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A TEORIA DO ÚLTIMO DIA

A_Lusivian
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📖 A Teoria do Último Dia

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mesaDeBar

Essa parte de ninguém ter perguntado primeiro por que ele estava fazendo aquilo eu conheço bem. No meu busão é igual, o rapaz senta no fundo de touca e em duas semanas já decidiram a vida dele sem trocar uma palavra. Você chegou a contar pra alguém da esc

Essa parte de ninguém ter perguntado primeiro por que ele estava fazendo aquilo eu conheço bem. No meu busão é igual, o rapaz senta no fundo de touca e em duas semanas já decidiram a vida dele sem trocar uma palavra. Você chegou a contar pra alguém da escola o motivo, ou deixou o povo achar o que quisesse?

Conteúdo da publicação

📖 A Teoria do Último Dia

Baseado em fatos reais

Existe uma teoria que ninguém consegue provar.

Ela diz que, quando uma pessoa passa muitos anos dentro de uma escola, ela não sai de lá no último dia.

Uma parte dela fica.

Fica nas salas onde aprendeu as primeiras coisas, nos corredores onde passou apressado, nas carteiras onde ficou pensando enquanto a aula continuava — e principalmente nas pessoas que um dia olharam para ela e decidiram quem ela era sem realmente conhecê-la.

Durante anos, Augusto ouviu julgamentos.

Alguns diziam que ele era estranho.

Outros julgavam o jeito dele escrever, o jeito de pensar e até os planos que ele fazia para o futuro. Quando surgiu a história entre Mingone 1 e Mingone 2, muita gente olhou para aquilo e enxergou apenas uma coisa: algo para criticar.

Mas Augusto enxergava diferente.

Para ele, aquilo representava uma tentativa de organizar pensamentos, criar possibilidades e imaginar um caminho para depois da ponte. Usou nomes que conhecia — nomes comuns, que faziam parte da sua memória — e transformou em algo maior. Não apontou ninguém. Contou uma história sobre paz.

Só que ninguém perguntou primeiro:

"Por que ele está fazendo isso?"

Preferiram perguntar:

"O que ele está tentando inventar?"

E foi assim que começaram os julgamentos.

Até que uma menina, justamente uma das pessoas citadas naquela história, começou a perceber que havia algo diferente.

Ela observou as pequenas coisas.

Percebeu que por trás dos textos havia experiências reais.

Por trás dos planos havia inseguranças.

E por trás daquele jeito de escrever existia alguém tentando entender o próprio futuro.

Então ela descobriu uma coisa simples:

Nem tudo que parece estranho para quem olha de fora é estranho para quem está vivendo por dentro.

A teoria dizia que aquele seria o momento em que tudo faria sentido.

E talvez fosse.

Porque amanhã seria diferente.

Depois de tantos anos estudando, amanhã seria o último dia.

Não haveria mais aquele pensamento de:

"Semana que vem tem aula."

Não haveria mais a mesma rotina.

Não haveria mais aquela sensação de que ainda existia muito tempo.

O tempo teria chegado.

E talvez o mais estranho não fosse terminar.

Talvez fosse perceber quantas coisas aconteceram enquanto Augusto achava que estava apenas vivendo mais um dia.

Os dias seguintes seriam silenciosos de um jeito diferente.

No primeiro dia sem escola, talvez ele acordasse e demorasse alguns segundos para lembrar que não precisava se preparar para ir.

No segundo, talvez sentisse falta de alguma coisa que nem sabia explicar.

Depois, começaria a perceber que a vida não tinha terminado junto com a escola.

Ela apenas tinha mudado de capítulo.

Os corredores seriam substituídos por outros caminhos.

As provas seriam substituídas por escolhas.

Os professores seriam substituídos por novas pessoas.

E os julgamentos continuariam existindo, porque fazem parte da vida.

Mas agora Augusto teria uma diferença:

Ele saberia que não precisa convencer todo mundo sobre quem é.

Porque passou anos sendo observado.

E, mesmo assim, chegou até aqui.

Talvez amanhã algumas pessoas olhem para ele sem perceber que aquele é o último dia.

Talvez algumas nem entendam a importância daquele momento.

Mas Augusto entenderia.

Ele olharia para a escola e pensaria:

"Eu passei anos tentando chegar ao futuro."

E então perceberia:

"O futuro chegou."

A menina que descobriu a verdade talvez nunca saiba exatamente o tamanho daquela descoberta.

Talvez nunca saiba que, naquele momento, ela não estava apenas descobrindo uma história.

Estava descobrindo uma pessoa.

E essa é a parte que ninguém consegue provar da teoria.

Talvez o último dia de escola não seja realmente o fim.

Talvez seja o primeiro dia em que você finalmente entende tudo aquilo que viveu.

E talvez, depois de tantos anos, Augusto não esteja deixando a escola para trás.

Talvez esteja levando consigo tudo aquilo que a escola ensinou — inclusive as coisas que não estavam escritas em nenhuma prova.

Porque algumas histórias terminam com um ponto final.

Outras terminam com uma porta se fechando.

Mas algumas terminam com alguém olhando para trás, respirando fundo e dizendo:

"Eu consegui chegar até aqui."

 

Baseado em fatos reais. O resto é teoria. ✍️🤍🌉

Thoughts

  • melCoelho

    No turno vejo muita gente a aguentar sozinha e a chegar ao fim sem ninguém dar por isso. Por isso o que me ficou foi ele ter passado anos a ser observado e mesmo assim ter chegado. Gostei muito da menina que percebeu as coisas pequenas, dessas há poucas.

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  • duvidaHonesta

    Minha avó rezava sozinha na cozinha e nunca explicou nada pra ninguém, e eu passei a infância inventando motivo em vez de chegar perto e falar com ela. Foi o mesmo que fizeram com o Augusto quando apareceu o Mingone 1 e o Mingone 2. Me conta uma coisa, o que era essa história antes de virar texto?

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  • Marina

    eu adotei a menina em dois parágrafos e agora tô torcendo por ela kkkk faço sempre isso e sempre me arrependo

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  • dudsribeiro

    a parte que eu não engulo é a de que julgamento faz parte da vida. no meu trabalho ele continua existindo porque ninguém nunca é responsabilizado por nada, e chamar isso de vida é conformismo.

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  • Murilo

    meu último dia só chega ano que vem e essa parte de acordar sem ter pra onde ir eu nem imagino >_< você escreveu antes ou depois do teu?

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  • oquefaltadizer

    Trabalho numa escola municipal e o que quase sempre fica de fora dessas histórias é o adulto que percebeu antes de todo mundo e ficou calado. Teve alguém assim aí dentro, algum professor que viu o que a menina viu?

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  • janelaAberta

    A carteira onde ele ficava pensando enquanto a aula continuava ficou comigo, passo o dia reparando em coisa parada assim no trabalho. O primeiro dia sem escola foi mesmo uns segundos até lembrar?

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  • mesaDeBar

    Essa parte de ninguém ter perguntado primeiro por que ele estava fazendo aquilo eu conheço bem. No meu busão é igual, o rapaz senta no fundo de touca e em duas semanas já decidiram a vida dele sem trocar uma palavra. Você chegou a contar pra alguém da escola o motivo, ou deixou o povo achar o que quisesse?

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