AMOR É COMO SABONETE
Amor é como sabonete:
desce, esfrega, derrete,
como algo que dura tão pouco,
como o cheiro em nossa pele.
Que odor!
Animais,
ou peixe,
ou o próprio bacalhau.
Amor mistura
tempo, sonhos exóticos.
Assim que o pecado
se torna refém
de algo insano,
tão solúvel.
Quando deita na cama,
o que é dormir?
O que é imaginar o amor?
Onde está?
Mas, no fundo,
apenas imagina.
Acaricia levemente
seu corpo,
até o momento
em que sua mão
se aproxima do pecado.
Que tanto gosto
para imaginar...
Meu Deus,
foi apenas
cinco minutos de prazer,
e acabou.
Você se levanta,
toma banho,
e se fala:
— Amanhã começa.
Tudo volta.
Traz de volta o amor,
mas, no fundo,
sua mão toca
seu bem maior.
E assim,
entre desejo e sentimento,
é amor...
Ana Cristina Poronhak de Carvalho