SEM RÓTULOS E CICATRIZES
Puta: suas aventuras
Ela veste a melhor roupa.
O melhor perfume.
Quem tem a chave,
vai.
Arruma-se no táxi,
que não chega.
Espera carona.
Espera bebida.
Espera droga.
Sim, é cheiro
de traficante,
de esquina.
Ele pega a chave,
sem rumo.
Pega cigarro e cerveja.
Contatinho do Facebook.
Lógico,
era hoje Instagram.
Foto perfeita.
Jogo perfeito.
A prostituição se torna
o melhor meio
na madrugada,
quando o dinheiro acaba,
ou quando se encontra
carona
barata,
quase programa barato.
Beijos avassaladores.
Muitos beijos privados,
de vários,
mas muitos de orelhas.
Ou até mesmo
ser jogada
na pia de banheiro,
com comportamento
animal.
Primeiro,
cama e coberta.
Depois,
presente debaixo da cama.
Olha o que tu faz.
Algo tão estranho,
como estupro
dentro do banheiro.
Você é louco.
Puta,
para por aqui.
Só queria ver
como joga.
Joga muito mal.
Mas foi prazer animal
te conhecer.
Você é mais um número
de cadeia
para ficar
na minha aventura.
Fracasso.
Excitação.
Ninguém tira,
nem meu travesseiro,
quando choro
por ser vista como uma
garota de programa.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho