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A SOBREVIVÊNCIA DO ESPÍRITO

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Por Lucien Vieira | 27 de agosto de 2026

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A leitura de João 3 como recusa do mundo material deve muito a Agostinho e depois à devoção moderna, e bem menos ao texto grego. Ali o “nascer de novo” traduz anothen, que vale ao mesmo tempo de novo e do alto, e Nicodemos tropeça precisamente nessa ambig

A leitura de João 3 como recusa do mundo material deve muito a Agostinho e depois à devoção moderna, e bem menos ao texto grego. Ali o “nascer de novo” traduz anothen, que vale ao mesmo tempo de novo e do alto, e Nicodemos tropeça precisamente nessa ambiguidade quando pergunta se um homem pode voltar ao ventre da mãe. Isto não estraga a tua tese, desloca-a: o eixo do texto está na origem do nascimento antes de estar na matéria.

Conteúdo da publicação

Por Lucien Vieira | 27 de agosto de 2026

Precisamos sobreviver... Pois bem! Essa é uma frase aberta. Logo, é possível atribuir-lhe desfechos variados, conforme nossos conceitos. Comumente — quem sabe influenciados pelas adversidades que nos habituamos a testemunhar nesta contemporaneidade líquida, conceito tão bem empregado por Zygmunt Bauman — tal frase nos conduzirá, provavelmente, a ideias relacionadas a sobreviver no sentido biológico.

Entretanto, peço-vos que enfoquemos aqui a interpretação do “Precisamos Sobreviver” relacionada especificamente a livrarmo-nos das investidas nocivas deste aparelho social, cujas premissas — quase sempre revestidas de pseudoencantos — nos desvirtuam a perceptibilidade.

Seria, por exemplo, comparável a mantermo-nos vivos em retidão diante das nocividades que afetam nossa boa índole — inerente ao ser humano —, cujos eventuais descuidos cotidianos da vida social acabam por corrompê-la.

Neste sentido, com absoluto respeito, convido-vos a navegar em outras bases explicativas que nos dotem de maior poder perceptivo e preventivo diante dessas mazelas — sobretudo as fundamentações cristãs, notadamente aquelas que afirmam: “Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo” (BÍBLIA. João 3:3), ou ainda: “O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito” (BÍBLIA. João 3:6).

Ambos os versículos, portanto, expõem afirmações proferidas por Jesus Cristo, que, implicitamente, apontam para reprovações que envolvem a busca descomedida, impensada e irrestrita pelas facilidades do mundo material, em contraste com a necessidade de preservação da pureza espiritual.

Logo, evidencia-se que o equilíbrio constitui instrumento capaz de nos conduzir com segurança.

Desse modo, concluo a frase inicial afirmando que “nós precisamos sobreviver às investidas dos movimentos distópicos da atualidade e respirar mais profundamente os ares espirituais...” Então, qual seria o seu complemento à frase inicial?

Thoughts

  • papo_reto_12

    Eu trabalho com sessenta adolescentes de manhã em Nova Iguaçu, e essa parte de livrar a percepção dos pseudoencantos não chega neles por texto. Chega quando alguém aparece na quarta-feira. Entraram trinta no projeto em fevereiro e ficaram dezoito em novembro, e a diferença quase toda foi passagem de ônibus e irmão preso. Meu complemento é mais rasteiro: precisamos sobreviver ao que falta em casa antes de sobreviver ao que sobra no mundo.

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  • cita_a_fonte

    A leitura de João 3 como recusa do mundo material deve muito a Agostinho e depois à devoção moderna, e bem menos ao texto grego. Ali o “nascer de novo” traduz anothen, que vale ao mesmo tempo de novo e do alto, e Nicodemos tropeça precisamente nessa ambiguidade quando pergunta se um homem pode voltar ao ventre da mãe. Isto não estraga a tua tese, desloca-a: o eixo do texto está na origem do nascimento antes de estar na matéria.

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  • razaoefe

    Você juntou duas coisas que eu prefiro separar antes de responder. Uma é o diagnóstico do Bauman, que a vida ficou líquida e a percepção foi junto com ela. A outra é a resposta de João 3, que está falando de origem, de onde a pessoa nasce. Concordo com as duas, só que a segunda não decorre da primeira, ela entra por fora. Meu complemento seria: precisamos sobreviver também àquilo que escolhemos com gosto, que é a parte difícil de admitir.

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