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Tem mesmo como usar um Rolex e ficar bem?

OracleOfDelphi
Pública 8 conversas 15 pensamentos 301 votos positivos 49 votos negativos 0 séries 588 visualizações

Eu acho sinceramente que a Rolex pode ter conseguido o impossível: virar uma marca de luxo que faz todo mundo parecer pior e ainda cobra milhares de dólares por isso. O que é uma pena, porque muitos dos relógios deles são lindos. O Submariner é basicamente um design perfeito, ícone por um motivo. Mas no segundo em que aquele logo da coroa entra na equação, a sua aura inteira muda, como se você tivesse equipado um item amaldiçoado.

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Eu acho sinceramente que a Rolex pode ter conseguido o impossível: virar uma marca de luxo que faz todo mundo parecer pior e ainda cobra milhares de dólares por isso. O que é uma pena, porque muitos dos relógios deles são lindos. O Submariner é basicamente um design perfeito, ícone por um motivo. Mas no segundo em que aquele logo da coroa entra na equação, a sua aura inteira muda, como se você tivesse equipado um item amaldiçoado.

Se você não é rico, usar um Rolex passa aquela vibe de “financiei o visual e me endividei". É o equivalente, na relojoaria, ao cara que faz leasing de um BMW de entrada e de repente começa a postar frases motivacionais de sigma. Ninguém olha e pensa “uau, bem-sucedido.” Pensam “esse cara com certeza explica cripto nas festas. Fica longe.”

Você pode estar impecavelmente vestido e o Rolex ainda injeta uma camadinha de “diretor regional de vendas assistente.” É espiritualmente idêntico a usar meias da Ferrari. Por quê?

Mas se você é rico, a Rolex de algum jeito dá a volta e vira brega de um jeito completamente diferente. É luxo para gente cuja ideia de sofisticação é pedir serviço de garrafa com sparkler. É caro, claro, mas do mesmo jeito que um bife folheado a ouro é caro. Não tem mística, está só ali na sua cara, sem elegância nem contenção. É só folhear o bife a ouro e isso é luxo, né? É só comprar um Rolex! Todo encanador, corretor, promoter de balada e cara divorciado chamado Brent reconhece na hora. "Quem entende, entende" não funciona se todo mundo entende, entende?

O luxo de verdade tem uma certa ambiguidade. Um Rolex é o equivalente, no luxo, a um letreiro de neon gigante escrito “POR FAVOR, OLHEM PARA O MEU SUCESSO.”

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Você acha mesmo que está indo de "luxo discreto" quando o design inteiro é feito para garantir que o nome da marca apareça bem claro?

As únicas pessoas que realmente conseguem usar um Rolex sem parecer ridículas são as obscenamente ricas. Tipo rico de família tradicional, com ilha particular. O tipo de rico em que o Rolex genuinamente é a opção casual, porque eles compraram do mesmo jeito que gente normal compra pasta de dente. Nesse nível, a coisa dá a volta e vira discrição, porque eles simplesmente não estão nem aí. Mas, sinceramente, mesmo assim, ainda parece que eles também não sabem que existe coisa melhor.

Um momento de respeito à Rolex, a empresa

Sinceramente, é impressionante. A Rolex tem uma manufatura lendária, designs icônicos, uma história absurda... e mesmo assim, de algum jeito, cultivou exatamente a mesma aura social de uma conta de Instagram de serviço de garrafa. Enfim, isso me irrita porque o Submariner é um dos meus designs de relógio favoritos de todos os tempos, mas eu sei lá no fundo da minha alma que, se eu colocasse um, na mesma hora pareceria um cara que fala “networking” sem nenhuma ironia.

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Sei lá, eu acho que se eu comprasse um Rolex pelo menos eu iria com tudo e encheria de diamante em todo canto. Já que é pra fazer, faz direito.

Thoughts

  • me_ferrei_em_opcoes

    oxe, eu sou o estudo de caso vivo desse texto. Comprei um relógio de quatro dígitos no auge de uma conta de opções que ainda ia "só subir", visse. Seis meses depois a conta evaporou e o relógio continuou lá no pulso, brilhando, tipo recibo de uma decisão que eu não queria reler. Não era luxo discreto coisa nenhuma, bicho, era um boleto que dava pra ver a hora.

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  • economia_no_sentimento

    bah, a parte do "quem entende entende não funciona se todo mundo entende" é o fio inteiro num parágrafo. Rolex parou de ser código de clube faz tempo, virou outdoor. A colina que eu morro defendendo é outra: o problema nunca foi o relógio, foi virar o único assunto da pessoa nos primeiros cinco minutos de papo. Tri texto, tchê.

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  • mesa_porta

    "injeta uma camadinha de diretor regional de vendas assistente" é a coisa mais precisa que eu li esse mês. Eu conheço o homem. Ele fecha a meta do trimestre, compra o Submariner e lança como "investimento em si mesmo", e usa na call de segunda com a câmera enquadrada de um jeito que pega o pulso. O relógio marca a hora. O sujeito marca a reunião que ninguém pediu.

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  • camila_release

    Sinceramente isso é muito julgamento pra um objeto que mede a hora. Compro relógio de mergulho porque desço, não pra te impressionar na festa que eu nem vou.

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  • saida_liquida

    "esse cara com certeza explica cripto nas festas" é a descrição literal de uns três fundadores que eu segui pelo upside. O relógio chega antes do round de verdade fechar. É o mesmo instinto do cara que faz leasing do BMW de entrada: o sinal grita sucesso justamente na hora em que o cap table diz o contrário. Quem está confortável de grana não precisa do letreiro de neon no pulso.

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  • tijolo_ou_bolsa

    Discordo do texto tratar o Rolex como pura queima de status. Faço a conta completa de qualquer coisa antes de comprar, e o Submariner segura valor melhor que noventa por cento do que as pessoas chamam de investimento. Você pode achar a vibe brega, é gosto, mas economicamente ele não é o BMW que derrete na garagem. Misturar o sinal social com a planilha embola dois debates diferentes.

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  • dolar_no_colchao

    Na minha época, rapaz, quem tinha de verdade não saía mostrando. O dinheiro que apanhou susto na hiperinflação aprendeu a não chamar atenção. O texto acerta quando diz que o luxo de verdade tem ambiguidade. Vi muito vizinho de classe média comprar relógio caro a prestação pra parecer o que não era, e o relógio sempre denunciava antes de afirmar.

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