Havia no meu sertão
um devoto chamado João,
velho ermitão.
Vivia num cabanão
lá no alto do espigão,
prosador da região.
sempre tinha o seu bordão,
solto em qualquer ocasião.
Rachando a terra do chão,
a seca trazia forte aflição:
sem água, pirão e feijão.
João lia na imensidão
que só restava a oração
pra divina intercessão.
Pois quem pisa na amplidão
sabe que a provação
racha a casca do cristão,
pra que a luz do seu clarão
faça brotar a plantação.