir?

Augusto respondeu:

— Vou.

— Contra mim?

— Não sabia que era uma competição só sua.

Alguns colegas riram.

Leonardo ficou sério.

Foi a primeira vez que Augusto respondeu sem baixar a cabeça.

A partir daquele momento, os dois começaram uma espécie de disputa.

Leonardo tinha computador, materiais novos e facilidade para conseguir ajuda.

Augusto tinha seu caderno.

E uma ideia.

Durante várias noites, Augusto estudou uma maneira simples de aproveitar a água da chuva para pequenas plantações familiares.

Ele desenhava.

Calculava.

Mudava o projeto.

Errava.

Começava novamente.

Sua mãe percebeu as noites em que ele permanecia acordado estudando.

— Filho, você precisa descansar.

— Só mais um pouco.

— O que você está fazendo?

Augusto mostrou os desenhos.

Ela não entendia todos os cálculos, mas entendeu uma coisa.

Ele estava feliz.

— Então continue — disse ela.

Foi o que ele fez.

Na escola, entretanto, Leonardo começou a dizer que Augusto estava copiando ideias de outros alunos.

A acusação chegou aos ouvidos da professora.

Helena chamou os dois.

— Leonardo, você tem alguma prova?

— Não.

— Então não faça uma acusação.

Augusto permaneceu em silêncio.

Helena perguntou:

— Augusto, você consegue explicar seu projeto?

Ele abriu o caderno.

Durante quase vinte minutos, explicou cada parte.

Falou dos problemas que havia encontrado.

Das mudanças que precisou fazer.

Dos cálculos.

Das possibilidades.

Quando terminou, Leonardo estava quieto.

A professora olhou para ele.

— Agora você entende por que eu acredito nele?

Leonardo não respondeu.

A competição finalmente chegou.

Havia estudantes de várias escolas.

Alguns apresentaram projetos sofisticados.

Augusto olhou para aquilo tudo e sentiu medo.

Pela primeira vez, percebeu o tamanho daquilo que estava fazendo.

Pensou em desistir.

Helena percebeu.

— Está nervoso?

— Estou.

— Ótimo.

Augusto olhou para ela, confuso.

— Como assim?

— Significa que isso é importante para você.

Ele respirou fundo.

— E se eu perder?

A professora respondeu:

— Você pode perder uma competição e continuar sendo uma pessoa capaz. Não confunda resultado com valor.

Augusto entrou.

Apresentou seu projeto.

Não foi perfeito.

Em determinado momento, esqueceu uma informação.

Parou.

Respirou.

Consultou suas anotações.

Continuou.

Quando terminou, os avaliadores fizeram perguntas.

Ele respondeu.

Algumas não soube responder.

E admitiu.

— Não sei.

Um dos avaliadores perguntou:

— Você não vai tentar inventar uma resposta?

Augusto sorriu.

— Não. Se eu não sei, prefiro dizer que não sei. Depois posso pesquisar.

Os avaliadores trocaram olhares.

A apresentação terminou.

Agora era esperar.

Os resultados seriam anunciados naquela tarde.

Todas as equipes se reuniram.

Leonardo estava confiante.

Augusto permanecia quieto.

O responsável pelo evento subiu ao palco.

Começou anunciando as menções honrosas.

Depois o terceiro lugar.

Depois o segundo.

Augusto ouviu os nomes.

Não era o dele.

Leonardo também não.

Então chegou o momento final.

— O primeiro lugar...

O auditório ficou em silêncio.

— Vai para a equipe da Escola Estadual...

Uma pausa.

Augusto.

Por alguns segundos, ele simplesmente ficou parado.

Helena começou a aplaudir.

Depois os colegas.

Augusto caminhou até o palco.

Recebeu o certificado.

Mas o prêmio não era a parte mais importante.

O mais importante aconteceu quando ele voltou para a escola.

Na manhã seguinte, a mesma sala que antes ria dele estava diferente.

Um aluno se aproximou.

— Augusto, você pode me ajudar naquela questão?

Outro perguntou:

— Como você fez aquele projeto?

Até Leonardo apareceu.

Ele não tinha mais a expressão de antes.

— Parabéns.

Augusto agradeceu.

Leonardo ficou alguns segundos parado.

— Eu estava errado sobre você.

Augusto respondeu:

— Você não precisava acreditar em mim.

Leonardo olhou para ele.

— Precisava, sim.

Augusto ficou em silêncio.

Leonardo continuou:

— Porque eu percebi que passei muito tempo tentando provar que era melhor que você, quando nem sequer sabia quem você era.

Augusto fechou o caderno.

— Agora sabe.

Leonardo assentiu.

— Agora sei.

Aquela conversa não apagou tudo o que havia acontecido.

Mas marcou o começo de uma mudança.

Augusto continuou estudando.

Seu projeto foi levado para uma etapa maior.

Depois veio outra oportunidade.

E outra.

Ele começou a receber convites para participar de atividades acadêmicas.

Professores que antes mal conheciam seu nome passaram a reconhecer seu trabalho.

Mas Augusto nunca esqueceu o último banco.

Nunca esqueceu as risadas.

Nunca esqueceu as vezes em que pensou que talvez Leonardo estivesse certo.

Anos depois, quando alguém perguntou qual havia sido o momento mais importante de sua trajetória, muitos esperavam que ele mencionasse a competição.

Ele não mencionou.

Disse:

— Foi o dia em que alguém acreditou em mim antes de eu conseguir acreditar em mim mesmo.

Helena estava na plateia.

Ela sorriu.

Augusto havia entendido uma coisa que nenhuma medalha poderia ensinar.

Uma oportunidade pode mudar uma vida.

Mas, para alguém que está sendo constantemente diminuído, às vezes a primeira oportunidade não é uma competição.

É alguém perguntar:

“Você está bem?”

É um professor perceber.

É um colega decidir não rir.

É uma família apoiar.

É uma escola levar a sério aquilo que está acontecendo.

E foi assim que Augusto descobriu que não precisava ser o mais popular, o mais rico ou o mais admirado para ter um futuro.

Ele só precisava continuar construindo aquele futuro.

Um dia de cada vez.

Página por página.

Erro por erro.

Tentativa por tentativa.

Porque as pessoas que o chamavam de “ninguém” estavam olhando apenas para o presente.

Não conseguiam enxergar aquilo que ele ainda estava construindo.

E talvez essa seja a maior lição daquela história:

não existe nada mais perigoso para quem subestima alguém do que dar a essa pessoa uma oportunidade.

Porque talento escondido não deixa de existir.

Ele apenas espera o momento certo para ser descoberto.

E Augusto esperou.

Estudou.

Errou.

Aprendeu.

Continuou.

Até que chegou o dia em que ninguém mais perguntou se ele seria capaz.

Todos já sabiam a resposta.

“Nunca permita que a opinião de alguém que não conhece sua história determine até onde você pode chegar.

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