Esse poema é um retrato profundo e emocional de alguém que carrega dores antigas, solidão, traumas familiares e um desejo intenso de acolhimento e cura.
Deixei aberto um espaço no peito,
Uma lacuna maior que o respeito.
Temia o que ele pudesse fazer,
A mesma dor, um mesmo sofrer.
Medo, raiva ou nojo, não sei explicar,
Mas de perto dele eu não quis ficar.
Fechei os olhos, deixei o tempo correr,
E aos poucos vi tudo se desfazer.
Ela falava, contava em segredo,
Histórias que me preenchiam de medo.
Será que ele fez o que fez comigo?
Ou seriam apenas ecos, um perigo antigo?
Talvez fossem só mentiras da rede,
Ou um grito dela que clama por sede.
De verdade ou de algo que não pode ter,
Entre as sombras do que escolheu viver.
E assim me afastei, sem olhar para trás,
Deixando que o tempo apagasse o que jaz.
Um espaço aberto, que nunca fechou,
Carregado de histórias que o silêncio guardou.