Sem Retorno – Capítulo 3
Já passava das três da tarde quando cheguei em casa.
No caminho liguei para o serviço para justificar a minha falta, eles compreenderam e disseram para eu entrar as sete amanhã.
Antes de entrar em casa, fico procurando a melhor forma de como revelar tudo isso pra minha mãe.
O velho fofoqueiro está sentado na calçada de frete para a casa dele.
Minha aparência deve estar péssima, pois pego ele me olhando intrigado. Mas quando percebe que eu estou de olho nele ele desvia o rosto disfarçando.
Entro em casa sem se quer cumprimentá-lo e ele também não faz questão, Bem melhor assim.
Quando entro pela porta da frente minha mãe está na sala, ela se levanta apressada como se estivesse ansiosa por minha chegada.
Pela expressão dela, sei que recebeu más notícias.
- filho que bom que você chegou, você está bem.
Ela percebe de imediato, que as coisas não foram boas, minha postura e expressão não conseguem disfarçar.
Eu dou um leve sorriso, pra tranquilizá-la, e por estar feliz por vê-la em casa.
Ela passa a mão pelos meus braços, como se quisesse me reconfortar.
Eu pego as mãos dela e olho em seus olhos.
- vamos sentar mãe, a gente tem que conversar.
- o que aconteceu filho, meu deus, você não imaginar, eu ainda não to conseguindo acreditar.
Você não sabe o que a dona Sônia me disse.
Minha mãe estava agitada, e falava rapidamente, quase embaralhando as palavras, de nervoso.
Mas eu já sabia o que ela falaria.
- mãe calma, eu já sei.
Quando eu digo isso, os ombros dela desabam, e ela afasta um pouco o seu corpo, para me olhar nos olhos.
Estamos sentados lado a lado, com o corpo um pouco virados quase nos deixando frente a frente.
Ela me olha profundamente, e seus olhos já estão marejados.
- o que filho, o que tá acontecendo, que papéis são esse.
Ela percebe os papéis em minha mão.
- primeiro, quero que a senhora se acalme, eu não vou esconder nada da senhora.
Mas preciso que a senhor se acalme e escute tudo.
Minha mãe se cala, e assente com a cabeça confirmando que ira fazer o que eu pedi.
Não consigo esconder o quão sério é o que estou prestes a contar.
E ela pressente isso em meu comportamento, e de seus olhos já escorrem algumas lágrimas timidamente.
Eu uso meu polegar, para limpar essas lágrimas, e começo a contar tudo pra ela.
Eu não escondo nada, assim como Oggi fez comigo, eu vou usando as provas nos papéis, para acompanhar o que estou dizendo.
Minha mãe se manter firme e não interrompe, deixando eu continuar.
Mas não controla a surpresa sobre cada revelação, as vezes tapando a boca chocada com o que está vendo.
Lagrimas silenciosas escorrem de seu rosto, quando ela descobre que meu pai praticamente roubou a herança que seus pais deixaram pra ela.
Mas se manter firme e continua escutando.
Ela agora está com o corpo virado de frente para TV, as pernas juntas e por vezes leva as mãos ao rosto respirando fundo.
Depois de contar tudo, digo a conclusão.
Que na verdade meu pai fugiu com outra mulher, roubou tudo da gente, nos deixando sem nada.
E apagou todo o passado da vida dele, inclusive eu e ela.
E difícil até pra eu imaginar isso, nem sei como ela está se sentindo agora.
Mas eu contei, não poupei nenhum detalhe.
Contei sobre as dividas que meu pai deixou, e com o tipo de pessoa que meu pai se meteu, e nos envolveu.
Falei sobre a proposta de Oggi, e das consequências.
Falei tudo, não deixei passar nada.
Minha mãe fica em silêncio, ela não me olha, ela encara fixamente os pês da estante como se sua mente tivesse parado de funcionar, quase não sinto ela respirar.
Estou preocupado com ela, e antes que eu faça um movimento para abraçá-la e tentar consolá-la.
Minha mãe se levanta, ela não parece triste, mas sim furiosa.
Eu nunca tinha visto aquela expressão no rosto dela. Na verdade apenas uma vez, quando ela ficou com ciumes pois achou que uma mulher estava dando encima do meu pai no mercado.
