Amor e Passado
Tive tantos encontros...
Passageiros,
como um trem de aventura
que passa somente naquele horário.
Tempo de pecado...
Acredito que hoje
já não sei beijar.
Não acredito que beijei
cinquenta e sete sapos.
Campeões do adultério.
Não jogadores, drogados
ou traficantes...
Nos seus próprios egoísmos,
no seu narcisismo.
Droga que saía de suas bocas,
como um mau hálito.
Depois do beijo,
vinha o arrependimento.
Não havia bala de hortelã.
Dentro do carro,
na zona,
na balada,
no hotel,
ou na casa de amigos...
Apenas uma música,
um cigarro
e uma cerveja.
Alguns beijos roubados...
Eu não queria beijar,
porque eles causavam medo.
Pânico...
Enquanto riam,
achavam que era melhor
"pegar mais uma".
Ou apenas surpreendiam,
abriam a porta,
aproximavam a boca,
até cair no colchão.
Ou, raras vezes,
fui eu quem tomou a iniciativa.
Flertar...
Talvez.
Galinha.
Piranha.
Prostituta.
Nomes que quiseram me dar.
Como Madalena...
"Vai onde?"
Foca não sufoca.
Indiretas...
Apenas um jogo.
Você ganha
e você perde.
Somos reféns dos acertos
e dos erros.
Vivemos um dia de cada vez.
Sem pegar telefone,
CEP
ou endereço.
Como descobriram meu Facebook,
se eu nem dei meu sobrenome?
Somos vigiados
o tempo todo.
Por isso fica difícil
construir algo sério.
Bom demais...
Triste demais...
Imagina uma galinha
dizer que é virgem.
Ou apenas um galo velho...
Não têm decência
nem para perguntar.
Apenas acham
que sabem tudo.
Como engano...
Todo mundo sabe
beijar uma laranja,
chupar uma banana.
Mas amar...
Isso é diferente.
O passado não volta.
Trocar figurinhas de um álbum
não completa a coleção da vida.
Apenas deixa perguntas...
Quem foi o verdadeiro jogador?
Ana Cristina Poronhak de Carvalho