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Sem Retorno – Capítulo 4 Sensível

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Sem Retorno – Capítulo 4

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Sem Retorno – Capítulo 4


Quando consigo abrir o portão e estou me preparando para trancá-lo, escuto nitidamente um grito.

Um grito que é rapidamente abafado.

Meu corpo inteiro se arrepia, e eu disparo em uma corrida pra dentro da casa.

Eu largo a mochila no chão, e quando passo pela porta que já estava aberta, meus olhos procuram ao redor. Eu não encontro minha mãe, nem na sala nem na cozinha.

Meu coração está disparado, e sei que algo está errado.

Eu escuto alguns barulhos vindo do corredor, algumas batidas, como calcanhares batendo no chão.

Eu corro para o corredor, e os barulhos ficam mais altos, e consigo ouvir um gemido abafado ao fundo. Com se algum estivesse abafando um grito.

Eu passo correndo pelo meu quarto e olho rapidamente, não tem nada lá.

Então corro para o quarto da minha mãe que fica no fim do corredor, aporta esta fechada, e eu congelo por um instante.

Em milésimos de segundos, muita coisa passa pela minha cabeça. E todas não me agradam.

Eu sinto uma angustia enorme dando um nó no meu peito. E explodo metendo o pé na porta do quarto.

A porta não estava fechada, na verdade estava encostada e abre com violência batendo na parede e fazendo um barulho muito alto.

A cena que vejo a minha frente me faz perder a cabeça.

Demoro alguns segundos para discernir o que estou vendo, o que está acontecendo.

Vejo uma figura masculina de costas em cima da minha mãe. Os dois caídos no chão, nos pés da cama.

Minha mente se ajusta, e reconheço aquelas roupas, a camisa xadrez amarrotada,

A calça jeans com as barras desfiadas, as crostas da sola do pé, grossas e rachadas.

E aquele cabelo ensebado desgrenhado.

O velho nem precisava olhar pra trás pra eu saber que era ele.

Ele se virou para olhar para a porta, assustado pelo estrondo da batida da porta, que fez ele encolher os ombros.

Antes que ele fizesse qualquer movimento, eu agarrei na parte de trás do colarinho da camisa dele, e puxei ele pra trás tirando ele de cima da minha mãe.

Ele caiu de costas desengonçado, tentando se proteger, quando ele tentou se levantar, dei um murro que acertou encheio a sua testa, que fez a cabeça dele balançar e bater a nuca com força no chão.

Ele estava atordoado, e tentou proteger o rosto.

Mas continuei socando mirando a ponta do nariz dele.

Dei alguns socos muito fortes, e dois acertaram ele em cheio.

Eu estava fora de mim, e continuei sem parar eu estava descarregando toda minha fúria nele.

Tudo que estava acumulado, tudo que eu suportei.

O velho estava zonzo mas ainda consciente, eu já via o sangue manchando o rosto dele.

Pra se proteger ele virou de costas, eu acertei alguns socos na nuca dele, o que fez ele bater o rosto com força no chão do quarto.

Ele tentou erguer o tronco e se levantar, mas eu dei um pisão nas costas dele e ele tombou,

Perdi o equilíbrio, quando o corpo dele caiu meio de lado e tropecei, quase cai mas consegui me escorar na parede.

O velho aproveitou esse momento pra se arrastar pra fora do quarto. Eu me recuperei rápido e fui atrás dele.

Ouvi o grito da minha mãe chamando por mim, mas eu estava fora de controle.

O velho estava tentando se por de pé, quando eu o alcancei, ele estava curvado de costa pra mim quando usei a sola do pé para dar um pisão com força na bunda dele, empurrando ele com violência para frente, ele cambaleou, e foi cair já no fim do corredor.

Quando se virou com a mão na frente do rosto, como se pedisse pra eu parar.

Eu já estava correndo na direção dele, e sem pensar, dei um chute com velocidade e força.

O chute pegou por baixo do seu queixo, e escutei um estalo alto nesse momento.

O velho bateu com violência a nuca no piso e agora estava mole, totalmente grogue.

Seus braços ainda se moviam sem coordenação, molengas balançando quase sem controle, como se suplicasse pra eu parar.

Ele balbuciava e sua boca estava mole, o sangue cobria quase todo o seu rosto, e manchava sua camisa e caia no piso da casa.

Eu segurei no colarinho da camisa dele, erguendo o troco dele um pouco do chão, e dei mais dois socos amassando o nariz dele de vez.

Eu ainda não estava satisfeito, e queria despedaçá-lo ali mesmo.

Eu estava ofegante, e precisava respirar, mas quando olhei pra cara daquele merda, apertei meus punhos com toda força, eu queria matá-lo eu queria esmagar a cabeça dele no soco.

Levantei a mão pra continuar socando, mas logo sinto os braços da minha mãe envolvendo meu tronco em um abraço.

Ela me apertava firme, e pedia pra eu parar, com a cabeça colada nas minhas costas.


- não mata ele filho, não faz isso, se você for preso, eu não posso te perder.


A voz dela me trouxe um pouco de sanidade.

Ela chorava e me apertava com toda força.


Eu recuperei um pouco da minha lucidez, e respirei fundo.


- mãe, liga pra polícia.


Eu disse ofegante, com a voz trêmula tentando controlar minha raiva.

Ela afrouxou o aperto do abraço, e se afastou um pouco.


- então solta ele filho, ele já está acabado.


Eu me dei conta que ainda segurava o colarinho do velho, erguendo parte do tronco dele do chão.

Eu soltei deixando ele cair com um baque pesado no piso.

Minha mãe ainda estava em choque, mas foi procurar seu celular.

Eu respirava fundo, tentando controlar as batidas do meu coração.

Eu olhei ao redor, e percebi as gotas de sangue e o rastro sujando a casa.

Aquilo me deu raiva, o sangue sujo desse velho, manchando o lugar onde eu vivo com minha mãe.

Eu olho pra baixo pro corpo derrotado dele, e vejo a boca suja dele espumando, uma espuma vermelha, gosmenta.

Aquilo me deu nojo, e eu não podia deixar ele sujando minha casa.

Ele ainda estava se mexendo, um olho entre aberto, e o outro todo inchado e fechado de tanto soco que eu dei.

A boca estava aberta de forma grotesca, acho que quebrei o maxilar dele com aquele chute.

Ele tentava balbuciar, me olhando apavorado, seu peito sobia e descia com dificuldade.

E seu nariz estava todo amassado, dificultando ainda mais a respiração dele.

Eu queria mais, eu realmente queria esmurrar ele até a morte. Mas pensei nas consequências.

Mas não podia deixar ele sujar ainda mais a minha casa.

Eu segurei no colarinho dele com minhas duas mãos, e tentei levantar ele.

Ele era muito pesado, e suas pernas não se mantinham firmes, eu fui arrastando ele pra fora de casa, mesmo sem jeito.

Minha mãe se assustou achando que eu continuaria batendo nele, e veio correndo em minha direção com o celular na mão.


- não filho, eu já to ligando pra polícia.


- calma mãe, eu só vou jogar ele lá fora.


Disse fazendo muita força pra conseguir arrastar aquele monte de merda pra fora.

Minha mãe pareceu um pouco mais tranquila com minha resposta, e voltou pra dentro, pra se concentrar na ligação.

O portão estava aberto então arratei ele até o lado de fora.

Imediatamente os curiosos que passavam pararam para ver a cena.

As velhas fofoqueiras que já estavam na frente de suas casas, varrendo as folhas caídas das árvores de suas calçadas. Olhavam assustadas, colocando a mão na boca horrorizada.

Logo muitos saíram de seus portões para acompanhar a cena.

Eu levei o velho até a calçada da casa dele, no mesmo lugar que ele costumava ficar sentado me olhando com os olhos provocativos e o sorriso debochado.

Eu soltei ele com um empurrão, com força, fazendo ele bater as costas no muro da casa dele.

Ele soltou um urro de dor com a pancada, e ficou meio de lado, e foi escorregando até seu rosto colar no chão da calçada, logo a baba vermelha escorreu da boca dele, e ele ficou que nem um peixe arfando o ar, fazendo bolhas de sangue nojentas.

Eu aproveitei que minha mãe, não estava vendo e não resisti, deu duas bicudas rápidas no corpo daquele velho.

Duas senhoras que estava do outro lado da rua, presenciando, gritaram assustadas, e pediram pra mim não fazer aquilo.

Eu olhei pra elas furioso, fulminando as duas. Elas chegaram a se encolher.

Minha mãe, veio correndo de dentro da casa, e eu rapidamente olhei pra ver se ela estava bem.

Percebi uma marca no pescoço dela, e marcas nos ombros, com pequenos hematomas.

Sua pele era muito branca, e qualquer coisa já deixava ela marcada, mas aquelas marcas eram de brutalidade.

Ela me abraçou e tentou me levar pra dentro de casa, mas eu fiquei esperando a polícia.

Pouco tempo depois duas viaturas da polícia chegaram.


Um dos policiais veio em nossa direção e perguntou o que estava acontecendo.

Eu disse apontando para o corpo do velho, que esse homem invadiu a nossa casa, e estava atacando minha mãe.

O policial perguntou se minha mãe estava bem, e ela disse que sim.

Ele me perguntou o que aconteceu com o homem que estava caído.

Eu disse que fui eu que fiz aquilo, disse que quando cheguei em casa e o vi atacando minha mãe, eu parti pra sima dele.

Os outros policiais estavam perto do velho, verificando se ele ainda estava vivo.

Um deles foi para a viatura chamar uma ambulância.

O policial que estava interrogando eu e minha mãe, nos levou para dentro de casa, para averiguar o lugar.

Ele logo reparou as manchas e os respingos de sangue.

Percebi que minha mãe ainda estava abalada, e tremia, eu envolvi ela em um abraço, trazendo ela pra perto de mim.

O policial pediu pra gente se sentar enquanto ele dava uma geral no lugar.

Ele foi seguindo o rastro de sangue até o quarto da minha mãe.

Depois voltou e começou a conversar conosco tomando nota de tudo.

Ele perguntou nosso nome, e perguntou se minha mãe precisava de alguma coisa.

Ela ainda estava meio chocada com o que aconteceu, mas disse que estava bem.


- então me diz o que aconteceu.


Ele pergunta calmamente para minha mãe, e escuta com atenção.

Minha mãe, está do meu lado, quase encolhida grudada no meu corpo.

Eu abraço ela com o braço direito, afagando suavemente seu ombro, para tranquilizá-la.

Ela respira fundo, enquanto passa as mãos no rosto.


- meu filho tinha acabado de sair de casa para o trabalho.


- a que horas era isso, sabe informar.


O policial interrompe, como se pedisse para ela ser específica.


- as sete, alguns minutos antes, as cinco pra sete pra ser exata.