Mas dessa vez era pior, era um misto de ódio, fúria, revolta. Um amontoado de sentimentos.
Eu tentei chamar por ela, mas ela começou a balbuciar alguma coisa, que foi aumentando de tom aos poucos.
- ela sabe, ela tá escondendo ele, ela vai ver.
Antes que eu fizesse qualquer coisa ela saiu em disparada a passos firme em direção a porta.
Eu tentei segurá-la, mas ela se desvencilhou, eu me pus a frente dela preocupado.
- mãe calma, o que a senhora tá fazendo.
- sai filho, eu vou atrás dela, eu sei que ela sabe onde ele está.
- quem mãe, de quem você tá falando.
- aquela bruxa da mãe dele filho, eu sei que ela tá escondendo ele.
Imediatamente raciocino, e realmente faz sentido.
Meu pai sempre foi muito apegado com a mãe, e ela faria tudo por ele.
Se alguém sabia de alguma coisa, com certeza era ela. Mas com certeza ela não nos contaria.
- mãe, escuta, não vai ser legal a gente ir lá, a senhora acha que ela vai dizer alguma coisa pra gente.
Mas minhas tentativas não surtiam efeito, minha mãe estava decidida.
- mas eu vou lá, quero olhar na cara da bruxa, pra ela saber que eu sei. Pra saber quem é o príncipe dela.
Eu não podia pará-la, então sai atrás dela para protegê-la.
Eu fiquei um pouco para trás, para poder trancar a casa, tive que correr para conseguir alcançá-la mais a frente.
A casa da mãe do meu pai ficava alguns quarterões de distancia, não era muito longe.
Uns vinte minutos de caminhada. Mas minha mãe estava andando muito rápido.
Eu por todo o caminho falava com ela, tentando persuadi-la a desistir.
Mas ela parecia em transe, apenas continuava olhando furiosa pra frente sem parrar de andar.
Já era mais de cinco da tarde eu acho, o sol já estava baixo.
Minha mãe andava tão rápido que logo chegamos ao baixo aonde a mãe do meu pai vivia.
O lugar era silencioso, um bairro mais nobre, quase não se ouvia barulho, apenas alguns carros passando, e raramente víamos pessoas na rua.
Quando chegamos no portão da casa da mãe do meu pai.
Minha mãe sem preder tempo, já começou a apertar a campainha freneticamente.
- calma mãe.
Eu ainda tentava contornar a situação, Mas ela me ignorava.
- Marluce, Marluce, sai que eu sei que você tá ai.
Minha mãe, gritava e apertava a campainha ao mesmo tempo, procurando nas janelas pela velha.
Eu olhava em volta um pouco constrangido, e já se via alguns curiosos aparecendo nas janelas das outras casas, por causa do barulho.
- Marluce, vem aqui, eu sei que você tá se escondendo.
Minha mãe gritava, e depois de alguns minutos, minha avó apareceu.
Ela já abriu a porta com a cara fechada, mas não se aproximou do portão.
- o que você tá querendo aqui fazendo essa zona.
Minha avó gritou da porta de entrada da casa dela.
- onde tá o seu filho, eu sei que você tá escondendo ele.
- escondendo meu filho, você é a mulher dele, e sua obrigação saber onde seu marido está.
- fala logo bruxa, diz aonde aquele covarde está.
Nunca tinha visto minha mãe desse jeito, e nunca se quer ouvi ela falando uma palavra feia.
Parecia até outra pessoa.
Seu rosto branco estava muito vermelho, e as veias do pescoço dela estavam salientes.
- você e muito sem classe mesmo sua interesseira, em vez de estar preocupa com seu marido, está aqui fazendo escândalo.
- preocupada, você sabe o que aquele rato fez, ele tirou tudo de mim e do filho dele, e fugiu.
Eu percebo um leve sorriso de satisfação quando minha avó escuta o que minha mãe diz.
Não tem surpresa na expressão dela, apenas um leve sorriso debochado.
- eu rezo pra deus pra que seja isso mesmo, sempre rezei para que meu filho abrisse os olhos, e enxergasse a besteira que fez na vida dele, em trazer uma desqualificada que nem você pra nossa família.
