Nem sei o que dizer. Vai ver não há nada a ser dito. Vai ver a vida seja isso: um soterramento de terra. Talvez sejamos a casa que foi soterrada pela terra que virou lama no dia em que choveu, e nós... Bem, nós viramos lembranças, momentos e, sim, é isso: nós, porque o eu morreu no momento em que a morte apareceu junto com toda aquela lama que derrubou a casa, enquanto estávamos deitados na cama, sonhando que nunca morreríamos. E sonhamos tanto que acabamos acreditando mesmo na imortalidade, mas não é verdade, não é mesmo?
Eu morri, e você também morreu. E agora você está louco, se perguntando de onde veio essa tal morte, se você ainda está de pé na beira da cama. A verdade é que, por um momento, quis lhe trazer a imaginação de um fato pouco falado, mas que muito importa. Talvez seja melhor viver com esse sonho, pois é isso que a vida é, isso é o que nos resta. E acredite: não é melancolia nem tragédia, apenas verdades sobre a vida. Um dia, ela deixa de se chamar assim para se chamar morte. É o fim.