O policial me olha e eu confirmo com um gesto de cabeça.

E o policial toma nota.


- Assim que meu filho saiu, passaram-se uma meia hora depois, não sei ao certo.

Mas depois de alguns minutos que meu filho saiu, esse homem chamou por mim no portão.


- Você conhecia esse homem.


O policial pergunta rapidamente. Minha mãe, faz um gesto confirmando com a cabeça.


- é o vizinho que mora do lado direto da nossa casa. O senhor Luiz.


Eu respondo antes que minha mãe possa falar.

E o policial anota. E pede pra minha mãe continuar.


- ele chamou e eu atendi por educação, eu disse que estava ocupada, mas ele disse que seria rápido, eu disse que não estava me sentindo bem, e iria me deitar.

Mas ele continuou insistindo, dizendo que queria me ajudar, pois sabia que eu estava passando por dificuldades.


- e a senhora estava passando por dificuldades?


O policial pergunta um pouco confuso.

Eu e minha mãe nos entre olhamos, e ela continua.


- recentemente meu marido desapareceu, e não tivemos notícias dele.


- nós abrimos um B.O, mas até o momento não recebemos informação da polícia.


Eu me adianto, vendo que minha mãe estava insegura para comentar.

O policial toma nota, e parece um pouco envergonhado, quando digo que não tivemos informação da polícia.


- e a senhora pediu a ajuda desse senhor Luiz?


- não, nunca, ele apenas ficou sabendo sobre o sumiço do meu marido, e apareceu algumas vezes falando que queria me ajudar, mas eu sempre recusei, nunca pedimos a ajuda dele.


- há alguns dias, eu até discuti com ele, pedindo pra ele parar de incomodar minha mãe, pois ela estava tomando remédios para se acalmar.


O policial toma nota, prestando atenção.


- mas e depois o que aconteceu?


- eu tentei de todas as formas interromper o assunto, ele ficou insistindo, disse que queria falar comigo, mas eu disse que precisava tomar o remédio, e que ia me deitar.

Ele disse que se precisasse e se eu tivesse passando mal, era só chamar por ele.

Eu agradeci educadamente, mas disse que não precisava de nada, que só precisava ir me deitar.


- a senhora estava aonde nesse momento enquanto falava com ele?


- eu estava na porta de entrada, ainda dentro de casa, só com a porta entre aberta.

E ele estava na frente do portão.


- o portão estava aberto?


- não, estava fechado.


- o portão estava trancado, eu tranquei, e tive que abrir com minha chave quando voltei pra casa.


Eu reforço a afirmação da minha mãe para ser mais específico.


- e depois disso o vizinho, o senhor Luiz, foi embora?


- achei que sim, pois fechei a porta, e não vi para onde ele foi.


- e a senhora foi se deitar, como disse?


- não, eu fui fazer os afazeres da casa, disse que estava passando mal, e ia me deitar, pra ele não ficar incomodando.


- depois o que aconteceu?


- eu fui trocar de roupa, pois estava com o roupão, e fiquei um tempo no meu quarto arrumando algumas coisa.

Depois vim para a cozinha pra começar a fazer a limpeza, mas depois de um tempo dei falta do meu celular, e voltei para meu quarto para procurar.

Quando estava procurando o celular escutei um barulho do lado de fora da casa, mas não dei muita importância, e continuei procurando.


- que horas eram, quando escutou o barulho?


Minha mãe fica pensativa.

Nesse momento, entra outro policial, e diz que a ambulância já está recolhendo o homem ferido.

O policial que está conosco assente com um gesto positivo, e volta a prestar atenção em minha mãe.


- por favor continue.


- não sei dizer ao certo, eu estava sem o celular naquele momento para ver as horas.

Mas deve ter passado vinte minutos depois que eu falei com o vizinho.


- e depois o que aconteceu?


- depois que eu achei meu celular, eu sai do quarto para voltar para a cozinha.

Mas quando cheguei no fim do corredor, vi o senhor Luiz parado na porta de entrada da casa.

Eu me assustei e recuei um passo pra trás, e ele também parecia assustado.

Eu perguntei o que ele estava fazendo ali, e mandei ele sair.

Ele disse que só queria ver se estava tudo bem, eu disse que estava bem, e mandei ele sair da minha casa.

Ele disse que tava tudo bem, só queria me ver, eu apontei o celular e disse que ia ligar para a polícia.

Então ele começou a se aproximar, e eu disse que meu filho já estava voltando.

Mas ele se aproximou ainda mais, e disse que sabia que meu filho só ia chegar mais tarde.


- ele disse isso, que sabia que seu filho só chegaria mais tarde?


O policial pergunta em tom de indignação.

E eu sinto um ódio tremendo escutando aquilo. Pelo visto o velho já estava de olho nos meus horários faz tempo, ele estava planejando atacar minha mãe, a muito tempo.


- sim, disse.


- é qual é o horário que você costuma sair do trabalho ?.


O policial pergunta olhando diretamente pra mim.


- eu trabalho em dois horários diferente, tem dias que entro as sete, e saio as onze.

E em outros dias eu entro as meios dia, e saio as dezesseis. Tudo depende da escolha do encarregado para minha escala.


- mas hoje, você estava mais cedo que o de costume em casa?


- sim, na verdade não fui trabalhar hoje, eu fui apenas pedir demissão do trabalho.

Então só fiquei fora o tempo de concluir o procedimento de desligamento.

Depois retornei direto pra casa.


O policial anota, fazendo uma cara de que isso foi muita sorte.


- a senhora pode continuar por favor.


- sim, depois que ele disse isso, que sabia que meu filho só voltava mais tarde, eu corri, e ele avançou pra cima de mim.

Eu corri para o meu quarto, e tentei trancar a porta. Mas ele empurrou a porta, e eu cai, e ele caiu por cima de mim.

Eu gritei, e ele tapou minha boca, eu me debati, e arranhei o rosto dele, então ele colocou a mão no meu pescoço e apertou, eu estava tentando lutar e tirar ele de cima de mim. Mas estava ficando sem forças.

Eu tentei gritar novamente, mas ele colocou a mão na minha boca e apertou, ele ficava tentando levantar meu vestido, e eu continuei me debatendo o quanto pude.

Foi quando eu consegui morder a mão dele, e soltar um grito um pouco mais alto.

Mas ele tampou minha boca novamente, e tentou subir meu vestido novamente.

Eu já não tinha mais força, foi quando meu filho chegou e tirou ele de cima de mim.


Minha mãe chora, relembrando o que aconteceu.

Ela se aninha ao meu lado e deita a cabeça no meu peito. Eu aperto o ombro dela para confortá-la.

Mas por dentro, estou fervendo.

Minha vontade é ir lá fora e acabar de matar aquele velho.


O policial se aproxima de minha mãe, e pede pra ela levantar o pescoço, e ela obedece.

Depois ele levanta vai até a porta, e pede para outro policial mandar um socorrista.

Em instantes uma moça do resgate chega e começa a avaliar o estado da minha mãe.

O policial me chama, e eu deixo minha mãe com a enfermeira.

Antes ela aperta minha mão, parece com medo de se afastar de mim, ou com medo que eu esteja sendo preso.

Mas digo pra ela que está tudo bem, e que já volto.

O policial analisa a porta e vê que a fechadura está intacta, ele vai pra fora e fica olhando para o muro, quando eu me aproximo dele.


- é desse lado que você disse que o homem mora?


Ele fala apontando para o muro que separa minha casa, da do velho.


- sim senhor.


Ele pede para que eu aguarde, e sai pelo portão virando para a direita em direção a casa do velho.

Eu vou até o portão e vejo ele olhando para dentro do quintal da casa do velho.

Também vejo que o velho não está mais lá, E muitos curiosos acompanhando tudo.

O policial coloca a mão no trinco do portão da casa do velho, e abre.

O portão não está trancado e ele entra, ele demora alguns minutos lá dentro.

Depois volta segurando seu celular em mãos.

Ele vem até mim e me mostra as fotos que tirou.


- tá vendo, por isso que o seu portão ainda estava trancado, como você disse quando voltou pra casa. Ele pulou o muro.


Ele me mostra uma foto, do muro da casa do velho, e é visível as marcas de barro e borracha, do chinelo que o velho usava.

O policial faz uma breve reconstrução da cena, e eu só observo.


- ele deve ter pulado, e caiu aqui, foi nessa hora que sua mãe, ouviu o barulho, do lado de fora.

A porta da frente devia estar destrancada, pois não foi arrombada.


- quando estamos em casa, não trancamos essa porta, pois o portão fica sempre trancado.

Só trancamos a porta na hora de dormir.


Digo para complementar.

E o policial confirma suas suspeitas.


- pois é rapaz, você salvou sua mãe, ela teve muita sorte. De você chegar a tempo.


Eu faço um sinal assentindo, mas me gela a alma só de pensar se eu não chegasse a tempo.


- você fez um belo estrago na cara daquele vagabundo, fique tranquilo, qualquer um faria o mesmo.


- ele vai ficar preso?


- no que depender de mim, esse tipo de verme morre na cadeia.

Mas temos ainda que avaliar todos os fatos, vai ser melhor você e sua mãe nos acompanhar até a delegacia, sei que é chato, mas é melhor.


- o senhor acha que posso ter problemas, por bater nele?


O policial, torce a boca, desdenhando.


- não, fique tranquilo, todas as provas, condizem com o depoimento de vocês.

Só temos que ver a versão do invasor, mas se ele invadiu sua casa, sem autorização, e pior, o que ele estava tentando fazer. Fique tranquilo, ele ainda tá vivo pelo que sei.


Eu fico aliviado, mas eu teria matado aquele velho, se não fosse minha mãe.

O policial olha o sangue na minha mão, e pede para um outro socorrista avaliar o meu estado.

Ele diz que assim que estivermos prontos, ele ira nos conduzir para a delegacia, para registrar o B.O.


Minha mãe está bem, a moça da ambulância diz, ela disse que os ferimentos dela foram apenas superficiais, nada além disso.

Já minha mão, ficou bastante machucada.

Eu achei que era apenas o sangue do velho, mas bati tanto naquele merda, que meu punho ficou todo esfolado. Mas nada quebrado.

Minha mão foi enfaixada, mas pedi para o socorrista deixar meu dedos livres, pois preciso deles para trabalhar.

Ele me aconselha a não movimentar essa mão durante algum tempo, para ajudar na recuperação.

Mas eu não vou poder fazer isso.

Depois que tudo foi averiguado, eu e minha mãe fomos conduzidos para a delegacia mais próxima.

Os policiais vieram tentando tranquilizar minha mãe, ela parecia nervosa.

Ela ficou todo o tempo colada do meu lado, e quase caiu em lagrimas quando viu minha mão enfaixada.

