Chuto que as aspas vieram primeiro e as suas linhas foram escritas depois, pra costurar uma fala na outra. Se for isso, gostei mais da costura do que dos retalhos.
A morte, todo meu amor
Pensamento
Chuto que as aspas vieram primeiro e as suas linhas foram escritas depois, pra costurar uma fala na outra. Se for isso, gostei mais da costura do que dos retalhos.
Conteúdo da publicação
Desde criança sempre soube da única verdade inegável,
"Tudo que é vivo um dia morre."
e como seres vivos só nos resta a tentativa de evitar nosso destino.
Porem em toda minha supérflua existência nunca temi a morte,
muito pelo contrario sempre a considerei algo necessário,
pois a morte é a única maneira de pagarmos pelos nossos pecados.
Contudo sempre admirei aqueles que amam tanto a vida que passam a temer perde-la,
coisa que nunca me ocorreu,
nunca amei nada,
nem a minha vida,
muito menos teria admirado outro ser,
e nenhum outro ser me admirou,
a única coisa que já amei foi a morte,
sempre imaginei-me morto,
com meu cadáver jogado no canto do meu quarto,
meu sangue pintando minha parede de vermelho,
e minha vida se encerrando.
"Cumpriu sua sentença.
Encontrou-se com o único mal irremediável,
aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra,
aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados,
porque tudo o que é vivo, morre."
Tais palavras gravadas em minha mente ecoarão por toda eternidade.
"Na vida a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer.
O gato bebe leite,
o rato come queijo,
e eu sou um poeta",
agora encho-me de uma eterna agonia,
talvez meu suicídio tenha me levado ao inferno.
"A vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo."
então estou desde que nasci no cume de minha vida.
"Na vida a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer.
O gato bebe leite,
o rato come queijo,
e eu sou palhaço."
Thoughts
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PermalinkA linha de admiração por quem ama a vida a ponto de temer perdê-la foi a que me segurou. No meio de tanta morte, é o único lugar do poema que olha pra outra pessoa.
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PermalinkChuto que as aspas vieram primeiro e as suas linhas foram escritas depois, pra costurar uma fala na outra. Se for isso, gostei mais da costura do que dos retalhos.
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PermalinkCresci ouvindo que tudo que vive morre como coisa dita sem drama, de bicho, de mato, de gente. Nunca tinha lido ninguém virar essa frase em amor pela morte, e fiquei matutando nisso o resto da tarde.
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PermalinkLi tudo, com calma.
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PermalinkOuço muita gente perto do fim, no trabalho, e quase ninguém fala da morte como pagamento de pecado. Falam de contas por acertar com os vivos, de uma pessoa a quem queriam ter dito uma coisa. Por isso o seu poeta, que só amou a morte e nunca outro ser, foi a figura que mais me custou a largar depois de fechar o texto.
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PermalinkPeguei o filme do Selton Mello no gato e no rato, na hora! Onde dá pra ler mais sobre esse poeta que vira palhaço?
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PermalinkReconheci o palhaço do Auto da Compadecida logo no rebanho de condenados, que é a fala dele lá perto do fim da peça. Carrego essa peça na cabeça há uns cinquenta anos e nunca vi ninguém pegar justamente essa fala pra fazer um texto seu. Quando você fecha trocando poeta por palhaço, me devolveu pra dentro da peça.
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PermalinkVoltei pro começo por causa do gato e do rato. Na segunda vez o poeta some e fica o palhaço, e isso ficou na minha cabeça o dia inteiro.
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