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A Profecia

manusalomao
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Era uma vez, um anjo e um demônio, segurando em suas mãos uma fita vermelha, considerada o fio do destino, que ao se partir, dividiu o mundo em dois. Céu e inferno, os dois lados opostos da vida,…

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Pensamento

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paginadobrada

A gente conta essas histórias e elas ficam em cima da mesa de quem tá ouvindo. Essa aqui ficou comigo o dia inteiro todo.

A gente conta essas histórias e elas ficam em cima da mesa de quem tá ouvindo. Essa aqui ficou comigo o dia inteiro todo.

Conteúdo da publicação

Era uma vez, um anjo e um demônio, segurando em suas mãos uma fita vermelha, considerada o fio do destino, que ao se partir, dividiu o mundo em dois.
Céu e inferno, os dois lados opostos da vida, ambos determinados a subjugar o outro, tomando suas ideologias como as únicas verdades que deveriam existir, ensinados a odeia com cada nervo de seu ser, mesmo sem razões aparentes, mesmo sem nunca terem trocado sequer uma palavra.
Batalhas sanguinárias foram travadas por anjos e demônios ao longo dos séculos, até que seus líderes em conjunto, ergueram uma grande muralha, tão alta, que nem mesmo as asas mais fortes poderiam ultrapassar, separando assim as duas civilizações, quase que por completo.
Se antes já não havia contato entre os lados, agora muitos das novas gerações sequer sabiam suas aparências. As histórias celestiais retrataram os demônios como sendo seres malignos, as reencarnações do próprio mal, com chifres afiados e dentes pontudos, cuja única vontade e objetivo era mentir, manipular e matar.
Já as lendas demoníacas representavam os anjos como grandes pássaros brancos, cujas garras eram tão afiadas, que poderiam rasgar a pele de um deles sem sequer toca-lo, sendo queimados por seus olhos vermelhos rubro logo em seguida.
O ódio e o preconceito de ambas as nações para com a outra, apenas se aflorava e crescia ao longo dos anos, até que, o nascimento de duas crianças mudaria todo o destino do cosmos.
Peter, nasceu ao meio dia, no ultimo dia do ano, cujo sol estava tão forte, que queimava quem o encarasse.
Um anjo aparentemente comum, com a pele clara, os fios de cabelo loiros como a mais pura linha de ouro, se nao fosse os olhos num tom vivo de vermelho sangue, nunca vistos em um anjo anteriormente.
Doze horas depois, a meia noite, do outro lado da muralha, nascia Bella, um demônio aparentemente menor do que os outros. Sua pele meio bronzeada, contrastava com o castanho de seus cabelos e seus olhos azuis como o céu,um fenomeno que nunca havia acontecido com um demonio, e sem que eles soubessem, seus destinos já estavam ligados.
Uma antiga profecia dizia que se algum dia nascessem um anjo e um demonio no mesmo dia, seus destinos estariam selados na missão de unir os seus povos.