Ei tranquilizei ela, dizendo que não foi nada de mais, e disse que ficaria tudo bem.

Mas ela ainda tinha medo do que poderia acontecer comigo, e só ficaria tranquila quando estivéssemos em casa.


Por fim fomos liberados, agora ela está mais aliviada.

Demorou muito todo o processo, e tivemos que repetir por muitas vezes o que aconteceu.

Mas agora estamos indo para casa.

Já são quase três da tarde, e quando chegamos, os olhos curiosos da vizinhança estavam atentos.

Entramos rápido em casa, e esquecemos da bagunça que ficou.

Eu ajudei minha mãe a limpar tudo. Passamos o pano três vezes pra desinfetar o lugar.

Depois fomos tomar banho, eu estava todo sujo, com respingos e manchas de sangue daquele velho.

Minha mão agora que o sangue esfriou estava doendo um pouco. Mas eu me sentia bem com essa dor. Pois me lembrava de cada soco que dei naquele monte de lixo.

Minha mãe se preocupava, e me ajudou a refazer os curativos.

Ela estava encolhida, parecia envergonhada, pelo que aconteceu.

Enquanto ela cuida da minha mão, eu faço um carinho no rosto dela.

E digo que ela não tem culpa de nada, que eu daria minha vida por ela sem pensar.

Ela me abraça, e me agradece, diz que não sabe o que seria dela, se eu não chegasse aquela hora.

Isso me causa um arrepio, eu sinto um grande desespero só de imaginar isso.

Estamos morrendo de fome, por sorte sobrou lasanha de ontem.

O dia não foi fácil, mas temos que tentar seguir, temos ainda muito mais problemas em nossas vidas.

Com tudo o que aconteceu, eu perdi horas valiosas, então tento recuperar um pouco disso, enquanto minha mãe prepara o jantar.

Confiro meus rendimentos, e vejo que obtive duas vendas em outro site. Fico feliz, mas não muda nada.

Faço alguns trabalhos, e quando vejo já deu a hora do jantar.

Na mesa, minha mãe está muito quieta, sinto que ela se esforça para agir normalmente, mas está distante.

Depois do jantar, eu continuo com os trabalhos, e minha mãe, da mais uma geral na casa, antes de dormir.

Eu estou concentrado nos trabalhos quando ela aparece pra me dar boa noite.

Ela está acanhada, como se quisesse me dizer alguma coisa.

Acho bonitinho o modo que ela age, parece uma menininha.

Ela fica rodeando meu quarto, e para do meu lado observando meu trabalho.

E sem jeito ela me abraça apertado, colando sua bochecha na minha.


- filho, vem dormir com a mamãe, não queria dormir sozinha hoje.


Eu já perdi muitas horas com tudo o que aconteceu, mas não posso recusar quando ela me pede algo desse jeito carinhoso.


- vou sim mãe, deixa eu só finalizar esse trabalho, e já vou tá.


Ela me dá um beijo apertado, afundando minha bochecha, e sai quase dando pulinhos para o quarto dela.

Eu fico aliviado vendo ela mais alegre, ela ficou seria desde que voltamos da delegacia.

Eu termino esse último trabalho, e vou para o quarto de minha mãe.

Mas antes me lembro de vestir uma cueca apertada por baixo da samba canção.

Não quero ser pego desprevenido.


Quando chego no quarto, ela já está deitada, e abre um sorriso abrindo espaço para mim me aninhar.

Eu deito atrás dela, e ela pega minha mão e leva até a boca, dando beijinhos carinhosos.


- obrigada meu amor, eu ia tomar um remédio, mas não quero mais, e você é o melhor remédio pra mim.


- e a senhora como tá se sentindo mãe.


- to bem filho, depois do susto, agora to bem melhor.


- espero que aquele bosta, apodreça na cadeia.


Ela me olha com cara de brava.


- o que foi.


Eu pergunto confuso.


- olha essa boca filho, não precisa falar palavrão.


Eu esqueci que minha mãe não suporta palavrão.


- desculpa mãe, mas espero que ele nunca mais saia daquele lugar.


- deus te ouça filho, só de saber que ele vai ter o que merece é um alívio.


- que ele merece de verdade é muito pior, eu devia…


Minha mãe se vira rapidamente, colocando a ponta dos dedos na minha boca me impedindo de continuar.


- não filho, não fala isso,


- mas é sério mãe, gente como ele merecem o pior, eu nem quero pensar o que ele teria feito com você.


- eu sei meu amor, mas você não, eu me desesperei só de pensar que você poderia ser preso.

Filho, eu não vou suportar, se eu perder você meu amor, pra mim isso é o fim.


Minha mãe fala com os olhos marejados.

Eu passo a ponta dos dedos arrumando uma mecha do cabelo dela, que estava em seu rosto.


- eu também mãe, se alguma coisa tivesse acontecido com você, eu não teria mais motivos pra nada nessa vida.


Ela me dá beijinhos no rosto,


- mas estamos bem meu amor, graças a você, a mamãe tá ótima, você é meu herói.


Eu faço uma posse cômica, arrancando sorrisos dela.

Mas logo ela fica seria e calada.


- o que foi mãe, tá tudo bem?


Pergunto, confuso pela mudança de comportamento repentina.


- isso que aconteceu foi minha culpa, foi por minha causa.


Eu me surpreendo com a resposta. E me afasto um pouco para ter certeza se ela está bem.


- não mãe, você foi atacada, o que você poderia fazer.


- mas foi eu que causei isso, eu deveria ser mais esperta.


Eu estou confuso, e tento olhar nos olhos dela, mas os olhos dela estão perdido, com um pouco de vergonha.


- como assim, por que a senhora tá falando isso.


Os olhos dela parecem encontrar os meus, e ela suaviza a expressão, fazendo cara de triste.


- filho, eu tenho que te contar, mas não fica bravo tá.


Quando ela diz isso, ai que eu fico ainda mais apreensivo.

Mas não digo nada e deixo ela continuar.


- depois daquela discussão que você teve com o senhor Luiz, e disse pra ele não me incomodar mais. Ele veio me chamar novamente, uns dias atrás, depois que você saiu pro trabalho.


Eu afastei um pouco, pra ver ela melhor.

Ela desviava o olhar com vergonha, como uma criança que fez o que não devia.


- que dia foi isso?

Eu pergunto confuso.


- ontem e antes de ontem também.


Ela diz mordendo os lábios timidamente.


- poxa mãe, e você não falou nada.


- desculpa filho, eu não queria te aborrecer ainda mais.


- não mãe, isso não é aborrecimento, a senhora tinha que ter me contado.


- eu sei filho, me desculpa, mas você já tá passando por tanta coisa, e achei que eu poderia resolver isso, não queria tornar as coisas piores, achei que o senhor Luiz só estava querendo ajudar, e se eu fosse firme e demostrasse que não queria conversa ele pararia com isso, e sabia que se te contasse você ia tirar satisfação com ele, e as coisas ficariam pior. Então tentei resolver.


O que ela diz faz sentido, mas me sinto um pouco indignado, por ela não contar.


- mas o que ele falou pra senhora?


- o mesmo de sempre, que queria ajudar, que sabia que estávamos precisando.

Disse que ouviu sobre a ordem de despejo, e que eu poderia viver com ele se eu quisesse.


Meu sangue ferveu, senti meu rosto pegar fogo imediatamente.


- olha que velho filho da puta.


Agora foi o rosto da minha mãe que ficou vermelho, ela me olhou com cara de brava.


- Isso é coisa que se diga Eduardo.


Quando ela fica nervosa comigo, ela usa meu nome inteiro, e me sinto como um garotinho novamente.


- desculpa mãe, mas olha oque esse velho fala pra você, nossa como eu queria saber disso.


- tá vendo por que eu não contei, foi até melhor, imagina se você fosse la na casa dele bater nele,

Hoje ele era a vítima, e você estava preso.


- mas ele não teria tocado em você, ele não teria te machucado.


Minha mãe fica pensativa por um instante.


- eu não imaginei que ele seria capaz disso, invadir nossa casa, e me atacar daquele jeito.

Eu senti muito medo.


Eu me desarmo quando vejo ela assim, ela não teve culpa de nada, ela sempre foi gentil e educada.

Nunca se tocou da malícia que aquele velho tinha com ela.

Mesmo eu odiando aquele velho, jamais imaginaria que ele pudesse fazer algo desse tipo.

Então eu relaxo, já foi, o importante agora, e que ela está bem.


- tá tudo bem mãe, você não tem culpa, eu também não imaginei que quele velho faria algo assim.

Não fica se culpando. O importante é que você está bem.

Só, da próxima vez, que alguém for impertinente com você, me avisa, pra eu ficar esperto.


Ela me olha com os grandes olhos brilhantes dela, e consente com um gesto encabulado.


- pensando agora, depois do que aconteceu, vou colocar uma câmera de segurança no nosso quintal.

Assim podemos ficar de olho. E inibir pra que isso não aconteça novamente.


- sério filho, será que é necessário, e a gente não tá podendo gastar dinheiro no momento.


- não é caro não mãe, só uma câmera simples, e depois do que aconteceu, é muito necessário.


Ela não discute, e da de ombros.


- falando nisso tenho uma boa notícia, eu tinha me esquecido pelo que aconteceu, mas melhor te avisar logo. Eu recebi uma proposta de trabalho.


Eu não fico tão empolgado, na verdade estou mais preocupado, ela quase não teve tempo de se recuperar depois de tudo que aconteceu, e ela acabou de sofrer um grande traque.

Não consigo ficar feliz sabendo que ela vai se expor por ai, depois disso tudo.

Mas não quero desmotivá-la.


- sério mãe, já, tão rápido assim?


- foi filho, recebi hoje a tarde, não te falei por que a gente tava enrolado com tudo que aconteceu.

Eu só fui confirmar agora, depois do jantar.


- então a senhora já confirmou, tá mesmo pronta pra isso?


- estou filho, eu estava ansiosa, to muito animada.


Eu não consigo demonstrar a mesma animação.


- tem certeza mãe, você passou por muita coisa em tão pouco tempo, está mesmo se sentindo bem pra sair assim.

Não precisa ter pressa, eu to conseguindo me virar nos trabalhos.

E outra, eu estive pensando, se não der pra gente conseguir o valor pra pagar a dívida da casa.

A gente pode se mudar, podemos alugar um lugar menor e mais barato.

Não sei se vou conseguir ajuntar a quantia necessária para pagar as dívidas dessa casa.

Mas com certeza consigo sustentar a gente em um outro lugar mais modesto.

Sem a pressão de arcar com as dívidas que o pai fez.


Ela fica pensativa, olhando em minha direção.


- ai filho, eu sei que o valor que temos que pagar e muito fora da nossa realidade.

