É um sentimento muito confuso esse que tenho às vezes. Eu me pego olhando para trás e sentindo uma vontade absurda de ter tido a cabeça que eu tenho hoje lá no começo, de poder voltar no tempo sabendo o que sei agora. Penso em como eu teria feito tudo diferente. Dói pensar que eu precisei passar por tanta coisa só para aprender o básico sobre mim mesmo.
Mas, ao mesmo tempo, tropeço em uma contradição bonita e difícil. Eu sinto gratidão pelos meus próprios erros. Sei que é um clichê doloroso, mas a verdade é que eu só me tornei essa pessoa mais forte, consciente e madura de hoje porque passei por aquele inferno. Foram os meus tombos, as minhas insistências erradas e a minha própria cegueira que me ensinaram, na marra, o tamanho da minha força. Eu não teria essa clareza agora se não tivesse experimentado o escuro total lá atrás. Fico preso nesse meio termo esquisito. O desejo de abraçar a minha versão do passado e avisar o que fazer para evitar tudo, misturado com o respeito profundo por tudo o que aguentei para que eu pudesse, finalmente, aprender a me salvar.