Uma maltrapilha sem gratidão e aproveitadora, aplicou o golpe da barriga no meu filho.
E agora ta desesperada por que não tem ninguém pra sustentar a vida boa que meu filho te deu.
Hum, tirou tudo de você. Se não fosse pelo meu filho, e o quanto ele se sacrificou por sua família ingrata.
Você e esse moleque mal-educado, ainda estarim com o pé na lama, com sujeira até o os cabelos.
Igual aos seus pais pé rapados.
- as palavras da minha avó cortam feito navalha, ela grita como se fizesse um discurso para todos os que estão ouvindo. Ela debochava fazendo caras e boca.
Quando minha mãe ouviu ela ofender os pais dela, ela perdeu o controle.
Os muros das casas na vizinhança de minha avó, não eram muito altos, eu é minha mãe quase conseguimos olhar por cima, sem se esticar muito.
Minha mãe, estava furiosa, e se apresou para pular o muro.
Eu fui rápido e consegui segurar ela, antes que ela desse um impulso para ir para o outro lado.
Ela ainda se debateu fora de si.
- calma mãe por favor, a gente não vai resolver nada aqui.
- vem sua perdida, eu sempre soube isso de você, sempre dando uma de santa, mas é apenas um animal do mato.
Pula o muro, entra na minha casa pra você ver seu eu não chamo a policia, ai você é esse seu filho, vão direto pra prisão, que é o lugar de gente como vocês.
Minha vontade também é calar dessa velha no murro, mas sei que isso seria muito pior pra gente, então tento acalmar minha mãe.
- vamos embora mãe, ela não vale a pena.
Minha mãe fica tetando se soltar dos meus braços, e a fúria e a agitação a deixam ofegante.
- olha que ridícula, a mulher que em vez de estar preocupada com o marido que desapareceu.
O marido desaparecido, em uma viagem de trabalho, trabalho que dedicou a ela é ao filho dela.
Mas não, ela está no meio da rua, que nem um cão raivoso, levantando falsas acusações, e querendo que os outros resolvam seus problemas.
Faça me o favor, vá trabalhar, sempre foi uma encostada, sempre pendurada sugando o sangue é o suor do meu menino.
Eu rezo a deus para que toda essa tragédia seja uma mentira, e que meu menino esteja em algum lugar, longe de encostos como vocês dois.
Agora sumam daqui, saiam já da minha porta, se ficarem fazendo escando, eu ligarei para a polícia.
A velha é ardilosa, ela discursa fazendo gestos extravagantes, e encena como se estivesse em um palco. Ela dá seu show, para os que estão assistindo.
- vamos mãe, não vamos conseguir nada aqui.
Eu coloco um pouco mais de força, tentando afastar ele do portão sem ser bruto.
E sussurro no ouvido dela, tentando trazer o lado racional dela de volta.
- escuta bem sua bruxa, eu sei tudo o que o seu filho fez, espero mesmo que ele não volte, por que se eu tiver a oportunidade, vou colocar ele na cadeia.
- hum, suma daqui.
Minha mãe estica o pescoço e diz aquelas palavras em fúria, com os dentes serrados, quase cuspindo entre os dentes.
Eu estou de costas para a velha, tentando em um abraço afastar minha mãe dali.
Mas consigo sentir o deboche e desprezo no tom de voz da velha.
Ela bate a porta da casa, e não temos mais o que fazer.
Minha mãe também entendeu que aquilo não tem mais sentido, o corpo dela relaxa um pouco.
E eu envolvo os ombros dela com meu braço e a ajudo a seguir o caminho de volta para casa.
Aos pouco os curiosos, fecham as cortinas de suas janelas, e tudo volta a ficar silencioso.
No caminho de volta, eu fico em silêncio, minha mãe ainda está irada, e consigo ouvir sua respiração agitada.
Já é noite quando chegamos em nossa rua. O velho Luiz está sentado na calçada de sua casa, tomando alguma bebida, as vezes ele e meu pai ficavam juntos, nesse mesmo lugar.