Mas eu quero tentar, você estava tão confiante, e disposto, mesmo tendo que fazer todo trabalho sozinho.

Agora que apareceu uma oportunidade e eu posso contribuir. Você quer desistir.

Vamos ao menos tentar, não quero desistir dessa casa assim. Não quero que seu pai consiga tirar tudo que é nosso por direito. Essa casa é nossa.


Fico comovido por ela, realmente eu também não quero deixar o pilantra do meu pai se sair vitorioso. E conseguir tomar tudo.

Essa casa foi comprada com o dinheiro da minha mãe, não podemos sair sem nada.


- mas eu só estou preocupado com você mãe, imagino como esses dias foram traumatizantes pra você, e depois do que aconteceu hoje, sei que não é fácil suportar.


Ela passa a mão pelo meu rosto, acariciando minha bochecha.


- eu to bem meu amor, é sério. Na verdade estou me sentindo bem como nunca estive.

Eu sempre fui dependente do seu pai, sempre imaginei que ele fosse o pilar da nossa família,

E que sem ele nós não sobreviveríamos.

Mas olhe pra gente, depois de tudo que passamos, estamos bem, e podemos nos virar.

Mesmo que tudo de errado, sei que daremos um jeito.

E não precisamos do seu pai, sei que se trabalharmos juntos, podemos resolver tudo.

Você tem se esforçado muito filho, e eu quero isso, eu quero fazer parte desse esforço.


Eu sorrio com o canto da boca, não vou impedi-la. O que posso fazer é dar meu apoio, pois ela sempre me apoiou. Mas ainda sinto medo do que pode acontecer, depois de hoje, não consigo ficar tranquilo.


- mas então, onde é esse serviço.


Mudo meu tom, e tento parecer otimista, para animá-la.


- ai filho, deixa eu te mostrar.


Ela pega o celular, e abre o e-mail que recebeu.

Era para um serviço de faxina, a remuneração era baixa, mas o lugar ficava apenas a trinta minutos de ônibus daqui.


- é só um começo, sei que o valor é baixo, mas posso fazer uns três desse por dia, quem sabe até mais.


- é verdade, você pode cobrar valores até maiores dependendo do lugar.


- um hum. E outra, quem sabe em um desses, encontro um de cozinheira, e consigo me estabelecer.

Cozinheira ganha bem sabia.


Eu me divirto com a empolgação dela, tomara que de tudo certo, mas não quero que ela se desgaste muito.

Mas agora vou apoiá-la, só o tempo vai dizer como isso vai ser.


Conversamos mais um pouco antes de pegar no sono. Ela quer dormir cedo, pra acordar bem-disposta amanhã.

Acordo cedo, olho para o despertador e são seis horas.

Não tenho horário para o trabalho, mas quero começar o mais cedo possível, não só para recuperar o dia de ontem.

Mas também para fazer o máximo de serviços possíveis no dia.

Aquela sensação novamente, demoro para reconhecer aonde estou, me sinto revigorado.

E lembro que dormi na cama da minha mãe novamente.

A mesma sensação de sonho, um sonho bom eu acho, mas que não me lembro.

O cheiro do café já domina a casa, me dando motivação pra levantar.

Droga, meu pau está duro novamente, por sorte coloquei uma cueca bem apertada.

Mas o volume é visível, e embaraçoso. Mas acho que minha mãe não notou nada, por sorte eu estava coberto.

Vou para meu quarto, e visto uma calça com um tecido mais grosso e mais folgada, para disfarçar.

Depois vou para a cozinha.

Minha mãe está animada, ela me dá o rosto, esperando seu beijo de bom dia.

Pergunto que horas ela vai pro serviço, ela diz que é só as nove.

Tomamos o café juntos, e digo pra ela que estarei o dia todo em casa, pra ela ficar me mandando mensagem, sempre que conseguir, até terminar o serviço.

Depois quando estiver chegando, me avisar que eu esperarei ela no ponto de ônibus.

Ela brinca me chamando de papai.

Depois ela vai se arrumar, e eu limpo a mesa do café pra ajudar.

Oito horas em ponto ela está pronta, toda perfumada. E com sua bolsa a tiracolo.

Ela me pergunta se está bem, eu digo que ela está linda.

Ela parece uma criança em seu primeiro dia de aula.

Eu me arrumo rapidamente, digo que vou levá-la até o ponto.

Ela diz que não precisa, mas eu faço questão, e ela nem disfarça que gosta da ideia.

Ao sair de casa, e satisfatório saber que não veremos mais aquele velho.

A casa dele está toda fechada, e o lugar onde o traste costumava ficar, curiando a nossa vida.

Agora só tem uma mancha de sangue seca, no lugar onde eu joguei aquele saco de bosta.

Só de imaginar que aquele velho estava me vigiando todo esse tempo, decorando meus horários, para poder se aproveitar da minha mãe.

Mas agora eu estarei em casa, o problema é que ela não, e isso me deixa aflito.

Afasto meus pensamentos disso, para não desanimá-la.

Minha mãe, usa meu braço direito de alça, e segura firmemente, e vamos andando para o ponto de ônibus.

No caminho e irritante, as vizinhas olhando a gente passar.

Como se fossem câmeras vigiando nossos movimentos, curiosas pra saber o que aconteceu ontem, se já não souberem.

Minha mãe é educada, e sorri desejando um bom dia tímido.

Sei que ela está um pouco envergonhada com os olhares delas, mas não deixa de ser educada.

No ponto de ônibus, ela espera ansiosa, antes do ônibus dela chegar, ela me pede pra passar no mercado se der.

E me dá uma pequena lista de coisas, diz que quando chegar vai preparar o jantar.

Mas que o almoço ela já deixou separado pra mim, e só por no forno e esquentar.

Pois ela só estará em casa depois das três.

O ônibus chega, e ela me da um beijo na bochecha rápido.

Digo pra ela não esquecer de me avisar minutos antes de chegar no ponto.

Pra eu poder já estar lá esperando ela.

Vejo ela embarcar junto com uma pequena fila de passageiros, e me dá um aperto no coração.

Fico observando até o ônibus sumir na curva, e depois vou no mercadinho pegar o que minha mãe pediu.

No mercado tento ignorar os olhares, e os cochichos, escuto uma senhora cochichando o nome do senhor Luiz para outras duas olhando na minha direção.

Eu ignoro, e faço o que tenho que fazer.

No caixa até a moça que me atende é curiosa, ela é mais simpática, e sempre trocamos algumas palavras quando venho aqui, dessa vez ela olhou pra minha mão enfaixada e perguntou se estava tudo bem.

Sei que ela queria uma resposta mais explicativa, e saber o que aconteceu.

Mas eu não sou assim, digo pra ela apenas, tudo bem.

Ela é uma moça até que bonita, deve ser pouca coisa mais velha que eu, e sempre me dá uns olhares prolongados, e alguns sorrisos sem motivo. Mas ela namora, e não quero me envolver.

Deixo os curiosos ainda mais curiosos, e vou pra casa com minhas compras.

Quando chego em casa, me bate uma sensação estranha. Não encontro minha mãe como sempre encontrei a primeira vista.

E me lembro de ontem quando ouvi o grito, e entrei desesperado procurando ela, e senti a mesma sensação que agora.

Mas é só impressão, ela está bem.

Para me sentir ainda mais tranquilo, mando uma mensagem, dizendo pra ela me avisar, quando chegar no local do serviço.

Menos de um minuto depois, ela responde dizendo, tá bom, com um emoji mandando beijo.

Me sinto aliviado.

Guardo as compras e me preparo para iniciar os trabalhos.


Começo a minha rotina, verificando todas as minhas fontes de renda. Mas os resultados ainda não são muito animadores, consegui mais duas vendas, mas não muda nada ainda.

Começo a editar alguns reels para meus canais dark, faço vídeos curtos, com no máximo um minuto. Usei a I.A, para facilitar, e como base usei alguns vídeos já existente.

Fiz alguns poucos vídeos, apenas para começar, e depois iria acrescentando diariamente.

Fiquei mais tranquilo quando recebi uma mensagem da minha mãe dizendo que já tinha chego ao local do serviço. E tentei me concentrar nos serviços de programação.

Eu sempre fazia uma pausa, e mandava uma mensagem pra minha mãe, perguntando se estava tudo bem. E ela sempre respondia que sim para me tranquilizar.

As horas passaram, e estava tão concentrado que esqueci até de almoçar.

E quando vi já estava recebendo uma mensagem da minha mãe, dizendo que já estava chegando.

Eu dei uma pausa no trabalho, e me arrumei para ir buscá-la.

Era pouco mais das três da tarde, e eu já estava no ponto esperando.

Tive uma grande sensação de alivio quando vi ela descendo do ônibus sã e salva.

Ela também abriu um largo sorriso quando me viu.

Viemos o caminho de volta pra casa e ela quis passar no mercado para comprar mais algumas coisas que esqueceu de pedir.

Tentamos ignorar os olhares dos curiosos, minha mãe chegava a cumprimentar aqueles que a olhavam.

No caixa a atendente como sempre foi educada, e me deu alguns sorrisos.

Ela sabia que quem estava ao meu lado era minha mãe, já passamos algumas vezes por esse mercado juntos.

No caminho de volta estávamos de braços dados, e conversávamos sem prestar atenção nas pessoas que sempre nós olhava, com curiosidade, ainda curiosos sobre o que aconteceu ontem.

Minha mãe me deixou envergonhado, falando sobre os olhares da atendente do caixa.

Dizendo que percebeu os sorrisos que ela me lançava, eu argumentei dizendo que não tinha nada a ver. E ela fez biquinho com uma cara triste, dizendo que logo, eu deixaria ela de lado, e esqueceria a mamãe.

Eu beijei a mão dela e disse que isso jamais aconteceria.

Chegamos em casa, e ela foi logo tirando os sapatos, e se largando no sofá.

Disse que gostava de ir trabalhar, mas não tinha nada melhor do que estar em casa.

Mas ela não ficou por muito tempo relaxando. Logo foi preparar alguma coisa para comer.

Ela já tinha deixado nosso almoço separado, ficou chateada vendo que eu não toquei no almoço que ela deixou separado pra mim.

Eu inventei uma desculpa rápida e disse que queria esperar para almoçar com ela, o que deixou ela contente.

Esquentamos nosso almoço, e conversamos, e ela estava empolgada, contando como foi seu dia.

E estava contente pois no mesmo lugar aonde tinha feito o serviço, conseguiu mais duas casas para trabalhar amanhã.

Eu fiquei surpreso, e pedi apenas pra que ela não se desgastasse tanto. Mas ela estava empolgada, disse que conseguiria dar conta.

Depois do almoço, eu lavei a louça pra ela poder tomar banho. E depois retomei meus trabalhos.

