Olá, me chamo Paola Botelho e estou perto de completar 30 anos. Quando a gente se encontra nessa última casa dos 20, a vida fica meio complexa. Você não sabe muito bem para onde ir de fato: casa ou fica solteira? Tem filhos ou não? São várias decisões acompanhadas de muita pressão, principalmente quando se é mulher. Pelo menos, me encontrei no profissional.
Sou formada em Artes e Pedagogia. Sempre amei tudo relacionado à arte, e unir ela com a pedagogia teve seu bônus. Passei muito tempo trabalhando em escola, onde desenvolvi projetos artísticos voltados para os meus alunos, mas, pela obra do destino, fui convidada para fazer um projeto baseado em um trabalho recente, chamado Artistas da Escola.
Um grupo de professores coreanos veio conhecer as escolas da cidade e me convidou para trabalhar durante seis meses na Coreia do Sul. Minha primeira reação foi não aceitar. Não sou tão adepta a mudanças, porém essa oportunidade seria um salto na minha carreira. Então, no último dia do prazo, aceitei.
Senhor Park Nam:
— Senhorita Paola, será um grande prazer recebê-la em nosso país. Acredito que os alunos da nossa escola irão se beneficiar desse projeto — falou com confiança.
— Obrigada, senhor Park. Sinto-me lisonjeada por alguém como o senhor ter gostado do meu trabalho. Garanto-lhe que darei o meu melhor — disse Paola, sem conseguir conter a felicidade.
— Acredito nisso, senhorita. Suas referências foram ótimas, e vejo que seus alunos a admiram bastante. Aguardo você na segunda, no aeroporto — disse o senhor Park, olhando para uma mensagem no celular.
— Paola — disse-lhe, meio receoso —, pode ser que, no início, você não se dê muito bem com o seu parceiro de projeto.
Franzi o cenho, pois não estava acreditando que iria trabalhar com uma pessoa difícil. Mas, já que aceitei ir ao inferno, então vou precisar abraçar o diabo.
— Tudo bem, eu sei como driblar pessoas difíceis — disse-lhe, com mais confiança do que eu realmente estava sentindo.