A medida em que ambos os jovens cresciam, de acordo com os ensinamentos e tradições de seu próprio povo, ao norte das terras demoníacas, na mais alta montanha, um passarinho deixou cair uma semente enquanto voava pelo vasto céu azul, fazendo nascer ali, uma enorme árvore.
Com tons vivos em rosa brilhante, e um perfume doce como mel. A cada ano que se passava, a árvore crescia mais e mais, até que um de seus galhos, já começava a atravessar os limites da muralha erguida no passado, tornando-se assim, um vínculo escondido entre as terras demoníacas e celestiais, quase como uma tentativa divina de unir o destino deles.
Peter foi treinado desde que se lembra para ser um dos guardas que protegem o reino celestial na linha de frente, um soldado, cuja única obrigação e dever na vida, seria matar demônios.
Mas para o garoto aquilo não fazia o menor sentido, matar apenas por que lhe foi ordenado, por outros anjos que sequer sabem a razão de estarem fazendo oque fazem. Séculos de obediência pura e cega, aquilo o irritava, fazendo com que muitas vezes fugisse de seus treinos para ficar sozinho.
Sentia como se ali não fosse seu lugar, aqueles anjos pareciam apenas cópias uns dos outros, versões iguais da mesma coisa, apenas com nomes diferentes. Ele gostava de treinar, se sentir forte, praticar seus poderes angelicais, mas não como lhe era mandado, e sim como ele bem entendesse.
Usar sua força e habilidade para o que ele julgasse necessário. Aquele pequeno anjo cresceu, tornando se um dos homens mais fortes do Reino celestial, mesmo tendo apenas 17 anos, seus poderes já ultrapassavam os de seus superiores, apesar de ainda estar aprendendo a controla-los.
Seus fios loiros cresceram de forma espetada e bagunçada, ficando ainda mais volumosos pelo garoto não se importar em arruma-los, misturando-se a sua auréola dourada. Sua pele agora já não era mais tão pálida e sim num tom bronzeado devido aos seus treinos durante o sol, o que dava um grande destaque a suas enormes asas brancas.
O temperamento do loiro irritava os mais velhos, o considerando um rebelde em potencial, a quem deveriam ficar de olho. Com os anos, Peter desenvolveu meios de distrair seus superiores para fugir de seus treinos.
A grande muralha erguida por seus antepassados em conjunto com os inimigos era tão alta, mais tão alta, que nenhum anjo ou demônio era capaz de cruza-la, mas mesmo assim, Peter tentava fazê-lo todos os dias, como forma de treinar e desafiar a si mesmo, mas também por pura birra.
Sua curiosidade sobre o mundo atrás da muralha era gigantesca, assim como sua sede por desafios. E após muitas tentativas, conseguindo ir um pouquinho mais alto a cada dia, o loiro conseguiu chegar até uma árvore estranha, que ele nunca havia visto no Reino celestial, repleta de pequenas flores cor de rosa. E ali se tornou seu refúgio, ninguém nunca o acharia ali.Passava horas deitado em um dos galhos da árvore, apenas observando o Céu e imaginando como seria seu futuro. Afinal, logo mais faria 18 anos, sua iniciação não era uma escolha, ele não poderia fugir para sempre, mais cedo ou maitarde, ele lutaria na linha de frente, assim como os outros anjos treinando lá em baixo.

Do outro lado da muralha, uma jovem demônio cresceu forte e saudável. Bella era diferente de seu povo, porém muito querida pela sua extrema doçura e gentileza, apesar do grande potencial que seus poderes demoníacos lhe proporcionavam, ela sequer os usava, não vendo necessidade.
Seus cabelos era curtos, ultrapassando apenas um pouco da altura de seus ombros, seus chifres não eram tão grandes, sendo então proporcionais a sua altura, assim como suas belas asas negras, que quase se arrastavam pelo chão.
A garota costumava ajudar a todos pela cidade, mesmo sendo julgada por muitos como "ingênua", Bella lutaria por seu povo se fosse preciso, o fato de não usar seus poderes não significa que ela não os treinava, e os usaria sem pensar duas vezes caso julgasse necessário.
Porém, em algum dia, não lembra ao certo quando, em meio a suas andanças para clarear as ideias pelo Reino, Bella achou uma grande árvore, ao topo de uma montanha, era afastada da cidade, e com certeza, seu povo não tinha conhecimento da mesma.
Sem pensar duas vezes, a escalou, e sem que percebesse, ficou ali até que a noite caísse, observando o por do sol tornar-se um lindo céu estrelado, sentia-se calma naquele lugar, muito mais do que em qualquer outro local lá em baixo, apesar de amar seu povo, sentia como se não pertencesse aquele lugar, e a partir dali, aquela árvore se tornou seu lugar preferido.
Em um dia como outro qualquer, Bella foi mais cedo para a árvore, deitando apoiada em em dos galhos mais grossos, e sem perceber, acabou pegando no sono enquanto observava as nuvens.
Peter estava novamente fugindo de um dos seus superiores, o driblando com facilidade enquanto batia suas asas em direção a árvore cor de rosa onde ia todos os dias para escapar de seu mundo, mas dessa vez, algo o surpreendeu tanto, que as asas do loiro fraquejaram, quase o fazendo despencar dos céus. Havia uma garota lá, e a julgar pelos chifres e pelas asas, não restavam dúvidas, era demônio. No mesmo instante pensou em descer e alertar as autoridades celestiais sobre a garota, mas algo em seu interior o impediu que fizesse, fazendo-o virar novamente para encarar a garota adormecida a sua frente.
Ela parecia tão frágil e vulnerável, não aparentava perigo, sabia que havia grande possibilidade de estar sendo ingênuo, mas resolveu dar a ela o benefício da dúvida.
Enquanto alternava entre olhar para ela e para baixo onde se encontrava seu povo, a pequena demônio despertava de seu sono ao se sentir observada, arregalando os olhos em pavor assim que avistou a figura de áurea brilhante a sua frente, sem dúvida alguma, era um anjo.

