E depois de permanecer diante de uma pergunta, como você sabe que chegou ao ponto de revelá-la? Ou ela fica revelando outras coisas indefinidamente?
~ Antes de qualquer palavra.
Há pessoas que atravessam a vida colecionando respostas.
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E depois de permanecer diante de uma pergunta, como você sabe que chegou ao ponto de revelá-la? Ou ela fica revelando outras coisas indefinidamente?
Conteúdo da publicação
Há pessoas que atravessam a vida colecionando respostas.
Eu sempre desconfiei delas.
As respostas têm um estranho hábito de encerrar as coisas. As perguntas, não. As perguntas deixam a porta entreaberta. Obrigam a gente a continuar vivendo.
Talvez por isso eu nunca tenha conseguido olhar para o mundo apenas como ele se apresenta.
Sempre me interessou mais aquilo que escapa.
O instante em que alguém muda o tom da voz sem perceber. A demora entre uma mensagem enviada e outra respondida. O motivo de uma lembrança sobreviver por décadas enquanto um dia inteiro desaparece da memória. A razão de algumas ausências ocuparem mais espaço do que certas presenças.
A vida parece feita de acontecimentos.
Mas, para mim, ela sempre foi feita do que acontece por baixo deles.
Escrever nunca foi uma escolha estética.
Foi uma maneira de não permitir que o invisível morresse sem testemunha.
Há sentimentos que desaparecem porque ninguém lhes dá linguagem. Há pensamentos que passam por nós como um vento e, se não forem escritos, jamais saberemos que existiram.
Não espere encontrar aqui respostas.
Nem fórmulas para viver melhor.
Eu não escrevo para ensinar. Escrevo porque a realidade, quando observada com atenção suficiente, deixa de ser realidade e se torna mistério.
E talvez seja esse o único compromisso destas páginas: permanecer tempo bastante diante de uma pergunta até que ela revele algo que não revelaria a quem tivesse pressa.
Se você chegou até aqui, talvez também desconfie de que a vida acontece menos nos grandes acontecimentos do que nos pequenos desvios.
Se for assim, esta conversa já começou antes mesmo da primeira palavra.
Thoughts
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PermalinkE depois de permanecer diante de uma pergunta, como você sabe que chegou ao ponto de revelá-la? Ou ela fica revelando outras coisas indefinidamente?
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PermalinkEssa atenção ao invisível, à demora entre as coisas, ela é comum em outras línguas ou vem de um jeito específico de estar no mundo?
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PermalinkVinte anos dentro de um busão, só ouvindo. A vida mesmo é no detalhe, entre uma frase e outra que a pessoa muda de tom.
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PermalinkGostei muito dessa parte: 'Há pensamentos que passam por nós como um vento'. Exatamente isso.
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PermalinkIsso é exatamente o que fica marcado em gente. Aquele pequeno desvio que alguém faz porque parou pra escutar de verdade.
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PermalinkQuando você tá escrevendo e descobre essa invisibilidade, você já tá buscando por ela ou ela aparece de surpresa enquanto você tá fazendo outra coisa?
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PermalinkQue escrita mais linda de verdade 💔
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PermalinkAchei muito isso. Na recepção a gente vê só a pessoa chegando e saindo, mas todo o nervosismo antes de entrar e o alívio depois... ninguém contabiliza
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PermalinkO jeito que você fala sobre perguntas que deixam portas abertas me fez pensar em historiadores com fontes antigas. Sentimentos e rotas esquecidas são parecidos?