Ele colocava aquela mezinha de ferro de boteco e ficava um de cada lado, jogando domino, e falando besteira, e bebendo até a madrugada.
Dessa vez ele está com um outro vizinho, outro velho, que não sei o nome, mas já o vi por ali.
Assim que ele vê minha mãe e eu se aproximando, ele abre o sorriso.
Eu me adianto indo um pouco mais a frente, para abrir o portão.
Quando minha mãe se aproxima, o velho deseja boa noite, mas ela ignora, na verdade acho que ela nem notou aqueles homens.
Ela estava furiosa, que quando abri o portão, ela entrou direto.
Dentro de casa, eu estou cauteloso, nunca tinha visto minha mãe desse jeito.
Eu vou com calma e faço um carinho com a palma da mão no ombro dela, esfregando suavemente.
- tá tudo bem mãe, respira.
Agora só nos dois em casa, ela me olha nos olhos, sua feição ainda é de ira.
Mas logo ela relaxa, como se me enxergasse e me reconhecesse pela primeira vez.
Ela avança na minha direção e me abraça apertado, envolvendo minhas costas com os braços, e deitando a cabeça no meu peito. E ela desaba em um choro cheio de angustia.
- me perdoa filho, é tudo minha culpa.
Eu envolvo a cabeça dela em meus braços e dou beijos no topo da cabeça dela, para reconfortá-la.
- como assim, mãe, você não tem culpa de nada.
- tenho sim meu amor, eu devia ter percebido, eu devia ter desconfiado.
- não mãe, nada disso é culpa sua, não tinha como a gente saber, o único culpado é ele.
- não, eu sentia que tinha algo errado, eu sentia ele se distanciando, mas achei que se fizesse o meu melhor, tudo iria se ajeitar. Mas eu falhei.
Eu afasto um pouco o corpo dela, e seguro gentilmente o resto dela de frente para o meu.
- não mãe, você não tem culpa de nada, você é maravilhosa, ele que nunca prestou.
Ele que fez tudo errado.
Ela volta a recostar a cabeça no meu peito e chora compulsivamente.
- e agora filho, o que a gente vai fazer, nos não temos mais nada.
Eu faço carinho atrás da cabeça dela com a ponta dos dedos.
- nos temos um ao outro mãe, é tudo o que importa.
Quando digo isso, ela volta a se afasta e me olha nos olhos, ela leva a mão na minha nuca e me puxa para dar um beijo em minha bochecha.
- eu te amo meu amor, você tem razão, ele não levou o mais importante pra mim, pois você é tudo o que importa na minha vida.
Eu dou um sorriso agradecido, e um beijo carinhoso na testa dela.
Ela volta a se confortar no meu peito, só que agora mais calma, controlando o choro, e soluçando menos.
- a gente vai dar um jeito mãe, eu te prometo.
Embora eu não tivesse ideia do que fazer, eu ia tentar de tudo por ela.
- mas como filho ?, o que podemos fazer agora ?.
Eu fiquei em silencio pensativo, tentando colocar meu cérebro para trabalhar, enquanto fazia carinho nos cabelos de minhão mãe, aconchegada no meu peito.
- e se formos a polícia, e se entrássemos com um processo, dizendo tudo o que aconteceu, e que fomos roubados.
Essa empresa não pode tomar o que é nosso assim.
- infelizmente não temos o que fazer contra isso mãe, você mesmo ouviu o que a dona Sônia disse.
Todos os documentos de venda, são legalizados pela lei.
E como eu disse, não é uma boa ideia provocar essas pessoas.
Minha mãe suspira.
- em que inferno aquele homem nos meteu meu filho. Estamos sem saída.
- calma mãe, o importante agora, e cumprir o combinado, caso tudo de errado e não consigamos o dinheiro par pagar as parcelas, infelizmente teremos de sair.
Mas temos esse mês para batalhar, já é mais do que tínhamos.
Eu tento parecer otimista para tranquilizá-la. Mas por dentro sinto que estou perdido em um labirinto.
- aquela velha sabe onde ele está, eu tenho certeza, eu devia ir na polícia e denunciar ela.
- infelizmente não vai adiantar nada mãe, eles não podem obrigar ela a falar.