- Quem é você? Como chegou aqui? -

A garota não foi capaz de responder, estando apavorada demais para fazê-lo, seu corpo nitidamente trêmulo era a mais pura prova disso.
Notando o nervosismo de Bella, Peter resolveu suavizar sua postura de forma menos intimidadora, se aproximando da mesma com cautela e se sentando próximo a ela. Sabia que seu dever era mata-la sem nem pensar sobre, mas algo em sua intuição, dizia que não era necessário, muito pelo contrário.

- Eu não pretendo te machucar ok? Acredite, estou tão surpreso e assustado quanto você. Mas preciso que me ajude a te ajudar, ou nós dois acabaremos mortos -

Bella sentia verdade nele, diferente do que as lendas retratavam, ele não parecia perigoso, sentia que ele estava falando a verdade, não iria machuca-la, e mesmo indo contra tudo que lhe foi ensinado durante toda sua vida, ela resolveu confiar nele

  • Qual o seu nome?

  • Bella...

O loiro sorriu ao ouvir a voz dela, feliz por ter conseguido um mínimo de avanço.

- Certo Bella, sou Peter

Ele era tão brilhante, que ela quase podia se sentir ofuscada perto dele, era lindo, definitivamente, nunca havia visto ninguém assim. Porém, a visão de seus olhos vermelhos trouxeram ao seu coração o medo das lendas que lhes foram contadas quando criança, a fazendo esconder seu rosto como proteção. Ela diz:

- Por favor, por favor não me queime

O sorriso de Peter se desfez, dando lugar a uma expressão confusa, pendendo a cabeça para o lado enquanto tentava ver novamente o rosto dela, ela era diferente de qualquer coisa que já tivesse imaginado, e sem dúvidas, era muito mais bonita também.

  • Queimar?

  • Seus olhos, eu sei o que eles fazem

  • Meus olhos? O que? -

  • Os antigos nos ensinaram, os olhos vermelhos de um anjo são capazes de queimar demônios até as cinzas, sendo mais forte a medida em que a cor for mais viva...

A expressão de Peter foi de confuso para "que porra é essa?" a medida em que aquela garota falava, pensando se alguma vez, já havia visto algum de seus companheiros soltar fogo pelos olhos.

  • Eu sinto muito te desapontar mas... Isso não é verdade

  • Como não? O meu pai sempre disse que...

Ao levantar seu rosto para questiona-lo sobre, parou rapidamente ao ver o quão próximo o loiro estava da mesma, a olhando como se analisasse todas as suas características, deixando seu rosto assim, completamente vermelho, e todo o seu corpo paralisado.

- Então vocês tem mesmo chifres... Isso é fascinante -

O garoto se afastou sorrindo para ela novamente que continuava petrificada pela aproximação, a beleza dele era extremamente radiante, sem dúvidas, caso se aproximasse demais, poderia queima-la, ou no mínimo cega-la, pelo menos era assim que se sentia.
Peter tinha muitas perguntas que sempre sonhou em fazer, mas o som das trombetas anunciava a hora de seu retorno, assustando Bella ao ouvi-las pela primeira vez de forma tão alta.

- Eu tenho que ir... Mas não se preocupe, não vou contar a ninguém sobre você.

