Li o refrão já cantando na cabeça com melodia e tudo, agora não sai mais kkkk
Além do cais.
Pensamento
Li o refrão já cantando na cabeça com melodia e tudo, agora não sai mais kkkk
Conteúdo da publicação
Pobre indivíduo
preso ao ritmo das marés,
perdido ao relento,
sem norte,
graças à canção.
“Navegue até mim,
me deixe lhe amar,
meu amor, meu amor,
por ti eu fico.”
Ao escutar,
o navegante vê-se a sentir
falta da vida além dos cais,
que está passando,
enquanto se finda
em águas dantescas e abissais.
O refrão promete o sol eterno,
em um tom que parece maior,
mas, ao recitar
os novos versos,
deixa o seu lamento
menor.
A voz ainda o clama,
de longe:
“Navegue em minha direção,
meu amor, meu amor,
não, não estou preparado,
espere um pouco mais.”
É impossível levar
um barco sem temporais
nos movimentos das ondas,
em uníssono com o canto,
em tom menor que o conto.
“Não me venhas a seguir,
já não me vejo em ti,
em invernos clamas a si
o que o verão tens de mim.”
A ondulação das marés
fez o navegante sumir
através da névoa
densa e gélida,
enquanto só encontra
calor na canção a repetir:
“Navegue até mim,
me deixe lhe amar,
meu amor, meu amor,
fique por mim.”
Com o Si, o se se despede,
ao passo do amor,
que se sucede.
Em estado insone,
esvai-se
no novo paço
do descompasso.
No frio do verão
pus-me a sumir.
Quando estavas a banhar
sob essas águas
Lhe alertei:
“Tenhas cuidado, amor.
Em tom menor, canto:
as minhas marés
são de águas
das mais
gélidas
fontes.”
Com essa canção,
de que vens a escutar
só o que convém,
tu sempre retornas
pro amante no além.
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