Vamos descansar um pouco, amanhã tentamos organizar as coisas. E pensar melhor no que podemos fazer.
Minha mãe ainda está um pouco agitada, eu preparo um banho pra ela, pra que ela relaxe um pouco.
Como ficamos o dia todo em correria, minha mãe não teve tempo de preparar o jantar.
Ficamos o dia todo sem comer, por sorte tinha alguma coisa de ontem.
Eu preparei a mesa e servi um pouco pra nós, assim que minha mãe saiu do banho, ela disse que estava sem fome.
Mas eu estava preocupado, ela não comeu nada o dia inteiro.
Eu também não sentia muita fome, mas insisti pra ela, e sentamos juntos, e comi tudo para incentivá-la.
Depois dei um calmante pra ela conseguir relaxar e coloquei ela na cama.
Aos pouco ela foi pegando no sono.
Eu fiquei segurando a mão dela até ela adormecer, enquanto olhava pra ela percebi o contorno de seus olhos vermelhos de tanto chorar.
Senti ódio, um ódio verdadeiro, um ódio mortal do meu pai.
Lembrei do Oggi, e do que ele fez, vi a imagem dele orgulhos segurando aquele crânio com a faca cravada.
E pensei o que eu faria se visse meu pai agora.
Deixei minha mãe descansando e fui para meu quarto, afundei minha cabeça no travesseiro e esvaziei meus pulmões num urro cheio de revolta.
Imagens do meu pai, e daquele velha da mãe dele, passavam como flashes em minha mente.
O sorriso debocha e satisfeito com nosso sofrimento, o jeito como ela nos humilhou.
Eu esmurrei o travesseiro, tomando cuidado pra minha mãe não ouvir.
Já passa das dez da noite, agora mais controlado, estou procurando na internet formas de ganhar algum dinheiro rápido.
Eu gritei tanto abafando o som no travesseiro, que sinto um pouco de dor de cabeça, mas não consigo dormir. Então vou aproveitar cada segundo desse mês, para encontrar uma forma de pagar a dívida.
Já tenho alguma experiência e já li sobre esses assuntos, mas nunca tinha tentado na prática.
Mas agora tentaria em todas as vias.
Sei que poderia facilitar se eu aceitasse a proposta do Oggi, e fizesse alguns trabalhos para a mão branca, como ele deixou a entender.
Mas sei que isso poderia trazer ainda muito mais complicações, e nem consigo imaginar se minha mãe soubesse que estou envolvido nesse mundo.
Ela sempre foi ríspida nesses assuntos, e deixou bem claro que essa é a maior decepção na vida de uma mãe. Então não quero desapontá-la desse jeito. Mas se esse for meu último recurso, terei que tomar uma decisão. Então não descarto essa possibilidade.
Usando alguns de meus conhecimentos com internet, começo pelo básico, e me escrevo como filiado em algumas lojas virtuais.
Sei que isso pode não dar nada, e se der pode demorar muito, mas como disse, vou arriscar em todas as vias.
Também entrei no dropshipping, terei que gastar algum dinheiro para divulgação, e os resultados podem demorar, mas vou arriscar.
Fico algumas horas criando algumas páginas e investindo no Adsense para divulgação.
Mas tenho que ganhar mais dinheiro de forma imediata, então entro em site de programação remota.
É uma forma de fazer dinheiro mais rápido, e já fiz isso algumas vezes, embora os lucros não seja nada impressionante. Pelo menos de início, pois eu não tinha toda a experiência necessária.
Mas fiz alguns trabalhos, pra levantar um dinheiro extra.
Já passava das duas da manhã, e mesmo concentrado ali, escuto um leve som que vem do corredor.
Eu vou olhar e o som vem do quarto da minha mãe.
Deixei a porta do quanto dela aberta pra que eu ficasse de olho, caso ela precisasse.
Chego sem fazer barulho e vejo que ela está cordada, ela está deitada de lado, virada para aporta, o som é do choro dela. Ela tentou abafar mas deu pra ouvir. Quando ela percebe que estou na porta, ela toma um leve susto.
- oi filho, achei que já tivesse ido dormir.
Ela diz envergonhada tentando limpar as lágrimas.