Enquanto se levantava pronto para saltar de volta ao seu reino, Peter olhou para a garota de forma tímida uma última vez, para lhe fazer um pedido.

- Podemos... nós ver amanhã de novo?

A pergunta pegou ela de surpresa, que não foi capaz de responder de imediato. Mas mesmo assim o loiro lhe sorriu de forma gentil, se virando novamente para ir embora, porém sendo parado ao ouvir a voz da menina agora atrás de si.

- Eu também... não vou contar nada...

A feição de surpresa do loiro logo deu lugar a um largo sorriso, encantando a garota que o observava se jogar para baixo, sumindo de sua visão por entre as nuvens.

- Até mais Bella

A garota se jogou para trás apoiada em um dos galhos da árvore, suspirando como se a muito tempo não pudesse respirar direito, ele literalmente lhe tirou o fôlego, mas não de uma forma ruim, um sorriso gentil e curioso se formou em seu rosto, ao lembrar da figura angelical que havia conhecido, enquanto observava a noite cair.

- Um anjo...

E foi assim, analisando a figura do loiro em sua mente, enquanto observava a estrelas durante mais uma noite, que Bella deixou que o sono a tomasse.
O dia seguinte foi um pouco diferente dos demais, Peter tinha treino de espadas e magia, sendo umas das poucas a qual ele não faltava, por serem de seu interesse.
Após algum tempo, correu o mais rápido que pode, batendo suas asas para cima, em direção à árvore, torcendo para que tudo não tivesse sido apenas o delírio de um anjo inconformado com a própria vida e ela estivesse lá novamente.
Mas só o que encontrou, foi a árvore de sempre, vazia. Enquanto o vento balançava seus fios loiros, os olhos esperançosos e o sorriso largo que tinha iam desaparecendo, enquanto começava a encarar seus próprios pés.
Sentou em um dos galhos mais grossos da árvore se apoiando em seu tronco enquanto observava passaros voando por entre as nuvens.

- Será que ela só não veio ou foi tudo um sonho...

- Falando de mim?

Os olhos do garoto se arregalaram de imediato, virando-se de forma brusca procurando desesperadamente pela visão da garota do dia anterior, e tamanho foi o seu sorriso quando a encontrou

- Você veio mesmo

- Desculpe o atraso... eu...

- Tudo bem, fico feliz por ter vindo, imagino que não foi nada fácil confiar em mim

- Acredito que o mesmo serve pra você não é...

- Sim...

Um clima tenso e pesado começava a se alastrar pelo lugar, até que Peter se sentou novamente, pedindo para que ela fizesse o mesmo, tentando iniciar uma conversa.

- Eu não achei que vocês tivessem chifres de verdade

- Acha eles estranhos?

- Não não, são bem legais na verdade. Bem mais do que essa auréola

-Eu achei bem fofa

Enquanto tocava em sua auréola, os olhos dele se arregalaram e suas bochechas começaram a esquentar ao ouvir o comentário. Nunca na vida, alguém havia usado o adjetivo "fofo" para se dirigir a algo relacionado a ele.
Notando a reação do menino, Bella se afobou um pouco, com medo de ter falado algo errado ou tê-lo ofendido de alguma forma.

- Me desculpe eu... eu não quis ofender... eu...

- Não, é só... Nada, esquece.

O garoto deu um sorriso nervoso enquanto estragava a parte de trás de sua nuca, na intenção de descontrair e mudar o assunto, mas a própria Bella o fez primeiro.

- Você... você não... se transforma em passaro?

Na mesma hora Bakugou parou de sorrir, olhando para a garota de forma confusa com uma expressão de "oque te falaram sobre mim"

- Nas lendas demoníacas, os anjos são retratados como grandes pássaros brancos, com garras enormes capazes de cortar um demônio ao meio sem sequer encostar na sua pele, e logo em seguida, queimando-o até a morte

Peter tinha os olhos arregalados em pavor enquanto a garota lhe contava o que aprendeu desde que criança. Se as lendas demoníacas estavam os retratando de maneira tão errônea como essa, as histórias celestiais poderiam estar erradas tanto quanto, talvez até mais.

