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TRINTA DIAS PARA A ÚLTIMA LUA

BELADIA
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Capítulo 04 : O portal

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Capítulo 04 : O portal

— Quem é você? — perguntou o vampiro com curiosidade, ao finalmente notar a presença de Hadria na sala.

— Você matou minha amiga. Terá o mesmo destino que ela — falou Hadria com fúria.

Seus olhos ficaram totalmente pretos, e suas mãos se transformaram em garras longas e sombrias. Sob sua jaqueta preta, um colar com um pingente em forma de pêndulo começou a brilhar com uma luz ofuscante.

O vampiro gargalhou, achando graça da petulância e da coragem da garota à sua frente. A energia que ela emanava era demoníaca e, pelo cheiro, era apenas de quarto escalão. Ou seja: ela não passava de uma formiga se comparada à grandeza de um vampiro puro-sangue.

Mas, em exatos dois segundos, os olhos dele se arregalaram em uma expressão de dor profunda. Nas garras da menina repousava o coração dele, já sem pulsação. Com um aperto brutal, ela o esmagou até reduzi-lo a pedaços. O sorriso zombeteiro desapareceu do rosto da criatura, que caiu de joelhos antes de desabar morta no mármore escuro.

Do outro lado do salão, o príncipe observava a cena, atônito. O outro vampiro, que o estrangulava, soltou-o, arremessando-o contra a parede com força, e avançou com fúria e violência em supervelocidade contra Hadria. Ela tinha acabado de matar o seu companheiro de alma.

— Frederico! Você matou o Frederico! — gritava o agressor.

Mas Hadria era muito mais rápida e ágil do que ele imaginava. Movendo-se quase na velocidade da luz, ela se desvencilhou do ataque, cravou a mão no peito do adversário, arrancou-lhe o coração e o esmagou como se não fosse nada. Uma expressão de choque e agonia tomou conta do rosto do segundo vampiro antes que ele caísse no chão, sem vida.

Sem demonstrar arrependimento ou culpa, Hadria olhou para os dois corpos caídos. Ela não gostava de matar, mas, se precisasse, o faria com agilidade e eficiência. Havia sido treinada por suas aias desde o nascimento para lutar, se defender e proteger quem era importante para ela. Nas vezes em que precisara tirar uma vida, nunca houve remorso. O mundo demoníaco era cruel e, por mais pacífica que a Montanha Branca fosse, ainda era um território situado dentro daquele reino impiedoso.

Hadria limpou o sangue das mãos em uma toalha de mesa e caminhou em direção ao portal.

O príncipe tentou se levantar, tossindo em busca de ar, e olhou para a garota à frente do espelho. As mãos dela já haviam voltado ao normal e seus olhos não eram mais negros. Agora, ela movia os braços, tentando usar magia para acionar o portal. Ela definitivamente não era um demônio comum. Por mais que carregasse a marca e cheirasse como um, não agia nem tinha o poder de nenhum outro que ele já tivesse conhecido. Aparentava ter uns doze anos, era quase uma criança. Como conseguira matar dois vampiros puros-sangues milenares — donos de uma força equiparável à do próprio Rei Vampiro — como se fossem moscas? Ela exibia longos cabelos brancos trançados e presos em um rabo de cavalo, usava botas de caça, uma mochila nas costas e uma jaqueta preta com capuz que era dois números maior que o seu.

— O portal não vai funcionar — alertou o príncipe.

Ela o encarou e perguntou:

— Como ele funciona?

— É magia antiga. Ele só é ativado quando alguém da realeza o usa. Somente membros da minha família podem abri-lo.

— Então abra agora — exigiu Hadria.

Um baque pesado ecoou. A guerra entre vampiros e lobisomens, que antes acontecia lá fora, agora estava dentro das paredes do castelo, e o perigo se aproximava a cada minuto. Hadria queria entrar logo no portal. O príncipe olhou apreensivo para as imensas portas fechadas do salão.

— Existem mais de vinte lobisomens lá fora, e seus guardas estão perdendo a luta — avisou Hadria, observando o príncipe caminhar em sua direção e parar em frente ao portal. — Abra o portal para as Terras Negras.

— Terras Negras?! É um lugar ainda mais perigoso do que aqui neste momento. Você tem certeza de que quer ir para lá? Eu posso enviá-la para sua casa ou para outro lugar seguro.

— Terras Negras — repetiu ela, irredutível.

O som de garras arranhando e corpos batendo contra a pesada madeira tornou-se ensurdecedor. Eles tentavam arrombar a porta.

— Abra o portal. Agora!

O príncipe suspirou e começou a fazer sinais com as mãos, invocando a magia para despertar o artefato. A superfície do espelho tornou-se turva, distorcendo os reflexos até que uma escuridão espessa e rodopiante tomou conta do vidro. Os estrondos no salão ficavam cada vez mais altos; a porta estava prestes a ceder.

Assim que a imagem do portal se estabilizou, Hadria, sem pensar duas vezes, saltou para dentro da fenda mágica, aterrissando bruscamente em um deserto de areias vermelhas e pretas.

E, para a sua completa surpresa, o príncipe caiu logo atrás dela.