Enquanto trabalhava pensava em como poderia levantar mais dinheiro.

E dei uma olhada pelo meu quarto, tinha muitas coisas que fazia tempo que não usava.

E resolvi colocar a venda.

Tinha um play 5, encostado, e alguns actions figures de alguns personagens de animes que eu gostava. Mas eram apenas enfeite, e nesse momento eu precisava do dinheiro, mais do que tudo.

Também tinha alguns livros que eu já li, que usava só de decoração, e uma bicicleta que faz tempo que usei. Pensei em vender os equipamentos de musculação, mas desisti, pois ainda uso para me exercitar.

Separei algumas coisas, e poderia render um bom dinheiro, que já ajudaria no montante que preciso.

Mas eu usaria parte da venda desses itens, para poder divulgar minhas páginas e aumentar a visibilidade o mais rápido possível.

Já tinha escurecido, e minha mãe avisou que o jantar estava pronto.

No jantar, contei para minha mãe, sobre as coisas que vou colocar a venda e que usaria parte para conseguir fazer mais dinheiro, e a outra para complementar o valor que precisaria.

Ela ficou chateada por eu precisar ter que se desfazer das minhas coisas, mas tranquilizei ela dizendo que são coisas que agora não fazem mais sentido.

Então ela também disse que tinha algumas coisas que queria pôr a venda pra ajudar, e disse que depois olharia nas coisas dela e me avisaria.

Jantamos e depois voltei para o trabalho. Minha mãe arrumou o que precisava na casa, e depois ficou um tempo relaxando assistindo seus programas.

Horas depois ela me avisa que já está indo pra cama, pois está um pouco cansada, e que tem que acordar cedo amanhã. Eu desejo boa noite, e ela pergunta se vou ir dormir com ela hoje.

Faço uma cara de infelicidade, e digo que pretendo ficar mais algumas horas trabalhando.

Ela faz beicinho, e diz pra mim não ficar sem dormir, e descaçar um pouco.

Eu concordo e ela me dá um beijo carinhoso na bochecha.

Fico até as quatro fazendo alguns serviços, poderia ficar mais, pois não estou com tanto sono.

Mas prefiro ir dormir um pouco, pois não quero estar esgotado amanhã.

Programo o despertador para as sete, quero tomar o café da manhã com minha mãe, e levar ela no ponto. Quero aproveitar o máximo de tempo que puder ficar com ela.


Acordo as sete graças ao despertador. É ruim dormir sozinho, depois que senti a sensação de dormir ao lado da minha mãe, eu só percebi isso agora, pois antes não me incomodava.

Na cozinha ela já está de pé, e fazendo o café, mas já está vestida para sair.

Ela se surpreende quando apareço, e diz que achou que eu ia dormir mais um pouco.

Digo que não quero perder a chance de tomar café com ela, e ela fica feliz.

Enquanto comemos, ela diz que provavelmente hoje vai chegar um pouco mais tarde, pois tem duas casas pra fazer hoje. Eu fico triste, mas já era de se esperar.

Enquanto ela arruma a mesa, eu vou me trocar para poder acompanhá-la até o ponto.

Ela me diz que não precisa, que não quer me fazer perder tempo.

Eu digo que insisto, e que ela nunca é uma perda de tempo, e passarei o dia todo em casa mesmo, terei muito tempo pra fazer os trabalhos.

Ela abre um sorriso encantada e suspira dizendo, quem dera se pudesse ganhar dinheiro trabalhando em casa também.

Isso me deixa muito animado, pois e realmente o que eu pretendo pra ela.

Se eu conseguir fazer um dos meus canais engrenar, vou logo introduzir ela em alguma atividade que ela goste. Assim trabalharemos juntos.

Não digo nada agora, pois isso está longe de acontecer, se acontecer é claro.

Mas por enquanto vamos nos virando.

Antes de sairmos ela pega uma bolsa e me entrega. Ela diz que são as coisas que ela separou para eu pôr a venda.

Disse que depois dá uma olhada melhor, mas que eu posso me desfazer de tudo que está ali.

Eu pergunto se ela tem certeza e ela confirma sem titubear.

Olho rapidamente para dentro da sacola e vejo um estojo aveludado.

Pego o objeto e abro. É uma correntinha de ouro, a que ela mais gosta.

Eu olho pra ela confuso, pois ela sempre amou essa corrente


- tem certeza mesmo mãe?


- tenho filho, eu ia jogar ela fora mesmo.


Ela diz isso com rancor.

Olho para a corrente e vejo os pingentes com as iniciais do meu pai. E entendo por que ela quer se desfazer.


- foi uma das únicas coisas verdadeiras que ele me deu, é de ouro de verdade. Deve valer alguma coisa.


- a senhora pode tirar o pingente e usar só a corrente.


- não, não quero mais, eu só gostava dela pelo significado, agora não significa mais nada.


Ela diz de forma dura, com rancor. Eu não questiono mais.

Ela diz que quando tiver tempo vai fazer uma geral na casa, e ver tudo o que a gente não precisa mais, e se tem alguma coisa que dá pra vender e levantar um dinheiro.

E reforçou que eu poderia vender tudo que tem na sacola, que ela tem certeza que não precisa mais.

Deixo a sacola de lado e nos preparamos para sair.

Acompanho ela por todo o caminho, e digo pra ela não esquecer as mensagens.

E que estarei no ponto esperando por ela. Um último beijo carinhoso no rosto, e desejo boa sorte pra ela.


Em casa comecei imediatamente os trabalhos.

Depois de uma conferida rápida nos meus canais, que ainda não tem nenhuma empolgação.

Edito alguns vídeos para subir para os canais, tento fazer uns dez por dia. Pois tenho que me dedicar a plataforma remota, que está me dando os maiores ganhos no momento.

Antes de começar os trabalhos remotos. Abro uma conta em algumas e-commerces.

Para poder colocar as minhas coisas e as da minha mãe a venda.

Uso os mais conhecidos, para ter visibilidade, e já acrescento nas minhas páginas de filiado para poder ter ainda mais lucros com a venda.

Eu preciso tirar algumas fotos dos objetos, para usar na página.

Perco algum tempo fazendo isso, poderia usar fotos da internet. Mas prefiro mostrar o original.

Para mostrar o estado real da peça.

A sacola que minha mãe me deu, não tem muita coisa, apenas a correntinha, outra bijuterias. Dois pares de sapato salto alto, que estão novinhos na caixa ainda. E uma câmera digital.

Acho que ninguém usa mais isso, mas não custa nada tentar.

Essa câmera era minha, ficou muito tempo encostada no meu quarto, depois do celular, nunca mais precisei dela, achei que tinha jogado fora faz tempo. Mas minha mãe que estava com ela.

Tiro todas as fotos, e subo os itens nos e-commerces, agora vou me concentrar no trabalho.

Mas antes aproveito para pedir uma câmera, para poder instalar no quintal.

Escolho a mais em conta, que tenha uma boa imagem e visão noturna mas que tenha um peço acessível.

Feito o pedido começo a fazer os trabalhos.

Fico sempre de olho no celular, preocupado com minha mãe, e fico feliz quando recebo as mensagens dela.

Já é três horas da tarde, por um instante tomei um susto, pensando em correr para o ponto para buscar ela. Mas lembrei que ela vai chegar mais tarde hoje.

Fui esquentar meu almoço, e percebo que só tem um prato, ela levou o almoço dela.

Me dá uma sensação de tristeza, é a primeira vez que almoço sem ela.

Mas me alegro um pouco quando recebo uma mensagem dela carregada de emojis carinhos, falando pra eu não esquecer de almoçar.

Depois do almoço volta para o trabalho, termino mais alguns e logo tenho uma decepção.

Percebo que os trabalhos disponíveis estão demorando par aparecer na plataforma.

As vezes demoro algum tempo tentando encontrar um contrato disponível.

Isso me preocupa, quase me dando um pânico. Pois percebo que não é um número infinito de trabalho. E seu eu ficar sem trabalho pra fazer. Esse até o momento era minha principal fonte.

Achei que poderia fazer quantos eu quisesse e sempre estariam disponíveis, isso me dava uma luz achando que eu poderia arrecadar o valor que preciso, apenas com o meu esforço.

Mas não é desse jeito, e isso me deixa preocupado.

Enquanto espero a plataforma carregar novos trabalhos, tento desesperadamente imaginar novos meios de continuar trabalhando. Mas nada que possa me dar uma renda imediata vem a minha mente.

Fico pensando nos canais e sites que eu abri na internet, e sonhando em como seria bom se um dos meus canais explodisse de uma hora pra outra, e eu ficasse que nem aqueles gurus falando de como me tornei um milionário com a internet.

Isso me causa um pouco de revolta e desespero, pois sei que as coisas não acontecem assim.

Pra ser como esses caras, o principal e ser coisas que não sou. Comunicativo, manipulador e inescrupuloso.

Tento botar minha mente para trabalhar, mas não consigo pensar em nada.

De repente me lembro de um filme que assisti há um tempo atrás;

O filme começava com a história de dois caras, dois doidões que tiveram uma ideia pra ganha dinheiro com a internet.

Eles usavam fotos de mulheres peladas, vendendo packs dessas fotos, cobrando alguns dólares para liberar os packs.

O filme se passava em um tempo antigo, no início da internet, e os caras iam em clubes de Strip e em casas noturnas para tirar fotos das garotas, algo assim, não e lembro bem.

O negócio é que começou devagar, eles colocaram um som de sino como alerta no computador, para cada venda que eles fizessem. E no começo o sino disparava timidamente.

Mas depois o negócio disparou, e ele rapidamente tiveram que desativar os alertas de tanto barulho que a máquina fazia, indicando as vendas que eles estavam fazendo. E logo esses caras tinham criado um negócio bilionário.

Lembro-me até de uma frase que ouvi no filme, um cara dizia. (Que a pornografia movimenta bilhões de dólares por ano, mesmo que ninguém veja pornografia.) algo assim sei lá.

Logico que isso era sarcasmo, por que tomo mundo vê pornografia, as pessoas só são mentirosas mesmo.

Os contratos de trabalho estavam demorando para aparecer. E fiquei pensando sobre esse filme, era um filme antigo de 2009 se não me engano. Comecei a procurar por ele, pra ter alguma ideia.

Consegui achar o nome do filme procurando pelo nome do ator principal. (Intermediário.com), esse era o nome do filme.

Achei com facilidade no YouTube, e comecei a assistir enquanto esperava aparecer algum trabalho.

Logo de início o filme me deu muitas ideias, me lembro que já tinha tentado algo assim alguns anos atrás. Mas não tive muito sucesso, na verdade não insisti muito, não tinha muita experiência, e não sabia nada sobre divulgação.

Mas agora eu sabia o que fazer, e usaria esse filme como base.