- Foi por isso que se escondeu quando me viu mais de perto?

A garota abraçou as próprias pernas, trazendo-as mais para perto de si na intenção de se esconder, acenando que sim timidamente em resposta a pergunta do garoto.

- Bom, comigo não foi diferente. Sendo bem sincero, por um segundo, eu cogitei te entregar assim que te vi aqui, meu dever, o que me foi ensinado desde novo, é matar qualquer demonio, sem nunca ouvir ou exitar...

- E por que não o fez?

- Eu não sei... É o que espero que me ajude a descobrir

O garoto então lhe ofereceu o sorriso mais gentil que ela já havia visto em sua vida, o brilho em seus olhos era notável, e luz natural que ele emanava era quase que como um imã, a puxando para mais perto, talvez fosse uma armadilha? Sim, mas mesmo ciente disso, ela estava disposta a cair.

Os dias foram se passando, e a dupla se encontrava no topo da grande árvore cor de rosa todos os dias, nos mesmos horários. Aos poucos, o medo já não era mais sentido na presença um do outro, e uma amizade foi aflorando em seus corações.
Bella contava a ele sobre sua cultura, costumes, lendas e esclarecia as dúvidas e divergências que se formavam na cabeça dele a cada nova informação, que por sua vez, fazia o mesmo.
Com o passar do tempo, Peter começou a mostrar para ela um pouco de como era o seu poder, se concentrando com os olhos fechados e fazendo várias das pétalas rosas na árvore se desprenderem, e circularem em conjunto a uma espécie de brilhos brancos e dourados ao redor da garota, que tentava acompanhar os movimentos completamente encantada.

- Peter, isso é tão lindo

- Tudo oque aprendi foi voltado pra batalha, desculpa não poder mostrar mais

Bella apenas acenou com um sorriso enquanto ainda olhava maravilhada para as pétalas que aos poucos e com delicadeza, voltavam ao lugar de onde haviam saído.
A garota por sua vez então, pegou alguns galhos pequenos e soltos pela árvore, fazendo com que uma fumaça roxa e preta saísse de seus dedos, unindo os pequeno gravetos e os transformando em um boneco, que a mesma era capaz de controlar com os dedos.

- Uma marionete sua

- Será que era essa manipulação que seus ancestrais falavam?

- Bom, se for, acho que sei do que os seus falavam sobre os pássaros e o fogo

A garota o olhava confusa enquanto o mesmo se levantava e ia até a ponta de um dos galhos mais altos da árvore, abrindo suas enormes asas brancas e decolando para cima. A garota o observava com fascínio e total atenção.
Era capaz de compreender a simbologia do passaro devido as enormes asas angelicais, mas e o fogo? Suas dúvidas logo foram sanadas quando Bakugou fechou suas asas de forma a imitar um escudo em sua frente, deixando suas asas em chamas e as abrindo de forma bruta, lançando assim várias penas em chamas par todos os lados, sendo as mesmas, mais afiadas que qualquer lâmina.
Porém com total cuidado para que nenhuma atingisse a castanha, que o olhava cada vez mais fascinada

- Isso foi tão...

- Perigoso? Desculpa se eu... eu realmente não queria...

- INCRÍVEL

Peter apesar de surpreso, logo deu risada da reação da garota, sem duvidas, ela era especial.
A aproximação da dupla só crescia cada vez mais com o passar dos dias, e aos poucos, a amizade e confiança que havia sido conquistada por ambos, se transformava em algo mais.

