O Narciso desenhando o gráfico do namoro, ápice e depois ladeira abaixo. Todo gráfico desses fica óbvio só depois da queda, tchê.
39º Capítulo/OS MISTÉRIOS DO ACASO / SENTIMENTOS …
39º Capítulo
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O Narciso desenhando o gráfico do namoro, ápice e depois ladeira abaixo. Todo gráfico desses fica óbvio só depois da queda, tchê.
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39º Capítulo
SENTIMENTOS …
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É difícil acreditar, mas, depois de desvendar o suposto mistério da Helena, o fim de um lindo romance que parecia que nunca ia acabar estava lamentavelmente chegando à míngua. Aquele poeta cheio de sonhos e desejos aprendeu a não perder a postura e a se comportar com maturidade diante de momentos complexos que não dependiam só dele.
Mesmo assim, o Poeta vai tentar de todas as formas convencê-la a ficar com ele. Ela vai insistir com o seu mantra do “não pode” — porém, o que Helena não sabia era que a sua rotina já tinha sido desvendada pelo Narciso; ele sabia de tudo. E tudo o que ele sabia não foi o suficiente para apagar o amor que sentia por ela.
Neste capítulo, o Poeta vai expor uma coragem literária com uma honestidade brutal. Em estado hipnótico, ele trará a ressaca da separação — aquele momento em que o homem, recolhido em sua dignidade, começa a desenhar o gráfico do relacionamento para tentar entender onde a curva mudou de direção.
O que torna essa história tão humana e pulsante é o contraste entre a crueza da análise racional e a vivacidade da memória carnal. Isto é um grande dilema para Narciso, mas ele já tem a sua decisão.
O Poeta não esconde a falta que sente da completa intimidade, da eletricidade na cama, das leituras em braille e das confissões sussurradas no ouvido — o que torna a fossinha (tristeza) dele real, e não uma mera pose platônica. Ao mesmo tempo, ele reconhece que se fez de cego por amor, aceitando o desgaste até que a mágoa ocupasse o espaço dos seus limites. Não vendo outro caminho, a intenção é terminar desejando "muito sucesso": é um dos ataques mais benfazejos de empatia e amor.
Porém, é extremamente difícil de acreditar e digerir, mas o fim está muito mais próximo do que Narciso acredita. O que era um lindo romance que parecia que nunca ia acabar estava minguando, desidratando diante dos olhos dos amantes. Motivos para isso tinha de sobra.
Diante desse cenário de estar no olho do furacão, aquele poeta cheio de sonhos grandiosos, metas literárias e desejos profundos aprendeu, a duras penas, a seguir em frente. Ele forçou-se a se comportar com extrema maturidade diante daquela situação tão dolorosa; vê-se que a engrenagem do destino já não dependia mais apenas do seu querer ou de suas atitudes isoladas.
Narciso começou a sentir o peso do silêncio em seu peito e ficou profundamente entristecido com o curso melancólico que, novamente, sua vida pessoal teve que levar. Foi um baque um tanto quanto grande, um soco direto no estômago de suas ilusões, pois até bem pouco tempo tudo parecia sólido, parecia que não ia ter fim, que jamais acabaria. Na verdade, a rotina deles era sinônimo de pura alegria, cumplicidade e felicidade partilhada; contudo, em um piscar de olhos, tudo se foi, dispersando-se no espaço como poeira fina carregada pelo vento forte.
Do outro lado do balcão, Helena Dolly mantinha-se em uma postura rigidamente imparcial, mostrando-se às vezes fria e completamente indiferente aos olhares dele. Narciso sabia, em seu íntimo, que ela não fazia aquilo por pura maldade ou de propósito, pois as intenções dela sempre foram muito explícitas e claras: ela nunca teve o objetivo deliberado de maltratar ou magoar o Poeta com o seu comportamento arredio e seus mistérios. Era apenas o jeito dela erguer muros defensivos quando as coisas complicavam.
Enfim, como sempre acontecia nos dias de solidão, em uma dessas noites longas e insones, Narciso estava um tanto pensativo, mas plenamente consciente dos fatos e da realidade.