Primeiro eu precisaria de muitas fotos de mulheres bonitas e gostosas.

Sei que eu não podia simplesmente publicar fotos de outras pessoas, pois poderia ter muitos problemas, assim como os caras nos filmes.

Então usaria a inteligência artificial para me ajudar a fazer modificações nas imagens.

Antigamente eu fazia imagens para alguns comics e vídeos 3D, nada sofisticado. Eu pretendia vender para algum criador, que quisesse usá-las em seus trabalhos. Eu usava personagens de jogos como inspiração. Mas não tive muito sucesso.

Na verdade não me empenhei e não soube divulgar, e acabei deixando de lado.

Depois do filme e com algumas ideias do que fazer, tentei acessar o site que tinha criado para divulgar as fotos que criava antigamente.

E pra minha felicidade ele ainda estava ativo. Passei algum tempo remodelando e tornando mais atrativo. Usei as ferramentas atuais que estavam bem mais avançadas, para mudar completamente a cara do site. Fiquei muito contente com o resultado.

Fiz uma pausa na criação, para fazer alguns trabalhos que chegaram, e quando percebi já começava a escurecer.

Comecei a ficar preocupado com minha mãe, e mandei uma mensagem. Logo depois ela responde falando que já ia me mandar uma mensagem e que está chegando perto do ponto de ônibus.

Eu me arrumo e vou buscá-la.

Ela parece cansada mas abre um sorriso quando me vê.

Vinhemos direto pra casa, e ela desaba no sofá satisfeita por estar em casa.

Eu pergunto se ela está com fome, e digo que vou ajudar ela a preparar o jantar.

Ela diz pra mim não se preocupar, e não quer me atrapalhar.

Eu digo que está tudo bem, que já adiantei muito os serviços. Mas a verdade é que não tem mais tantos serviços disponíveis no momento.

Ajudo ela a preparar o jantar, e enquanto as panelas estão no fogo ela vai tomar um banho.

Já são oito da noite e começamos a jantar.

Conversamos e ela conta como o dia foi corrido, eu me preocupo com ela perguntando se ela está cansada. Ela diz que sim, mas é mais por falta de costume.

Eu compreendo, limpar duas casas ao mesmo dia é muito serviço.

Mas pra minha surpresa e ainda mais preocupação, ela diz que amanhã já tem três serviços marcados. Eu não escondo minha preocupação.


- três mãe, não precisa disso tudo.


- não se preocupa meu amor, eu dou conta, são só mais algumas horas a mais.


- não mãe, e o seu esforço, isso vai te deixar esgotada.


- eu sei filho, mas tenho que aproveitar, não é direto que esses serviços aparecem.

E por sorte ficam próximos um do outro, eu nem preciso perder muito tempo no transporte.


- poxa mãe, eu sei que a gente tá precisando, mas não precisa ser assim, dois já era exagero, mas agora três no dia.


- eu sei filho, mas não vai ser direto, só aproveitei a oportunidade. Prometo que não vou fazer isso direto.


Eu estava preocupado com a saúde dela, hoje foi apenas seu segundo dia, e ela já parece bem cansada, mesmo com dois serviços, imagina três em um único dia.

Ela estava se esforçando, para ganhar o máximo possível, mas, mesmo assim, os valores eram baixos, e não sei se valeria a pena continuar com isso.


- fica tranquilo filho, eu dou conta, se me sentir muito cansada depois, pego apenas um serviço depois pra poder dar uma descansada.


- tudo bem mãe, mas se tiver que prejudicar nossa saúde por isso, não vale a pena.


- verdade filho, mas fica tranquilo, a mãe da conta.


Ela diz com um sorriso animado mostrando o muque fazendo graça, para me tranquilizar.


Continuamos o jantar e ela pergunta se já consegui vender as coisas.

Eu digo que já coloquei no site, mas ainda não tive nenhuma venda.

E ela disse que depois procuraria mais coisas e ia deixar separado.

Depois do jantar ela senta na sala para relaxar.

Dois trabalhos aparecem pra mim, eu termino rapidamente e enquanto não aparecem mais, uso o temo pra dar uma polida no meu novo site.

Fico pensando na minha mãe, e resolvo fazer um agrado pra ela.

Sei que ela está cansada e deve ter passado a maior parte do tempo em pé.

Vou no quarto dela e pego o creme para os pés e vou pra sala.

Quando ela me vê com o creme na mão, não esconde sua felicidade.


- nossa, filho! Parece que você leu minha mente.


Eu me sento ao lado dela, e ela coloca as penas sobre as minhas coxas.

Começo a espalhar o creme, e ela já solta gemidinhos de satisfação.

Começo devagar, e ela vai me falando os pontos que está sentindo mais desconforto, para eu dar mais atenção.

Os pé dela são pequenininhos, quase de criança, as unhas estão bem-feitas, e pintadas, com um esmalte rosa clarinho.

Os pés dela são delicados e bonitos, eu sinto dó dela pelo esforço que deve ter feito hoje.

E amanhã vai ser pior ainda.

Faço o meu melhor, não tenho experiencia, mas parece que estou fazendo um bom trabalho.

Pois ela solta leve gemidos, e parece totalmente relaxada.

Pouco tempo depois, percebo que ela caiu no sono, e digo pra ela ir se deitar.

Ela está tão cansada que nem discute, e eu ajudo ela a chegar na cama escorando ela no meu ombro.

Ela está sonolenta, e depois que eu cubro ela, ela segura minha mão pedindo pra eu ficar com ela.

Eu bem que queria, mas tenho que aproveitar a noite e a madrugada, para pegar os trabalhos antes que os outros.

Ela entende e me solta fazendo cara de chateada meio sonolenta. Dou um beijo no rosto dela, e encosto a porta antes de sair.

Por sorte os trabalhos começaram a chegar, e eu aprovei o máximo que consegui.

Dessa vez passo a madrugada toda, pra aproveitar o máximo de trabalho. Pois sei que depois eles podem ficar escassos.

Sou pego de surpresa com o despertador do quarto da minha mãe tocando, e logo ela se levanta.

Passei a noite em claro, mas não estou com sono ainda.

Quando ele passa pelo meu quarto, finjo que acabei de levantar, pra ela não se preocupar.

Ela vem até mim ainda sonolenta me dar um beijo de bom dia.

Tomamos café juntos, e combinamos nosso dia.

Ela diz que hoje pode chegar ainda mais tarde, mas que vai me avisando pra eu não me preocupar.

E diz que ainda não conseguiu separar as coisas pra colocar pra vender, mas que vai fazer isso amanhã com mais calma.

Eu digo pra ela não se preocupar, que não tem pressa.

Levo ela até o ponto e nos despedimos.

Volto direto pro trabalho, e tento aproveitar o máximo antes deles ficarem escassos, pois quando ficarem, quero finalizar logo o meu site, e começar a baixar as fotos na internet.


Consegui fazer alguns trabalhos pela manhã, mas depois do meio dia os contratos começaram a ficar em falta.

Aproveitei para finalizar meu site. Depois do site finalizado, comecei a procurar várias fotos de garotas aleatórias na inter.

Só baixaria fotos de desconhecidas, e alterar na I.A depois para não correr o mesmo risco dos dois doidões do filme.

Baixei muitas fotos e não queria misturar com meus arquivos no armazenamento do PC.

Precisava de armazenamento extra para manter o conteúdo em ordem.

Procurei em minhas gavetas algum pendrive para usar só para essa finalidade.

Não encontrei nenhum. E engraçado quando você precisa de algo você nunca tem.

Já estava pensando em ter que comprar um, e ter que gastar mais dinheiro.

Mas lembrei que a câmera digital que minha mãe colocou pra venda, tinha um cartão de memória.

Esperançoso verifiquei e por sorte estava lá

Retirei o cartão, e conectei em um adaptador para usar no PC. Agora poderia tranquilamente usar os arquivos das fotos salvas tanto no PC quanto no notebook sem perder tempo.

O cartão de memória tinha um espaço razoável, e supriria minhas necessidades pelo menos por enquanto.

Assim que conectei o dispositivo logo ele foi reconhecido, verifiquei os dados de armazenamento do cartão, e estava praticamente vazio, a diferença devia ser os drives obrigatórios.

Pensei em fazer uma formatação pra me certificar de obter o maior espaço possível.

Mas nesse instante a campainha tocou, e alguém chamou pelo meu nome no portão.

Era uma voz de homem, tive um susto momentâneo, mas logo lembrei da câmera que comprei.

Pra não perder tempo, arrastei todas as fotos que baixei pra dentro do ícone do cartão de memória.

Poderia demorar um pouco a transferência, e ganharia esse tempo enquanto recebia a entrega.

Deixei os arquivos sendo transferidos e fui receber a encomenda.

Rapidamente me identifiquei e assinei o comprovante de recebimento.

Depois voltei para verificar se todo o conteúdo já havia sido transferido.

Mas ainda estava na metade, então resolvi ir almoçar.

Esquentei meu almoço que minha mãe, já deixou pronto na geladeira, e levei para o quarto para continuar com os trabalhos.

Minha mãe não gostava que eu fizesse isso, ela sempre brigava quando me pegava comendo no quarto ou na sala. Isso me trouxe um sentimento de tristeza, pois me dei conta que ela não estava aqui agora, e o pior hoje chegaria ainda mais tarde.

Depois de transferir os arquivos, dei uma olhada e estava tudo em ordem.

Um trabalho ficou disponível na plataforma e eu peguei rápido.

Eu conclui o trabalho enquanto almoçava, e depois fui alterar as fotos com a ajuda da I.A, pois não tinha mais trabalhos disponível por enquanto.

Iria de início usar o que eu já conhecia, transformar aquela imagem de uma moça real, em uma figura 3D.

Teria que dar os comandos individuais para cada imagem, para ter alguma originalidade.

E poder mudar o cenário e até cabelo, cor de olhos e coisas assim para modificar o máximo possível.

Assim como os doidões fizeram no filme, separei por categorias, e sem muito conhecimento, usei o conteúdo que eles mais tiveram sucesso, que (era dona de casa que gostam de dar a bunda) como base principal.

Mudei o formato do corpo de algumas modelos, dando mais volume nos peitos e no quadril.

Para deixar ainda mais chamativo.

Fiz também outras categorias como adolescentes, morenas, loiras e ruivas, entre outras.

Fiz o máximo que consegui só para iniciar. E depois iria acrescentando conteúdo, e me ajustando conforme o gosto preferencial dos assinantes.

Entre um trabalho e outro, eu consegui fazer uma quantidade de conteúdo considerável, já daria para iniciar e carregar as fotos no site.

Coloquei todo conteúdo inicial para fazer upload no meu site, e iria demorar um pouco pelo jeito.