Quando estavam juntos, era como se a realidade não existisse, a muralha, seus povos, as brigas, tudo. Ao invés de ódio genuíno, o que começava a crescer a cada segundo que passavam juntos, era o mais delicado e puro amor.
Em então, no descansar do sol, Peter e Bella finalmente encerraram o espaço que ainda os separava, tornando-se um, através do mais puro beijo.
Nesse momento, uma rachadura na muralha foi criada, mesmo que pouco visível. O jovem casal continuava a se encontrar todos os dias, as vezes, adormecendo juntos enquanto olhavam as estrelas, mas os superiores de Peter, começaram a suspeitar de algo.
Não reparando estar sendo analisado por algumas semanas, sem que desse conta, em um dia de sol que deveria ter sido como outro qualquer, ele foi seguido até a árvore, onde sua amada já se encontrava esperando pelo mesmo.
O garoto como sempre fazia, lhe ofereceu o sorriso mais carinhoso e amoroso que podia, mas os olhos de tremendo horror que a garota estava lhe mostrando em retorno, o deixou confuso, porém antes de conseguir olhar para trás sentir algo atravessar seu abdômen.
Não se importando consigo mesma, Bella se via incapaz de tirar os olhos de onde o loiro se encontrava, o mesmo que por sua vez fazia o mesmo, pronunciando sem voz, o que pareciam ser suas últimas palavras.

- Eu amo você minha Bella...

E foi nesse momento, como num estalo, que Bella sentiu seus poderes que ela sempre reprimiu explodirem.

- Peter...

O soldado que estava próximo a ela foi jogado para longe, assim como o que estava a frente do corpo dele. Uma grande névoa negra começou a se espalhar ao redor da garota, enquanto sua pupila se expandia, deixando seus olhos completamente pretos.
A explosão foi tamanha, que logo ambas as civilizações já se encontravam reunidas, cada uma em seu respectivo lado da muralha, apenas observando a grande quantidade de energia obscura sendo emanada do topo da árvore.
Bella se levantou, abrindo suas grandes asas negras e voando até o solo, pousando no terreno dos anjos, que apesar de já armados e alinhados, deram passos para trás, receosos de medo.
Um dos soldados havia levado Peter ferido consigo ao ser arremessado do topo da árvore, na intenção de assim, ter alguma influência sob a garota, que sem pensar muito em suas ações, sendo guiada apenas pelo ódio, usou da abertura criada anteriormente, derrubando a muralha atrás de si, fazendo com que seu povo se alinhase atrás dela. Definitivamente, a "paz" havia acabado.

- Devolva ele pra mim, eu não vou falar duas vezes

Ela exigiu Peter de volta, que já estava muito fraco devido a todo o sangue que havia perdido, com ódio no olhar, o soldado que o segurava aproximou a lâmina de sua espada da garganta do loiro, fazendo um corte superficial, porém deixando mais sangue sair.

- Você o quer demônio? Venha pegar

A guerra foi então instaurada, anjos e demônios lutavam novamente uns contra os outros, seu povo tentava ganhar tempo enquanto Bella corria em direção à seu amado, mas o vislumbre dos olhos vermelhos dele ficando opacos a medida em que suas pernas já não eram mais capazes de aguentar seu peso.
Em conjunto com as milhares de pessoas que conhecia desde criança machucadas e mortas ao seu redor, rendeu mais um estalo na garota, que por sua vez, caiu de joelhos no chão aos berros, enquanto segurava a própria cabeça, na intenção de manter controle, mas foi em vão.
A garota então abriu os braços, lançando aos céus todo o poder que havia em seu corpo, separando novamente as civilizações de forma bruta, demônios e anjos foram arremessados para lados opostos sem que conseguissem se aproximar novamente uns dos outros.
A muralha anterior havia sido erguida em conjunto por diversos anjos e demônios anciãos, o que a garota planejava fazer sozinha. Sangue já era visto saindo de seus olhos negros, seus ouvidos, nariz e boca.
Aos poucos, sua força ia diminuindo, até que caísse quase inconsciente ao chão, deixando a barreira pela metade. Assim que seu corpo encontrou o solo, seus olhos procuraram o loiro que agora a olhava de forma desesperada ainda presoe segurado por seus companheiros.
Bella então lhe ofereceu um sorriso doce e amoroso, porém fraco, enquanto via diversos soldados celestiais se dirigindo em sua direção.

- Eu também amo você meu Peter...

Antes que percebesse, cinco soldados já estavam próximos de si, cravando em união suas espadas no abdômen e coração da pequena demônio, que morreu de imediato, ouvindo ao fundo os berros desesperados de Peter, até que apenas o vazio tomou conta de si, e ela se foi.

