A CVRD de uma raquítica mineradora quase falida e desacreditada pelo próprio dono, o governo foi transformada na Gigante Logística de Minério de Ferro, por Eliezer Batista e as suas grandes equipes. Uma história de dificuldades, grandes desafios e valores de equipe, o trabalho de liderança e um viés coletivo de operários, simples e humildes que se inicia nas minas de Itabira e ao longo da EFVM - Estrada de Ferro Vitória a Minas, ganha o Brasil e o mundo com uma credibilidade marcante e um desempenho fenomenal. Esses dois atributos eram as marcas fortes da Cia Vale do Rio Doce.
POR QUE CRESCEMOS COM A CVRD
"Entre os anos os anos 50 e 60 o que mais os japoneses queriam era comprar minério de ferro, e o que a VALE mais queria, era vender minério de ferro.
Mas os americanos e europeus eram contra vender minério para o Japão. O receio era o Japão reativar o poderio bélico nipônico. Mas senti que os japoneses não tinham essa ideia; e só pensavam em recuperar o Japão, arrasado pela guerra.
Dessa forma; Vi ali uma oportunidade ímpar, mas arriscada diplomaticamente para fazer a CVRD dar um passo gigantesco de pequena mineradora para gigante mineradora, e única que teríamos para crescer, e que era o nosso intuito, e sonho. Há riscos que temos de correr, para sobrevivermos e essa era a situação.
Era um desafio gigantesco; precisávamos de um porto maior, e se tivesse o porto. Teríamos de ter navios de 100 mil toneladas acima, o maior era de 35 mil. Tendo os navios de 100 mil a operação só era viável se os navios fossem com minério de ferro e voltassem com petróleo do oriente.
Construímos o Porto de Tubarão a toque de caixa e convencemos os japoneses a investir em navios de 100 mil ton. Acertamos com a Petrobrás a logística dos navios levarem minério de ferro para o Japão e voltando com petróleo do oriente.
O Mercado Cativo do Minério de Ferro com o Japão assegurava o nosso crescimento. Isso foi extraordinário!
A Docenave empresa que criamos focada no transporte de minério de ferro cresceu ela foi uma importante empresa brasileira de navegação criada em 1962 como subsidiária da Vale. Focada no transporte marítimo de minério de ferro, a companhia chegou a ser a maior empresa de navegação de longo curso da América Latina na década de 80, antes de ter suas operações e frota próprias liquidadas na década de 2000
Inovamos a logística transoceânica e enfrentamos uma guerra internacional de interesses contrários, mas vencemos!
O crescimento da VALE nascia dessa nossa iniciativa corajosa na logística, o que não foi fácil! Nós sempre tivemos uma equipe de gente competente, corajosa, sistêmica e coletiva nas decisões.
A Engenharia nos fez chegar às melhores soluções como o nosso capital técnico de planejamento, ação, iniciativa e "acabativa".
ELIEZER EM 1949, nunca gostou de ser chamado de Doutor. Preferia ser chamado de Engenheiro Ferroviário
A LIDERANÇA DE ELIEZER BATISTA “Desde que entrei na companhia, na CVRD em 1949, busquei galvanizar a ideia de que nem eu e nem meus colegas éramos inferiores a ninguém. Falta de conhecimento não é atestado de incompetência, mas apenas conseqüência de um conjunto de variáveis, como dificuldade de acesso e limitações de ordem financeira. . Muitos de meus colegas eram de Nova Era, negros do local Manjahi, pessoas extraordinárias, que muito me ajudaram. Mário Carvalho era de uma disposição fenomenal e Juracy Magalhães uma pessoa formidável!
Logo que voltei dos Estados Unidos, tornei-me o superintendente-geral da Ferrovia Vitória-Minas. Era o que o meu crachá dizia. Mas, naquele momento, eu já tinha as atribuições de superintendente da Vale do Rio Doce inteira. Eu era um dos poucos que detinha o conhecimento sobre todo o processo – a engenharia de minas, o transporte ferroviário e o sistema portuário. Foi o período heróico da Vale do Rio Doce. Colocar a companhia de pé não era apenas um desafio da engenharia; por vezes, era um trabalho para Fernão Dias Paes, Bartolomeu Bueno da Silva e cia.
MÁRIO CARVALHO ETERNO FERROVIÁRIO
Como bandeirantes, precisávamos nos embrenhar por vegetações fechadas, hostis ao avanço do homem. Nesse período, um personagem de imenso valor foi Mário Carvalho. Mesmo sendo topógrafo, Mário pode ser perfeitamente emoldurado no rol de engenheiros que trabalharam na formação da CVRD.