- estou sem sono.
- mas você tem trabalho amanhã meu amor, tem que descansar.
- tá tudo bem, eu consigo me virar. E como a senhora tá.
- to bem filho, só um pouco triste, sabe como é. Vem deita aqui com a mamãe um pouco.
Ela estica a mão na minha direção e eu vou até ela, eu me aninho atrás dela e ficamos de conchinha. Eu passo a mão carinhosamente pelo braço dela, fazendo carinho.
- a senhora não pode ficar chorando assim por ele mãe, não vale a pena marchar seus olhos por causa dele.
Minha mãe vira o pescoço para me olhar.
- eu não to chorando por causa dele não meu amor, eu to chorando de raiva, por ter falhado com você, por deixar ele roubar tudo que deveria ser seu.
- você não falhou em nada mãe, e tudo o que eu quero está aqui do meu lado agora. Pra mim é tudo o que importa.
Ela dá um sorriso alegre e se estica pra beijar meu rosto.
- ai filho, não sei o que faria sem você, você me faz ter esperanças, graças a você eu não desabo de vez. Olha como eu estou, devo parecer uma louca, toda desgrenhada.
Ela passa os dedos pelo rosto com se tivesse tentando se limpar envergonhada.
- nunca mãe, você é a mulher mais linda e maravilhosa desse mundo, não teria como estragar isso.
Ela me olha agora com as bochechas vermelhas e volta a se virar um pouco envergonhada.
- para, você só fala isso por que sou sua mãe.
- to falando sério mãe, você é muito linda de qualquer jeito.
E digo isso espontaneamente, ela é linda de qualquer forma.
Vejo ela sorrindo pelo canto da boca com meu elogio.
- falando nisso, sempre tive curiosidade sobre uma coisa.
Como uma mulher linda e maravilhosa como você, foi casar com um sujeito igual a meu pai. Isso não entra na minha cabeça.
Ela se vira para me olhar novamente, e depois vira todo o corpo, deitando de lado e ficando de frente pra mim.
- vixi filho, isso é uma história muito longa.
Ela diz de forma empolgada e divertida deitada com a cabeça sobre as mãos, me olhando de frente.
- bom nós dois estamos sem sono, pelo jeito temos tempo.
Digo incentivando ela a contar.
Minhã mãe sorri virando um pouco a cabeça para cima e olhando pro teto, como se tentasse recordar.
O sorriso em seu rosto mostra a vontade de compartilhar essa história comigo.
Eu estou deitado encima do meu lado esquerdo do corpo, com os braços encolhidos junto ao corpo
E as mão debaixo das bochechas, e olho pra ela empolgado pra ouvir a história.
- quando eu conheci seu pai eu era só uma menina, eu tinha quatorze anos naquela época.
Eu era besta de tudo, nunca tinha saído daquela cidadezinha.
Um dia fui no mercado com meu pai, pois seu vô vendia alguns materiais do nosso sítio lá, no mercadinho da cidade. Foi quando vi seu pai pela primeira vez.
Ele já era um homem, devia estar com vinte e poucos anos naquela época, a família dele tinha uma casa de campo bonita na região, e ele costuma vir com os pais de vez em quando pra passar a temporada.
Eu nunca tinha visto ele antes, mas aquele dia nos encontramos, na verdade ele me encontrou.
Ele estava no carro dele, com o porta-malas aberto no estacionamento do mercado, ouvindo música e bebendo com alguns amigos, rodeado de meninas.
Eu estava esperando meu pai finalizar o negócio com o dono do mercado, quando seu pai veio até mim.
Ele perguntou meu nome, eu era muito bicho do mato naquele tempo, e quase me escondi atrás do meu pai.
Mas ele insistiu e acabei falando, ele logo veio me dizendo o quanto eu era linda, e que gostou de mim. Nossa como eu era besta.
Eu não achei ele muito bonito de primeira, mas logo me encantei com o jeito direto e confiante dele.
Nunca nenhum menino tinha falado aquilo pra mim.
Bem, é verdade que eu também nunca tinha dado oportunidade pra nenhum deles, e seu pai foi o primeiro que chegou em mim daquele jeito.