Olhando para o teto, ele indagava o seu próprio pensamento em um sussurro solitário:
— Por quê? Mas, meu Deus, por quê? Como pôde terminar assim, se foi um romance legítimo que rolou na base de tantos sentimentos puros e de tanta entrega mútua?
No fundo, ele sabia que correr sem direção não faria nenhum sentido para sua vida. Na verdade, naquele exato momento do término, Narciso sentia-se exatamente como um barco com as velas rasgadas, à deriva em um oceano escuro.
Mas, apesar do lamento, para ele valeu muito a pena cada segundo. Foi uma experiência existencial e amorosa tão linda que ele não se cansa de contar para si mesmo, de falar em seus rascunhos e de pensar na figura daquela musa altiva. Helena marcou o seu coração.
Falar dela, para ele, era como evocar uma pessoa muito próxima, alguém que ainda compartilha o mesmo oxigênio. Para quem olha de fora, pode até parecer um exagero sentimental de escritor, mas o que ele vivenciou e experimentou ao lado daquela mulher foi, de fato, algo sublime — um sonho realizado desde o primeiro dia em que ele a avistou chegando no escritório até aquela quinta-feira fria.
E tudo na história deles foi seguindo uma forma sutil, desenhando-se por etapas muito claras, quase como a precisão de um gráfico estatístico. Aos poucos, a relação foi evoluindo, ganhando corpo e tração, atingiu a sua linha crescente onde alcançou o ápice, o seu ponto máximo de fulgor e ebulição.
No entanto, a física dos sentimentos é implacável: logo após essa fase áurea, Helena começou a dar os indícios de instabilidade, provocando o declínio da linha do gráfico. Dali foi ladeira abaixo, até estacionar na incômoda fase do desgaste mútuo, do desânimo cotidiano e, finalmente, na derrocada completa daquele conto de fadas tupiniquim.
Após atingir essa clara percepção, ao encaixar friamente os fatos passados com as desculpas recentes, deu para notar e suspeitar que Helena, em algum nível, brincou com os sentimentos de Narciso. Pode até ser que não tenha sido por mal, que tenha sido apenas imaturidade da parte dela, mas os indícios fortes e os sinais deixados pelo caminho levaram o Poeta a crer que sim.
Afinal, a insensibilidade repentina e a frieza cortante passaram a ser ferramentas cotidianas que Helena demonstrava sem esboçar o menor sinal de remorso ou culpa. Mas, por mais que a razão mandasse ele se afastar, havia algo magnético e misterioso nela que o prendia de tal forma que ele parecia estar sob o efeito de um feitiço. E uma dessas amarras poderosas era, sem dúvida, a forma única e transcendental como ela fazia amor.
Aquela criatura que no dia a dia parecia uma moça doce e meiga, em cima da cama transformava-se por inteiro para servir e se entregar a Narciso. A cada noite em que os corpos se encontravam, nem precisava dizer muita coisa: era uma loucura carnal. Helena na cama parecia levitar de tanto prazer; ela virava um sorvete delicioso derretendo-se sob os toques do Poeta.
Bem articulada, suas técnicas faziam a diferença. Ao executar um excepcional e hipnotizante pompoarismo, com seus lábios macios, pele extremamente suave e perfumada, ela delirava em alto tom, como se estivesse ardendo viva em chamas de pura luxúria e paixão.
OS AGRADECIMENTOS PELO MOMENTO
Andando em paralelo a esse delírio, a forma generosa e grata com que ela agradecia ao final de cada ato selava o momento com um beijo suculento, molhado e demorado, que sempre foi uma de suas marcas registradas mais profundas.
Foi, de fato, uma situação de dependência que Narciso aceitou viver e quis pagar o preço; ele se fez de cego pela força da paixão avassaladora, mas, lá no fundinho da alma, guardava a esperança romântica de que aquele amor, em algum momento favorável, ia decolar e virar, quem sabe, um casamento de verdade.
Infelizmente a semente não vingou na terra seca.
Por outro lado, se alguém disser que para Helena tudo aquilo que rolou foi apenas como uma doce, intensa e louca paixão de verão, talvez seja uma definição interessante e honesta. Principalmente se o leitor lembrar de quando ela confessou, entre os lençois, que Narciso tinha sido o primeiro pretinho a fazer amor com ela daquela forma tão profunda, chamando-o repetidamente de "meu gatão preto e gostoso" em sussurros calientes ao pé do ouvido.