Seu talento superava qualquer diploma. De origem inglesa e italiana, também nascido em Nova Era, era um homem dotado de um vasto conhecimento técnico, algo fundamental naquele momento. Eram dias medievais. Chegamos a registrar mais de quatro mil acidentes em um só ano. Morávamos todos dentro de vagões, no meio da linha. Ficávamos dias no meio do mato, sem banho, bebendo água suja. Até macaco pegava malária.
Juracy Magalhães teve uma influência muito grande nesse período. Quando a Morrison Knudsen foi embora, ferrovia e mina ficaram entregues às baratas. Não havia dinheiro para nada; o Brasil não tinha crédito internacional. Era mais fácil extrair minério com as mãos do que obter recursos financeiros. Fiz diversas viagens ao Rio de Janeiro para convencer a diretoria da Vale a investir no projeto. Juracy foi um dos poucos que acreditou naquele trabalho. É o verdadeiro “São Juracy da Vale do Rio Doce”. Assinou um cheque em branco para ver a CVRD grande e como almejávamos e sonhávamos, sem ele e sem nossas grandes equipes não chegaríamos onde chegamos (Eliezer Batista)
Bibliografia: Conversas com Eliezer - livro - Carlos Pousa, Luiz Cesar Faro, Claudio Fernandez,
Eu olhava para os engenheiros americanos da Morrison Knudsen e acreditava que eu, e os meus colegas operários simples e humildes; podíamos aprender tudo o que eles faziam nas obras da Vitória Minas, com a mesma perfeição, Dito e feito, conseguimos! . Meu estilo de trabalho sempre foi o mais coletivo possível. Todas as grandes decisões eram debatidas em equipe – nesse quesito, tive a sorte de reunir profissionais fuoriclasse (campeões em italiano) . Administrar é a arte de aceitar as diferenças. (ELIEZER BATISTA)
Reporter: Hoje em dia, os grandes empresários são unânimes em dizer que um dos fatores mais importantes para o gerenciamento competente é cuidar do ser humano. Ou seja, saber encontrar, escolher, estimular as pessoas. Aparentemente o senhor já sabia disso há muito tempo e adotou práticas a partir da década de 1940, quando foi admitido na VALE como "Engenheiro da Via Permanente", e que hoje são divulgadas como novidades em livros de management. Esse seu olhar holístico é intuitivo?
ELIEZER: Não foi nada intuitivo, mas fruto de experiência própria. Durante a ampliação da Estrada de ferro Vitória-Minas, a miséria no vale do rio Doce era assustadora. Ali não bastava apenas contratar mão de obra, era preciso dar alimentação, moradia, educação. Não fizemos isso por filantropia, mas porque os trabalhadores rendiam mais assim. E na minha trajetória profissional nunca deixei de aproveitar uma ideia melhor do que a minha. Acho que o valor está no trabalho em equipe, é fazer com que todos se sintam orgulhosos de participar de determinado projeto.
Na CVRD – VALE, ainda nos anos 50/60, nós construímos habitação, escolas, hospitais e áreas de lazer. Não fazia isso apenas para ser magnânimo. Havia um interesse corporativo por trás de todas estas ações. Qualquer trabalhador que vê sua família vivendo com dignidade produz mais e melhor.
Desta maneira, criamos o surrado, porém indispensável, conceito de vestir a camisa. A CVRD – Cia Vale do Rio Doce, era uma grande família. Esse espírito não surgiu da noite para o dia, mas foi fruto de um enorme sacrifício coletivo. "Acho que o valor está no trabalho em equipe, é fazer com que todos se sintam orgulhosos de participar de determinado projeto".
Desde que entrei na CVRD, não só acompanhei de perto como senti na pele os efeitos das difíceis condições de trabalho. Ficávamos dias no meio do mato, distantes de qualquer sinal de civilização. Ao assumir a presidência da companhia, AOS 36 ANOS MUITO JOVEM, elegi como prioridade dar o máximo possível de segurança e conforto aos funcionários e seus familiares. Cada um dos funcionários sabia que estava gerando riquezas não apenas para o acionista controlador, no caso o governo, mas também para o Brasil e, principalmente, para si próprio. Acompanhei a trajetória dos mais humildes trabalhadores que, com seu esforço, conseguiram fazer de seus filhos médicos, advogados ou engenheiros. Isto sempre foi um dos meus maiores orgulhos. (ELIEZER BATISTA)
PROJETO CARAJÁS
O INÍCIO EM 1967
Breno Augusto dos Santos
Eliezer Batista, o Pai do Projeto Carajás e Equipe, junto com o Engenheiro Francisco Schettino, Diretor de Produção na época, Fábio Lage - superintendente de implantação do Projeto Carajás e empregados da CVRD, fazem A 1a viagem pela Estrada de Ferro Carajás, prestes a sua inauguração oficial. Eles foram um dos primeiros a viajarem na EFC, a espinha dorsal do desenvolvimento das economias do PA e MA. A CVRD com o Sistema Norte Carajás, consolidava a sua grandeza de liderança mundial de minério de ferro. Para ter um negócio de sucesso, alguém, algum dia, teve que tomar uma atitude de coragem... Peter Drucker.