Enquanto não tinha nada pra fazer aproveitei pra ver se consigo instalar a câmera que comprei.

Comprei uma de instalação fácil com Wi-Fi, consegui encontrar alguns ferramentas e a furadeira do meu pai.

Quando sai do quarto, percebi que já tinha escurecido, já passava das seis horas da noite.

Peguei meu celular, e mandei uma mensagem pra minha mãe, fiquei um pouco preocupado, pois ela demorou para responder.

Mas logo recebi a resposta, ela disse que já estava terminando a última casa, e depois estaria indo embora. Fiquei aliviado, mas triste em imaginar pelo que ela estava passando.

Fiz a instalação da câmera, e não foi muito difícil, coloquei ela num lugar alto parafusada na parede da casa, posicionei para pegar o portão e os muros de cada lado.

Depois fiz a configuração no aplicativo, e fiquei satisfeito com a imagem e a posição que consegui.

A câmera pegava quase todo o quintal, e quase não deixava pontos cegos.

No futuro quando as coisas desapertarem, eu colocarei uma do outro lado, para pegar a porta de entrada da casa.

Já passava das sete quando terminei a instalação, e todo o conteúdo tinha sido carregado na minha página.

Tinha mais um trabalho disponível, e eu aproveitei para fazê-lo.

Depois do trabalho, comecei a organizar o meu site, e separar por categoria.

Coloquei um valor de nove e noventa e nove, assim como aprendi no filme, para liberar o acesso e o download das imagens, seria um incio pra ver como as coisas se iniciam, depois iria adaptando o site e os valores, conforme colocasse mais conteúdo.

Já passavam das nove, e minha angustia aumentava, pois ninha mãe, ainda não deu sinais de chegar.

Mandei outra mensagem, e fiquei contente por ela ter respondido rápido, falando que já terminou e está indo pegar o ônibus.

Aproveite esse tempo, para adiantar as coisas para o jantar, cortei os legumes, e temperei a carne.

E coloquei o arroz na panela.

Quando minha mãe chegasse era só por no fogo, enquanto ela tomava banho.

Quando deu dez e dez da noite, ela avisou que estava chegando.

Eu conferi se tudo estava certo e fui para o ponto esperar por ela.

Me deu um aperto tão grande no coração, quando a vi se aproximando, ela ainda não tinha me visto, e me procurava, mas vi como ela parecia estar cansada em sua expressão.

Mas logo que seus olhos me encontraram, ela se iluminou com um sorriso.

Recebi ela com um abraço e tirei a bolsa de seus ombros, para aliviar o peso do cansaço do dia.

E voltamos de braços dados conversando pra casa, sei que ela estava exausta, mas falava com animação sobre o dia dela.

Eu quis surpreendê-la, e assim que chagamos no portão de casa, eu mostrei a nossa imagem na gravação da câmera que instalei.

Ela sorriu divertidamente, e me elogiou por ser tão inteligente.

Assim que entramos em casa ganhei mais elogios, por ter adiantado o jantar.

Ela estava exausta então disse pra ela ir tomando banho, que eu colocaria a comida no fogo, pra ir adiantando. Ela afundou minha bochecha com um beijo apertado. Cheio de carinho e gratidão.

Assim que ela saiu do banho, o jantar já estava pronto, nós nos servimos e jantamos juntos.

Conversamos, e ela disse o quanto o dia foi cansativo, e depois pra minha infelicidade revelou que tinha mais três trabalhos para amanhã.

Eu não contive minha insatisfação, eu sabia o quanto isso era desgastante.

Ela disse que aceitou pra não perder o cliente, pois ele precisava com urgência.

E que conseguia dar conta, mas que no dia depois, só marcou dois serviços, e evitaria pegar três no mesmo dia.

Ela tentava manter o ânimo, mas sei o quanto isso faz mal.

Mas no momento não tínhamos escolha, acho que deveria ser grato por aparecer trabalho.

Mas minha maior preocupação era ela.


Depois do jantar, quis fazer de tudo pra deixá-la relaxada, ela tentou relaxar um pouco assistindo seus programas, eu aproveitei para ir pegar o creme e fazer outra massagem nos pês dela.

Ela já estava dormindo no sofá quando cheguei. Eu acordei ela para levá-la para o quarto.

Sonolenta ela nem questionou, e ajudei ela a chegar lá.

Minha intenção era apenas levá-la para o quarto, mas quando ela viu o creme em minhas mãos pediu de forma manhosa para fazer uma massagem nela.

Logico que eu não neguei, e me coloquei nos pês da cama para massagear os pês dela.

Ela estava confortável, deitada em sua cama, e não demorou muito para cair no sono, depois de alguns gemidos de satisfação.

Achei que ela já estivesse em sono profundo, mas ela resmungou, pedindo pra eu continuar quando parei de massagear os pés dela.

Eu obedeci e continuei, subindo até a panturrilha e o joelho, e só o jeito de ronronar e os leves gemidos, me diziam o quanto ela estava gostando.

Sonolenta, ela pediu pra que eu dormisse com ela, mas eu tinha que aproveitar a madrugada para pegar alguns contratos, então tive que recusar mais uma vez.

Ela ronronou tristemente, como uma criança fazendo manha, quase caindo no sono.

E depois de mais algum tempo de massagem, percebi que ela já estava em sono profundo.

Eu cobri ela com o cobertor, e sai sem fazer barulho.

Já estava sentindo os efeitos de passar a noite toda do dia anterior acordado.

Mas não podia perder a oportunidade dos trabalhos no site.

Eu estava com muito sono, eu devia ter usado a tarde para dormir, para poder ter energia na madrugada.

Mas com todos os serviços para fazer acabei ficando sem tempo.

Eu tinha que resistir, e aproveitar o máximo de contratos nesse horário.

Mesmo morrendo de sono, eu consegui segurar.

Ouvi o despertador da minha mãe, e repeti a mesma ação de ontem pra ela achar que acabei de levantar.

Depois de se arrumar e de um café rápido, ela já estava pronta pra sair.

Levei ela no ponto, mas ainda não conseguia me conformar com todo o sacrifício que ela estava fazendo.

Ela tentou me tranquilizar dizendo que amanhã ela vai ter mais tempo pra descansar.

Nos despedimos com um abraço e um beijo, e com o coração apertado vejo ela partindo num ônibus lotado.


Em casa tento aproveitar o máximo de trabalhos que consigo.

Tenho que pegar o máximo, pois pretendo usar a tarde para dormir um pouco.

Depois do meio dia, é quando começa a dar uma queda na aparição de contratos, e já sinto o peso dos dias sem dormir.

Estou cansado, e vou esquentar meu almoço antes de cair no sono.

Antes aproveito para verificar os meus sites, e fazer algumas divulgações.

Dou um pouco mais de enfase no meu novo trabalho, e espalho em todos os sites com nesse segmento adulto.

Tenho que editar mais alguns vídeos para minha paginas, e colocar mais conteúdo no meu site.

Mas vou deixar isso pra depois.

Antes de me deitar, vejo os números de todos os canais e sites que tenho em aberto.

Fico feliz em ver que já tive as primeiras visualizações nos meus canais. E também mais algumas vendas nas minhas paginas de filiação.

Isso seria motivo de comemoração, se fosse em outra ocasião, mas no momento só consigo pensar que é insuficiente, e que estou muito longe de obter um valor significativo, para conseguir pagar a dívida.

O site que acabei de abrir com o conteúdo adulto, ainda não teve um acesso se quer. Mas tenho que ser paciente, as coisas são assim mesmo. Espero que com a divulgação que fiz agora, obtenha mais resultado. Mas a verdade é que o mundo está cheio demais, tem muito de tudo hoje em dia. Chega a ser difícil escolher o que se quer ver, com tanto conteúdo.

Mas não posso desanimar, e peço a deus, para que as coisas melhorem logo, para poder tirar minha mãe desse desespero.

Mas tenho uma boa notícia, consegui concluir a venda do play 5, dos sapatos da minha mãe, de alguns livros e de alguns action figure.

O valor é considerável, contando que coloquei o preço abaixo do que as pesquisas que fiz para cada produto.

Vai render um dinheiro legal, que pode nos dar um folego esse mês.

Anoto todos os dados dos compradores, e respondo as mensagens do site.

Porem só poderei receber o valor das vendas, depois da confirmação da entrega.

Anoto tudo com calma, e verifico com atenção, tudo para não cair em golpe, tem muito malandro safado hoje em dia. Eu sei muito bem disso, meu pai é um desses.

Esse pensamento corta minha alma como uma faca cega. Que me faz lembrar que estamos passando por tudo isso por causa dele, e a lembrança de Oggi segurando o crânio em suas mãos reaparece em minha mente.

Não quero perder tempo, e depois de obter todas as informações, me apresso para enviar os itens que foram vendidos.

Retiro as etiquetas para enviar os produtos para um ponto de entrega para a coleta.

Por sorte tenho algumas caixas sobrando em casa, e uso elas para embalar os objetos.

Depois que tenho tudo pronto tenho que ir até o ponto de coleta, não fica longe de casa, e consigo ir andando, como não estou carregando muito peso, é tranquilo.

No ponto de coleta apresento as etiquetas, mas tenho que desembolsar mais algum dinheiro, pois sou informado pelo responsável do lugar, que os produtos não podem ser enviados com aquelas caixas.

Pago o valor e ele embrulha tudo em um papel padrão, e etiqueta tudo deixando pronto para o envio.

Eu recebo os comprovantes, agora é só aguardar a confirmação.

Chego em casa e tem mais um contrato, mas estou acabado, e prefiro ir dormir.

Programo o despertador para as três da tarde, assim posso continuar os trabalhos depois.


Graças ao despertador acordo no horário, sento meu corpo todo moído, e uma vontade de querer dormir mais.

Mas não posso perder tempo, tenho que ajustar meus horários, e não ficar mais tanto tempo sem dormir.

Verifico se tem alguma mensagem da minha mãe, e não tem, só a que ela manda antes confirmando que chegou no trabalho.

Volto a fazer os meus trabalhos, e ainda não tem muitos contratos disponíveis.

Então aproveito para editar mais alguns vídeos e mais algumas fotos.

As horas passam rápido e quando percebo já passa das sete da noite.

Faço mais alguns trabalhos e depois faço o upload dos conteúdos que criei.

Já é quase nove, e minha mãe avisa que já está terminando o último serviço.

Antes de eu ir preparar as coisas para o jantar, eu aproveito pra dar uma olhada nos rendimentos gerais.

Fico contente em ver que o site adulto, já tiveram seus primeiros acessos, e já consegui uma venda.

Percebo que o conteúdo mais acessado é o das milfs e os de donas de casa.

Realmente o filme tinha razão. Mas eu não coloquei nenhum som de aviso para cada acesso ou venda como no filme, prefiro ser surpreendido quando acessar a página.

