Me vi sentado no meio-fio daquela ruela inóspita, incapaz de decidir qual movimento eu deveria fazer: o de ir embora ou o de esperar o amanhecer.
Estava bem frio. Não aquele frio que me confortava, mas um frio que chegava a acariciar minha espinha dorsal. A alvorada era iminente. Eu precisava tomar aquela decisão, de uma forma ou de outra.
Senti-me completamente paralisado diante de uma decisão tão simples, mas que custava tanto. Direcionei minha atenção para o horizonte, e um feixe de luz maculou aquele abismo de segundos atrás.
Mordi os lábios; de forma compulsiva, puxava minhas cutículas ao ponto de sangrarem. Levantei-me. Enxuguei do rosto uma lágrima que já havia secado. Com isso, sujei de sangue o que antes era um lamento.
Fui embora pela alvorada.