Meu peito já não dói mais
Dói foi verbo do passado
agora é só um buraco, ocupado por nada.
Em algum canto minúsculo
(Que eu mal consigo acessar ou admitir)
ainda guardo um fio de esperança
não é bonita e nem iluminada
é feia, torturada, quase morta
mas ainda assim, pulsa.
Ela é teimosa
Como um coração que se recusa a parar
Mesmo quando o dono já desistiu.
Em um passo de cada vez
vou arrastando esse vazio atrás de mim
Como uma sombra que pesa tanto
Mais que meu corpo.
Mas ainda assim sigo esperando
(Ou fingindo esperar)
que um dia, finalmente
Eu volte a sentir tudo de novo.
Ou nada de vez.
Junho, 2026. Karla off dutty.