Aquilo foi, sem dúvida, algo extremamente lisonjeiro e marcante para a afirmação máscula e o desejo do escritor.
De certo, a única certeza lapidada que ficou gravada na pedra do tempo é a de que nem tudo na vida acontece do jeito exato que as pessoas querem ou planejam.
É exatamente aí, nessa fresta entre o desejo e a realidade, que entram os sentimentos maduros, fazendo parte da percepção e do crescimento do ser humano.
O sentimento, afinal, é a expressão mais pura da realidade interna de cada indivíduo, o lugar sagrado onde está fundido um leque imenso de reações e emoções divididas entre forças positivas e negativas. E Narciso externava todo esse vulcão de sentimentos em um recíproco, voraz e selvagem carinho com a sua amada Helena.
Na verdade, aquele romance foi o apogeu de uma inflamabilidade tão grandiosa que a menor faisquinha só de olhar já era o suficiente para incendiar aquele amor em segundos, fazendo com que ambos jurassem que dariam a própria vida para que aquela chama nunca se apagasse. Mas o tempo provou o contrário.
Infelizmente apagou. E no poema intitulado “Sentimentos”, o escritor fala com total sinceridade e com clareza cirúrgica que esse amor "era" quase certo e perfeito para virar história de uma vida inteira... mas ela tinha toda a razão do mundo quando mencionou lá atrás que tudo aquilo não passava de uma louca paixão.
... SENTIMENTOS ...
_______________________________
Não tenho mais como expressar
Minhas palavras
Nem pela voz
Nem pelas prosas
Dura prova
Porque os meus sentimentos,
Parte vazaram pelo ar,
*
E toda a realidade
Vitalidade
Que em minh'alma estavam
Esgotou-se e agora tudo se acabou
Na parte que pelo ralo se foi
Nunca menti
E jamais falei em vão
*
Porque, em você Musa
Sempre depositei meu afeto e carinho
Talvez,
você não tenha entendido
E muito menos captou
Mas o cansaço
Já ocupou meu espaço
E a mágoa também
*
Tudo, são apenas detalhes passageiros
E passei por essa novamente
Sinto muito, sinto mesmo
Não tem mais jeito
Ninguém suporta
Viver assim
E agora está declarado
O fim de nós
Assim expresso
Muito sucesso ….
____________________
Ass. Narciso "O Poeta"
Ao fechar este ciclo com um desejo sincero de sucesso, Narciso prova que a poesia não serve para prender ninguém, mas para libertar a alma. A paixão pode ter escorrido pelo ralo do tempo, mas a dignidade do Poeta permanece intacta, eternizada em cada verso que Helena Dolly inspirou.
A partir desse momento, não faria mais sentido o poeta permanecer tentando conquistar a sua amada Helena. Ela não iria interromper a sua rotina e Narciso não iria querer ficar sobrando.
Mas ele almeja um último desejo — não como vingança ou sarcasmo, mas como uma despedida de corpos. Ele vai deixá-la em paz e seguir a sua vida.
ENQUETE DOS MISTÉRIOS DO ACASO:
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O que pesou mais para a derrocada final do romance de Narciso e Helena?
Vote e deixe sua análise crítica nos comentários do post:
[ Opção 1 ] A instabilidade emocional de Helena Dolly, que alternava momentos de entrega absoluta na cama com frieza total no cotidiano.
[ Opção 2 ] A falta de comunicação sincera, já que Narciso preferiu silenciar sobre suas crises e aceitar o desgaste por cansaço.
[ Opção 3 ] O próprio destino da "louca paixão", que por ser inflamável demais, estava fadada a queimar rápido e virar cinzas.
Obrigado por dedicar seu tempo às minhas palavras nesta fase de restauração da obra. Este espaço é mantido vivo pela paixão daqueles que ainda acreditam no poder da escrita autêntica, das verdades do coração e das memórias que o tempo não apaga. Considere tornar-se um assinante — na modalidade gratuita ou paga — para apoiar o Ateliê das Letras.
Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.
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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
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