(Publicado originalmente em Mínimos Possíveis, Editora M.inimalismos, 2026).
Ninguém queria dormir na cama daquele tio que morreu no açude. Cama que lhe serviu de leito final provisório, enquanto demoravam pra trazer o caixão. Inchado como uma esponja, o afogado permaneceu soltando água por muito tempo. Ficou marcado na memória da família o tempo que custou pro colchão secar, virou lenda: quem dormia lá — batata! — amanhecia molhado.
— É o afogado que não deu conta que morreu e ainda verte água se é espremido na cama com outra pessoa.
Detalhe que, os panos que aparecem molhados, sempre fedem a mijo.