O Mestre dos Mestres, eterno ferroviário de corpo, alma, sangue e conhecimento apurado da engenharia do sistema logístico de mina-ferrovia-porto e navegação da CVRD .
Dizia; "Mina sem transporte e logística é cascalho. Ferrovia sem carga é ferro velho. Navio parado na barra sem frete não passa de um grande barco pesqueiro. A minha preocupação na VALE é essa. O sistema parado nos coloca no vermelho e torna as nossas operações caras, inviáveis fácil de cair do cavalo se o sistema falhar. Mexemos com US$" (Eliezer Batista)
"O ponto crítico da construção da estrada de ferro era a transposição do Rio Tocantins – rio de regime torrencial. As cheias ampliavam o seu leito, a ponto de sua largura chegar a um quilômetro. À época, muitos duvidavam que seria possível transpor o rio naquela região. Diversos procedimentos adotados por Pitella e sua equipe – formada, entre outros grandes engenheiros, por profissionais como Renato Moretzohn e Fabio Lage – venceram esse obstáculo.
Construímos uma ponte rodoferroviária, diferente e moderníssima com 2,3 mil metros de extensão, posicionada a 35 metros acima do nível d’água, rigorosamente dentro do prazo previsto." (ELIEZER BATISTA)
Os eternos adversários e pessimistas diziam que o Projeto Carajás era a reedição da Transamazônica e Projeto Jari, que consumiram muito dinheiro sem dar retorno esperado na época. Mas o que houve é que seus críticos quebraram a cara! . Porque o Projeto Carajás foi o único projeto estatal brasileiro entregue antes do prazo com a economia de U$ 1,4 bilhões e um show de eficiência da Engenharia Nacional..
Antes da inauguração oficial. Transformou a Planta Piloto, em usina de produção de escala industrial, já produzindo minério de alta qualidade. Quando o projeto foi inaugurado o pátio já tinha minério produzido acumulado.
O Projeto Carajás foi chamado na Eco 92 – de Mineração Verde e foi exemplo das práticas de desenvolvimento sustentável. A palavra desenvolvimento sustentável, só veio a ganhar corpo, fama e força, com sua identidade com Carajás divulgada na Eco 92 – Rio. Um dos maiores eventos de Ciências de meio ambiente que o planeta já viu.
Conhecido por sua visão estratégica de futuro, sempre à frente de seu tempo, Eliezer trouxe para o CEBDS - Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável como um de seus fundadores conceitos com os quais já havia começado a trabalhar no Projeto Carajás, ainda quando estava à frente da Vale. Foi quando, pela primeira vez no país se buscou trabalhar de maneira integrada com os três pilares do desenvolvimento sustentável, o econômico, o social e o ambiental.
O conceito de desenvolvimento sustentável naquela época não estava composto, mas especialistas atribuem a essa experiência de Carajás parte da elaboração do conceito: o empresário suíço Stephan Schmidheiny veio ao Brasil para coordenar a ECO 92, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, ele visitou Carajás (PA) e se deparou com os aspectos econômicos, ambientais e sociais aplicados em simultaneidade. Da prática observada, Schmidheiny partiu para a teoria e organizou o conceito de desenvolvimento sustentável, ampliando o postulado de ênfase ambiental cunhado em 1987 no Relatório Brundtland, citado acima
Antônio Ermírio de Moraes Ceo do grupo Votorantim e Eliezer batista
O Brasil precisa de homens e líderes da competência de Eliezer Batista, que tem iniciativa e "acabativa", que fala pouco, não promete o que não pode cumprir e sabe formar equipe de gente forte e competente.
Ele trabalha, pensa e age com a pura engenharia que realiza e faz acontecer.
O exemplo meu hoje; é a competência que a VALE implantou o Projeto Carajás sob o comando de Eliezer.
Quem não aplaude a magnitude dessa obra, 100% filha da nossa Engenharia Nacional?
Está provado que temos muitos engenheiros de 1a linha, de categoria mundial e Eliezer valoriza esse nosso patrimônio brasileiro , como ninguém! (Antônio Ermírio de Moraes Ceo do grupo Votorantim)