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Storyteller

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Bruce entra no quarto e vê o seu irmão sentado na cama. Ele estava abraçado aos próprios joelhos enquanto encarava a parede velha e suja.
– Ei, cara. Você tá legal? Por que chegou tão tarde hoje?
Bryan não respondia, mas olhou nos olhos do outro quando o viu se sentar ao seu lado.
O gêmeo de cabelos curtos enxergou a melancolia por trás das lentes que disfarçavam as expressões que entregavam que algo terrível poderia ter ocorrido.
– Bryan, fala sério. Aconteceu alguma coisa?
– Não…– respondeu com a voz fraca, quase cedendo – Só o de sempre, tá tudo bem.
Ao tentar tocar o irmão, Bruce o vê se encolhendo, rapidamente, antes de voltar a normalidade, disfarçando o equívoco. Logo eles se juntam em um abraço fraternal, que há muito tempo não faziam.
– Seja lá o que estiver acontecendo, você pode contar comigo viu?
– Está bem. – concordava enquanto finalmente descansava as inseguranças no ombro daquele único raio de esperança que o mantinha de pé, pelo menos até esse ponto.
Há de ser uma pena, que não tenha durado muito. Logo foram dormir.

No dia que surgia, Bruce se organizava conforme o costume, mas não acordou o gêmeo que permaneceu na cama após o toque do despertador.
Quando as 9 horas chegaram, foi verificar se Bryan havia acordado, entrou no quarto bagunçado após o corredor estreito e viu o garoto sentado ao pé da cama, ainda de pijamas.
– Você não vai hoje?
– Não, acho que não estou muito bem. Pode ir. – Era dito ao mesmo tempo que se virava de costas para a porta.
Bruce apenas concordou, pegou a mochila e deixou o irmão, que passaria o dia em casa pela primeira vez em todo o seu terceiro ano.

Mais tarde, Bryan se encontrava no quarto apertado do fundo da lojinha de seu tio, que servia de depósito para algumas peças e onde deixavam um sofá alaranjado e rasgado junto a uma TV de tubo pequena, que servia para passar o tempo.
O loiro tentava distrair a mente, rolava entre os canais de televisão com o tédio expresso em sua face. Tudo seria melhor do que lembrar da noite passada. De vez em quando Clóvis entrava no recinto procurando alguma peça nas estantes de ferro enferrujadas.
– Essa tá na caixa vermelha.
– Ah, obrigada garoto, nunca me lembro dessas! – A animação daquele homem era sempre reconfortante.
– De nada… – e voltava a buscar conforto nos canais de televisão.
A cada canal que passava, não durava muitos minutos, a grande parte apenas mostravam novelas com cenas violentas ou sensuais demais para servirem de distrator. Quando não eram as novelas, eram as notícias, que só sabiam apresentar mais motivos para a descrença na humanidade, com crimes, mortes e abusos por todas as partes da cidade.
Ele passava o canal, violento, o próximo, igualmente ruim, o outro logo após mostrava cenas de sexo não consensual, por quê?
A gota d’água, Bryan não pôde suportar mais escândalos, muito menos os semelhantes à sua vida e aos seus problemas miseráveis. Desligou a TV e correu para fora de lá. Passou o balcão, ignorando os clientes e o tio, subiu as escadas o mais rápido que conseguia, virou a direita, quase batendo nas paredes estreitas e finalmente alcançou seu refúgio, aquele quarto bagunçado com paredes velhas e sujas. 

 Batendo a porta atrás de si, só podia ouvir sua respiração ofegante, mas parecia que ele acabara de se encurralar novamente. As memórias não vão sumir, mesmo que ele ocupe a mente com a televisão, ou com os estudos, ou com livros ou com músicas. Aquele jovem estava mesmo encurralado, entretanto, dessa vez não era por aquela figura cruel e vingativa, mas sim pelo próprio medo e pelas próprias mentiras.
Não houve demora para que desatasse a chorar. Como sempre, cobria o rosto com as mãos e os dedos por baixo dos óculos sem querer o derrubavam no chão. Acuado, isolado pela própria atitude, não queria que ninguém mais se preocupasse com sua dor. Mas ele precisava.
Servindo como peso de porta, permaneceu em posição fetal até que ouvisse a chegada do irmão, uma hora mais tarde.


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Essa é a única parte escrita que eu tenho de uma pequena história minha. Quero ouvir suas opiniões.

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Bruce entra no quarto e vê o seu irmão sentado na cama. Ele estava abraçado aos próprios joelhos enquanto encarava a parede velha e suja. – Ei, cara. Você tá legal? Por que chegou tão tarde hoje?…

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