Nesse instante, o céu se fechou, trovões e raios podiam ser vistos e ouvidos por qualquer lugar, um acertando em cheio os cinco soldados que mataram ela, o que assustou aos demônios também.

Sem que notasse, o soldado que ainda segurava Peter começou a entrar em combustão espontânea, não demorou até que seu corpo explodisse, fazendo com que seu sangue fosse jorrado em seus companheiros mais próximos.
A áurea angelical que Peter possuía, aos poucos foi desaparecendo, sua auréola de desfez como pó, e suas asas ficaram escuras, assim como suas roupas, dando ainda mais destaque para o vermelho sangue cada vez mais vivo de seus olhos. Ele havia caído.

- Vocês matam por matar, fingem que são a raça mais pura, imaculada e certa que existe, e tudo que está fora do que querem é errado...

Os soldados apenas se armaram alinhados a frente dele em posição de ataque, que por sua vez, apenas riu.

- Vocês tiraram tudo que eu tinha, tudo por causa desse preconceito cego...

Caminhou a passos curtos em direção ao corpo sem vida de Bella, matando a todos que ousavam se aproximar apenas com um estalar de dedos. Pegou o pequeno corpo da garota em seu colo e se dirigiu até onde estavam os demônios.

Que por sua vez se ajoelharam ao vê-lo se aproximar. E desde aquele dia, Peter vagou pelo mundo, sem rumo e sem objetivo. Após a morte do amor de sua vida, todos os dias, uma flor da árvore cor de rosa caia ao chão. E durante uma noite qualquer, enquanto Peter observava o nascer da lua entre as nuvens, ele fechou seus olhos pela última vez.
Sendo finalmente buscado pela sua amada com um sorriso enorme no rosto, ele sorria ao mesmo tempo em que lágrimas escorriam por seu rosto, a abraçando com força, que por sua vez, retribuiu o carinho de imediato.

- Eu estava te esperando sabia?

- Desculpe a demora, eu nunca mais vou ficar longe de você -

E foi assim, com um último beijo celado por um amor que mudou a história, que o casal finalmente partiu desse mundo, juntos, ao cair da última pétala rosa.Após suas mortes, ambos os reinos selaram um acordo de paz, reconhecendo o sacrificio de ambos para unir suas nações. Desde entao a arvore virou um simbolo da maneira que o amor é capaz de atravessar qualquer preconceito, selando o destino de suas almas, eles finalmente descançam em paz, juntos.

Fim

21 de agosto de 2026

Thoughts

  • RafaS22

    Isso.

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  • li_no_busao

    😭

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  • paginadobrada

    A gente conta essas histórias e elas ficam em cima da mesa de quem tá ouvindo. Essa aqui ficou comigo o dia inteiro todo.

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  • tmoreira93

    Li isso de pé na sala de um cliente esperando ele abrir a janela pro ar. Quando Peter ficou demônio eu tive que me sentar ali no chão mesmo.

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  • meioCapitulo

    Comecei no ônibus, perdi no meio (óbvio), voltei no pet shop e terminou enquanto eu alimentava os peixe. Quando mataram ela eu pedi pro Renato cuidar da loja.

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  • paginadobrada

    Contei o final pra minha cliente enquanto escovava o cabelo. Ela perguntou se eu tinha chorado. Eu escapei pra trás e peguei lenço pra secar.

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  • li_no_busao

    Aquela coisa da árvore rosa que não era de nenhum lado, tipo um lugar só deles... eu acho que a gente precisa de uma árvore desse tamanho.

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  • oitoemponto

    Comecei a ler de tarde e só consegui parar depois que morreram os dois. Perdi meu horário de sono de uma vez só e foi de propósito.

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  • sofadasala

    Meu cachorro acordou quando eles caíram juntos. Peguei de novo pra saber se realmente morreram abraçados, tipo assim.

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  • deixoumarca

    Aquele peso no peito de Peter sabendo que devia matar mas não conseguindo, tipo um conflito que ele carrega o tempo todo. Reconheço.

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