A DOR
É mentira.
Quem diria,
uma garotinha molestada
poderia ser estuprada,
mas teve livramento.
Não tinha pai,
nasceu só com a mãe,
mas teve carinho.
Nem foi amorosa,
festas
ou alguém linda,
mas ela nasceu
desfigurada,
sem beleza.
Preciso
me apaixonar.
2016,
amor à primeira vista,
ser rejeitada,
ser humilhada
por beijo,
por asno lubrificado
do prazer.
Mas 2015 ela morreu.
Quando desfalqueceu,
perdeu a alegria na vida.
Não fala nada
do que sentia.
Apenas não queria pensar.
Só chorar,
porque a droga foi colocada
no meu coração
sobre amor.
Pensei que alegria veria,
não veio.
Tive que fugir para não morrer.
Fui para cidade famosa.
Voltei ao hospício,
quase manicômio,
para entender:
minha ferida é mentira.
Minha dor,
minha dor
que sinto,
só eu sinto.
Feridas são parecidas.
Minha dor, minha dor,
ninguém me tira.
Se vivo no engano,
na mentira,
por que preciso ficar
na sua opinião
sobre o que sinto
ou o que meu coração
dá sinal de perigo?
Por que devo falar
ou calar?
Então, aí, nascer
real sentindo,
está viva
ou sozinha,
para dizer:
tenho medo
de amar, ser amada
e tentar ser feliz
um dia.
A certeza
que missão longa,
caminhada,
muitos cacos
para juntar,
para saber o real
sentindo
de ser humano.
Resposta e pergunta
sobre o que teu coração
busca entender.
Sou a mentira,
mas sou vítima
da dor.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho