Achei que o perdão traria o esquecimento, mas a verdade é que o amor não morreu, ele só mudou de forma e continua aqui, pesado, ocupando um espaço que não deveria mais ser dele. Meu maior pânico hoje é perceber que talvez eu nunca consiga ressignificar esse sentimento. E se esse amor por você for um daqueles danos permanentes? E se ele nunca virar arte, aprendizado ou maturidade, mas continuar sendo apenas isso: um entulho incômodo no meio do meu peito, me fazendo tropeçar toda vez que tento dar um passo à frente?
Tenho medo de que esse sentimento seja a minha ruína silenciosa. O medo de que, por mais que eu limpe a rotina e perdoe os meus erros, uma parte de mim tenha escolhido ficar desmoronada para sempre ao teu lado. É apavorante pensar que posso passar os próximos anos fingindo que superei, enquanto secretamente carrego a certeza de que o melhor de mim se esgotou em alguém que escolheu ir embora. Não conseguir deixar de te amar parece uma sentença crônica. Sinto que estou construindo uma vida nova sobre um terreno que a qualquer momento pode ceder, porque a fundação ainda está afogada em você.