Trecho de Diálogo novo, que estará presente na próxima correção do cap 2. Que já começou a ser publicado aqui no meu perfil. https://www.seavien.com/discussion/capitulo-2-na-sua-mente-bJDevt9SKuq2/conversations
Fenrir voltou a atenção para Lila, que se levantou do sofá vestindo apenas uma calcinha de renda e uma regata que cobria até um pouco acima do umbigo, sem sutiã.
Fenrir não conseguiu disfarçar o quanto já não estava acostumado com aquela visão no cotidiano. Aquele era o visual de Lila praticamente sempre que estava na casa deles.
Cody parecia não ligar para a maneira como ela se vestia.
E Fenrir, quando Cody não estava por perto, também não via problema em colocá-la em situações que não eram tão fáceis de resistir.
Ela se aproximou e se inclinou para ver as pizzas no forno, afastando algumas mechas do cabelo castanho-escuro, da cor de madeira polida, para trás da orelha. Fenrir acompanhava cada movimento dela. Lila tirou as pizzas do forno e as colocou em pratos separados, com a ajuda dele, já que não conseguia alcançar os pratos na prateleira mais alta.
— Você vai querer? — Lila provocou, enquanto os olhos de Fenrir navegavam pelas curvas do seu corpo.
— Vai querer um pedaço? — Ela insistiu mais uma vez enquanto oferecia um dos pratos.
— Não, valeu. — Fenrir desviou devagar para alcançar o micro-ondas no balcão atrás dela.
— Vou comer minha sopa.
Ele abriu a lixeira perto da pia e jogou fora os Crimson Daily que havia comprado.
Lembrou o que havia ouvido sobre eles e decidiu escutar. A velha podia ser maluca, mas não faria mal prevenir.
Fenrir pegou um dos cigarros no bolso e o acendeu.
Lila colocou o prato na bancada do centro e abriu uma das janelas da cozinha, que dava para o beco.
— Não sei como vocês conseguem respirar com essas janelas fechadas.
Ela falou entre algumas tosses. Depois, sentou-se sobre a bancada, pegou o cigarro da mão dele e deu alguns tragos.
— Não sabe? — Fenrir perguntou, tomando o cigarro de volta dos lábios dela. — Já já você se acostuma com a marola.
Lila o empurrou com os pés, fazendo-o rir.
— Aí, finalmente vai ser uma de nós.
Fenrir deu um último trago, jogou o cigarro pela janela e a fechou.
Próxima o suficiente para poder sentir o seu perfume, Lila arqueou as costas para olhar a sopa no micro-ondas.
Fenrir se afastou dois passos para resistir aos jogos dela. Não gostava de ser tratado como um peão em um tabuleiro de xadrez.
Mas, antes de se afastar, encostou nela por um instante, como se sua mão precisasse se lembrar de como era o toque da pele dela.
Ela não recuou. Enquanto voltava a ficar ereta, lançou um olhar de canto para o relógio no pulso da mão que havia passado por sua coxa. O sorriso provocativo ainda permanecia em seus lábios.
— Muito lindo seu relógio. A cor dele combina com sua pele.
Ela sibilou, enquanto pegava sua mão e dava uma olhada melhor nele. Naquela noite fria, sua respiração era quente nas costas da mão. — Você comprou no mesmo lugar em que comprou aquele colar para a Chloe né? Quanto foi? Deve ter sido muito caro. — Lila largou sua mão e se afastou para pegar um dos pratos. Com uma das fatias, ela foi para a sala se sentar no sofá.
— Não lembro quanto custou o colar dela. Veio junto com o relógio foi quatro e alguma coisa. — Fenrir verificava a sopa.
— Quatro mil? Um relógio bonito desse junto daquele colar?
Ela perguntou surpresa da sala, enquanto procurava algo para assistir na tv.
— Não. Uns quatro milhões. Ou alguma coisa por aí. Já tenho ele faz uns seis anos.
Lila ficou surpresa ao ouvir o valor. Quando voltou a olhar para Fenrir, havia um brilho diferente em seus olhos.
— Tá tudo certo. — Cody apertou a mão de Fenrir e sussurrou próximo a ele, logo que desceu a escada. — Nunca consegui aprender o “idioma” desses filhos da puta. — Cody pegou um prato na pia e viu a lixeira cheia de Crimson Daily, que Fenrir havia esquecido aberta.
— Qual foi? Tá jogando fora por quê? — Cody questionou em duvida apontando para lixeira, antes de se sentar no sofá ao lado de Lila.
— Essas porcarias são pior que cigarro. — Fenrir se explicou, enquanto tirava a sopa do micro-ondas. — Nem era para eu ter comprado. Você pode sair pro corre hoje de noite e caçar alguém amanhã.
— É, vou ver se desço pro corre hoje. — Cody respondeu de volta, com um tom de aborrecido. — Colar lá pelas fronteiras com os inimigos e vou abastecer o óleo dos nossos guris lá. Aproveito e toro uns corre lá na madruga. Você vai colar também, é? — Ele perguntou para Fenrir que se sentou na outra ponta do sofá.
— Vou descer pro corre do craque nada, vei. Fica só na massa essa semana. — Fenrir respondeu entre uma colherada e outra. — Os homi tavam em cima das lojinha por aqui, vei, aí tive que dar um T do óleo, tá ligado. Evitar problema de suborno com os Granite.
— Os cara quer cobrar um olho da cara.
Ele sussurrou antes de voltar a comer.
— Tá comendo a irmã do viadinho lá ainda? — Cody perguntou, se referindo ao Eddy. Fenrir saía com a irmã dele havia algum tempo, algumas vezes. No momento em que ouviu isso, ficou surpreso com a ideia que teve, como se a luz do meio da sala não fosse se apagar.
— Pior que você falou dela, mano, e bateu uma saudade aqui. Vou ligar pra ela essa semana. — Ele respondeu, enquanto pegava seu celular para responder a uma mensagem que ela havia mandado há dois meses.
— E você quer o quê com essa piveta, Fen? — Cody questionou, enquanto segurava um riso, olhando pro primo. — Perguntei porque... Craig queria chegar nela, tá ligado. Aí mandou eu chegar em você pra saber se você tava com ela ainda.
— Aí, você acha estranho eu querer ficar com ela? E ele é de boa? — Fenrir questionou, lançando um olhar irônico de confusão ao primo. — Diga pra ele que eu como ainda e mande ele se pôr no lugar dele. Ele acha que é quem? — Fenrir terminou, em tom irônico.
Não era difícil entender o interesse repentino de Craig. A irmã de Eddy não era apenas uma garota bonita — olhos azuis, cabelos pretos como a noite, pele pálida e um corpo impossível de ignorar. Para qualquer um com ambição suficiente, ela também era uma catapulta de status.
— Logo ele, sim.
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