Mas ainda é tudo muito insignificante, para comemorar.

Torço pra que logo consiga receber o dinheiro das vendas dos produtos, assim poderei investir mais um pouco na divulgação.

Vou tomar um banho rápido e preparar o jantar, no mesmo horário de ontem minha mãe avisa que já está chegando. Vou buscá-la.

Em casa ela desaba no sofá, como sempre me agradece por adiantar as coisas.

Ela está exausta, mas fico um pouco feliz em saber que amanhã ela só tem dois serviços marcados.

Mas o que eu queria de verdade é que ela descansasse.

Ela vai tomar banho, mas volta chateada comigo carregando o meu prato do almoço que esqueci no quarto.

Tento contornar a situação dizendo que vou lavar, mas ela diz que não é por causa disso.

Diz que faz mal pra saúde comer de frente pra a tela do computador.

Eu quase respondo falando sobre se o excesso de esforço que ela está fazendo no trabalho, também não faz mal. Mas me calo e prefiro não aborrecer ela.

É pra ser honesto, eu estou errado o prato largado no quarto, e comer em frente ao monitor pode ser evitado. Ou, pelo menos, tenho que prestar mais atenção, pra não deixar o prato lá pra ela ver.

Jantamos e conversamos sobre nosso dia. Falo sobre as vendas e que conseguimos um bom dinheiro.

Falando em dinheiro, ela quer me entregar o dinheiro que ela conseguiu trabalhando.

Mas digo pra ela ficar com ele, e a gente ajunta tudo que conseguimos no fim do mês.

Ela insiste diz que tem medo de gastar, mas digo que ela vai ter que aprender a controlar seu orçamento, e que vai ser bom pra ela ter dinheiro em mãos se precisar.

Ela diz que vai colocar na conta, mas que antes de gastar em qualquer coisa, ela vai me avisar.

Antes de dormir, ela me pede outra massagem, e eu fico feliz em fazê-la, mas não posso dormir ao lado dela quando ela me pede novamente.

Passo a madrugada trabalhando, e agora planejarei meu horário dessa forma.

Trabalho a noite e a madrugada, e deixarei pra dormir a tarde, quando o volume de contratos são menores.


Continuamos nessa rotina durante os dias que se passam.

Já passou a primeira semana do mês, e estamos ainda longe do valor da dívida, olha que nem estou contando com os valores das contas e despesas.

Ainda não recebi pelos produtos que vendi, diz que já foi entregue, mas demora algum tempo para a confirmação do site, e como conta apenas dias uteis, só vou receber na terça-feira da outra semana.

Eu e minha mãe, estamos trabalhando incansavelmente.

Mas o desgaste dessa primeira semana é aparente. Minha mãe tem tentado evitar pegar mais de dois serviços por dia, mas ela acaba cedendo com medo de perder o cliente para outra.

Eu fico angustiado por ver ela se esforçando tanto assim, mas eu também não estou diferente, quase não estou dormindo, e até esqueço de comer as vezes concentrado nos trabalhos.


Por fim o dinheiro das vendas caiu, fico aliviado, pois um monte de coisa passa na minha cabeça.

Agora posso investir uma parte em divulgação, e a outra eu vou colocar no montante da dívida.

Eu sempre explico sobre isso para minha mãe, mas ela não entende muito bem sobre o dinheiro pra divulgação, diz apenas que confia em mim, e que sabe que eu estou fazendo o melhor.

Isso me deixa orgulhoso, mas, ao mesmo tempo, apreensivo, pois se esse dinheiro gasto com divulgação não der em nada, só estou perdendo um dinheiro importante, dinheiro que está fazendo falta. Mas tenho que confiar e ter fé.

Alias, mesmo que colocasse tudo para o pagamento da dívida, no mês seguinte não teríamos como contar com ele, e nossas contas estariam ainda mais apertadas.

É melhor mesmo tentar e investir em algo que possa trazer ainda mais dinheiro. Só torço para que de certo, e seja rápido.


Depois que recebi o dinheiro foi o que fiz, coloquei parte dele em divulgação na internet.

Dando ainda mais prioridade para o site de conteúdo adulto.

Eu e minha mãe continuamos trabalhando, e nos virando como dava.

Já era o fim da segunda semana e estávamos ainda mais exaustos.

Minha mãe disse que evitaria fazer três trabalhos no mesmo dia, mas acabou fazendo isso por cinco vezes nessa semana.

Eu também não posso falar nada, pois passei quase três dias sem dormir, pois quis aproveitar uma alta demanda de contratos que apareceu essa semana.

Meus canais continuavam tendo altas nos números, mas nada ainda que pudesse nos salvar.

Porem notei que o site adulto estava se destacando dos outros.

A categoria milfs, e dona de casas continuava liderando os acessos.

Mas também as de pata de camelo, e peitões, tiveram aumentos nos acessos.

Não era nada grandioso, mas já me deixou animado.

E já recebia algumas mensagens dos assinantes.

Resolvi ir verificar as imagens mais votadas para poder investir exatamente no que os assinantes queriam.

Era um pouco mais trabalhoso, do que investir logo pela categoria, pois tinha que olhar imagem por imagem.

Mas assim eu teria noção exata no que deveria priorizar.

Procurei pelas categorias as fotos mais vistas e as que mais tinham ganhado likes.

E pra minha surpresa tinham três fotos que se repetiam em todas essas categorias, e eram as mais votadas em disparado.

Para meu espanto, eu não me lembrava de ter carregado aquelas imagens.

O mais estranho e que elas não pareciam ter sido editadas, pareciam fotos amadoras, e real, sem a textura 3D que eu colocava.

Nas imagens pareciam da mesma garota, o formato do corpo, e as posses eram idênticos, mudando apenas a vestimenta.

Parecia com as fotos que eu baixei, pois era de alguma garota desconhecida, mas eu não consigo me lembrar.

A garota parecia estar com uma máquina fotográfica de frente para um espelho, e seu rosto estava coberto, parcialmente cortado, por isso não dava para identificar. Mas realmente, seu corpo era uma delicia.

Em uma das fotos ela usava um maio branco, em outra um biquíni rosa claro, e em outra uma lingerie preta com espartilho e cinta liga.

Nenhuma das fotos era vulgar, e as vestimentas eram até bem-comportadas.

O tecido cobria toda a parte íntima, como os seios, sem deixar muito amostra, e também cobria por completo a parte pubiana.

Porem mesmo assim, sua figura era erótica, pois seus seios eram volumosos e cheios, como dois balões pesados cheios de água. E a marca dos mamilos no tecido deixava ainda mais erótico.

Mas a parte de baixo era a melhor, o volume da sua buceta era delicioso.

Deixava o tecido volumoso, estufado e marcando, com uma fenda partindo o tecido levemente.

Realmente uma bela pata de camelo.

As mensagens os assinantes perguntavam quem era ela. E pediam mais conteúdo dela.

Três até se dispunham a pagar por cada foto a mais que eu tivesse dela.

Mas eu não tinha noção, eu não lembrava daquelas fotos.

Eu fiquei admirando aquele corpo maravilhoso aqueles peito e quadril grande, contrastando com uma cintura fina e delicada, um umbigo perfeito.

Ela parecia quase umas das minhas edições 3D, só que real, e mais perfeita.

Eu senti meu pau endurecendo aos poucos e comecei a acariciar.

Quanto mais eu olhava para aquele corpo perfeito, mais tesão eu sentia.

Eu olhei pra porta do quarto me sentindo um pouco culpado, olhei o celular pra ver que horas eram, e faltava muito ainda pro horário da minha mãe chegar.

Então não resisti, tirei o pau pra fora e comecei a esfregar.

Eu ainda estava intrigado pensando em que site peguei aquelas imagens, mas esfregava a cabeça do meu pau com o polegar suavemente, sentindo um choque de prazer em cada movimento.

Eu olhava fixamente aquele volume da buceta daquela deusa, imaginando como seria delicioso esfregar a pontinha da cabeça do meu pau ali.

Eu me imaginava abocanhando e apertando aqueles peitos, enquanto forçava lentamente a entrada da buceta dela com meu pau, empurrando devagarinho.

Eu já não estava mais aguentando, e poderia gozar a qualquer momento.

Mesmo com o mínimo movimento que fazia com minha mão esfregando com cuidado o polegar na cabecinha, sentia que estava quase explodindo.

Já fazia tempo que não batia uma, e a cabeça do meu pau estava inchada e dura como uma pedra.

Eu percorri meus olhos por todo o corpo daquela maravilha.

A pele branca, lisa e sedosa, era uma pena que a vestimenta não deixasse mostrar mais da pele dela.

Todas cobriam muito bem, deixando apenas a barriga e as coxas expostas.

Na que ela estava usando um biquíni, ela usava um tomara que caia, que cobria todo o peito, mas era possível ver uma pequena fenda na parte de cima, mostrando a divisória entre eles.

E eu imaginava como deviam ser deliciosos.

Ela era magra, com a clavícula levemente marcada, e o pescoço fino.

Infelizmente não dava pra ver nada do rosto dela, apenas uma pequena pontinha do queixo.

Eu estava delirando, e queria aproveitar aquele momento imaginando mais sobre ela.

Mas quando me aproximo pra tentar ver melhor a imagem, algo chama minha atenção.

Eu paro o que estou fazendo por um momento, mas sem largar meu pau que seguro com a mão esquerda.

Eu aperto os olhos, para ajustar a visão, e tentar ver melhor. Sem conseguir distinguir o que vejo, eu amplio a imagem.

A imagem fica um pouco distorcida mas consigo ver uma pequena pintinha na ponta do queixo da mulher.

Imediatamente vem a imagem da minha mãe na cabeça.

Minha mãe tem uma pintinha igual a essa, eu me aproximo ainda mais, pra entender se é uma pinta mesmo, ou um pixel.

Quando rolo o scroll do mouse para baixo, tomo um susto.

Agora consigo ver nitidamente que a mulher usa uma correntinha dourada, e o pingente é o mesmo que minha mãe usava.

Eu fico durante algum tempo paralisado, e tentando distinguir o que estou vendo.

Percebo que ainda estou com meu pau na mão, e rapidamente guardo ele dentro da calça. Sentindo-me envergonhado.

Eu levanto e pego o estojo aveludado que minha mãe me deu com sua corrente.

Abro e fico comparando com o da imagem, e é idêntico.

Eu fico durante algum tempo olhando entre o estojo em minha mão, e a imagem na tela do computador.

Demora um pouco pra aceitar, mas aquela pintinha no mesmo lugar que minha mãe tem.

E aquela corrente idêntica a que estou segurando, e que minha mãe usava constantemente.

Não deixa dúvida, a mulher da foto, é minha Mãe.