Quantas vezes prometi não voltar, quantas vezes me vi no mesmo lugar, preso aos desejos que tanto condeno, alimentando em silêncio aquilo que me afasta de Ti.
E como pode o pecado ser tão breve, mas deixar marcas tão profundas? Tão pouco tempo de prazer, em troca de uma alma que tanto necessita de Ti.
Somos pó, Senhor, e ao pó voltaremos. Carregamos em nós as marcas da desobediência, e a própria morte nos recorda que não somos eternos neste mundo.
O salário do pecado é a morte, e ainda assim, quantas vezes escolhemos pecar? Trocamos o eterno pelo passageiro, a Tua presença por vontades que logo desaparecem.
E quem sou eu para falar de justiça, se tantas vezes falhei diante de Ti? Quem sou eu para apontar os erros alheios, se ainda travo batalhas que ninguém pode ver?
Mas Tu conheces cada lágrima, cada oração que mal consigo terminar, cada noite em que o arrependimento me visita e cada vez que, mesmo fraco, volto a Te procurar.
Não quero apenas o Teu perdão, quero que transformes aquilo que ainda me prende. Que retires de mim o que não Te agrada, mesmo que a mudança me custe tudo aquilo que um dia julguei não conseguir abandonar.
Porque de que vale conquistar o mundo e perder aquilo que é eterno? De que vale saciar os desejos da carne e deixar a alma faminta pela Tua presença?
Senhor, se for preciso, reconstrói-me. Quebra em mim o orgulho, arranca as raízes do pecado e ensina-me a desejar aquilo que vem de Ti.
Pois as portas que se abrem, as que permanecem fechadas, os caminhos que percorro e aqueles que ainda desconheço, tudo entrego em Tuas mãos.
Não quero uma vida em que Tu sejas apenas uma escolha, nem uma fé que dependa das circunstâncias. Quero-Te nos dias em que sou forte e, principalmente, naqueles em que mal consigo permanecer de pé.
Porque o mundo pode oferecer seus prazeres, e a carne pode insistir em seus desejos, mas nada disso se compara à paz de estar em Tua presença.
E se me perguntarem o que ainda procuro, depois de tantas quedas e tantos recomeços, direi que não preciso de riquezas, nem de glórias, nem de reconhecimento. Eu só preciso de Ti, Senhor.
Pois tudo vem de Ti, tudo existe por Ti e tudo seja para a Tua glória.
E enquanto houver fôlego em meus pulmões, que minha maior busca não seja a ausência de batalhas, mas a Tua presença em cada uma delas.
Amém.
Gabriel Anjos