Eu fiquei empolgada vendo como as outras meninas ate mais velhas do que eu me olhavam com inveja, por seu pai deixar elas de lado pra vir falar comigo.
Depois eu tive que ir embora com seu avô, e não parava de pensar no sei pai.
E pra minha surpresa não sei como, seu pai descobriu aonde eu morava.
Eu e seus avós vivíamos em um sítio bem pobrezinho, bem afastado da cidade, quase dentro dos matos. Você lembra como era meu filho?
- um pouco. Respondo tentando puxar a imagem na minha mente.
- então, mas do nada seu pai apareceu por lá, ele ficou escondido esperando eu aparecer pra falar comigo.
Lembro que tava que nem uma boba, correndo atrás das galinhas pra mãe, quando ouvi ele assobiando pra mim.
Tomei um susto de primeira achando que fosse um bicho, mas quando o vi, senti meu rosto pegando fogo de vergonha.
Eu até ia correr pra dentro de casa, mas ele me chamou de um jeito tão charmoso que eu não resisti.
Ele disse mais um monte de coisas bonitas, que não parava de pensar em mim, e queria me ver mais. E eu adorava aquilo.
Disse que ia fazer uma festa na casa dele, e queria que eu fosse.
Eu nunca tinha ido em festa de jovem, só em festa de criança, e fiquei empolgada pra ir.
Não tive problema pois meus pais não ligavam de eu sair pra passear, as vezes até insistiam pra eu não ficar todo tempo sozinha, e no horário marcado, seu pai veio me buscar.
Eu me arrumei toda, e ele me elogiou muito.
Quando chegamos na festa, a casa dele era linda, coisa que eu nunca tinha visto.
Os pais dele não estavam naquele dia e só tinha os jovens.
Eu estava muito encabulada, e não sabia o que fazer, mas seu pai fazia o possível pra me deixar confortável.
Na festa tinha umas meninas que eu conhecia, e comecei a ficar mais à vontade.
Mas também tinha umas que eu não conhecia, que me olhavam nervosas, com ciumes do seu pai.
Minhas amigas me animavam, falando que o Tony só falava de mim, que ficou perguntando de mim direto e coisas desse tipo. Incentivando-me a ficar com ele.
Eu já estava apaixonada, mas era muito vergonhosa.
Seu pai passou a festa toda comigo, e não saiu do meu lado.
Eu não bebia mas aquele dia tomei um pouco de vinho pra ter mais coragem, pois eu sabia que seu pai queria me beijar.
Vendo que eu era muito tímida ele não forçou nada, depois da festa me levou pra casa, e eu que reuni toda minha coragem, e pulei encima dele e tasquei um beijo toda desajeitada, depois corri pra casa antes que acontecesse mais alguma coisa.
Depois disso seu pai vinha me ver quase todos os dias, a gente passava horas conversando e nos beijando. Mas eu nunca deixava passar disso.
Ele me dizia que eu seria a mulher dele, e que iria se casar comigo. E sem dizer nada pra mim, se apresentou para os meus pais, me pedindo em namoro.
Eu fiquei toda sem jeito, mas meu coração estava disparado, e quando meus pais deram permissão eu me senti nas nuvens.
Começamos a passar ainda mais tempos juntos, e eu me sentia culpada pois não tinha sido totalmente honesta com seu pai. Eu demorei muito pra me abrir de verdade com ele, pois tinha muita vergonha.
Minha mãe faz uma pausa como se quisesse evitar de contar algo, seu rosto fica muito vermelho, e ela dá um salto de tempo na história pensando que eu não perceberia.
Ficamos aquele mês quase que grudados, um não saia do lado do outro, eu estava apaixonada por seu pai, pois ele me aceitou como eu era, mesmo com meus defeitos. Ele ficou comigo.
- mas que defeitos mãe, você é perfeita.
Digo com toda honestidade.
Ela faz uma cara de agradecida e passa a mão carinhosamente na minha bochecha.
- obrigado meu amor, foi exatamente o que seu pai falou, e isso me conquistou de vez.
Pouco tempo depois seu pai teve que voltar pra cidade, ele ia iniciar a faculdade e não poderia ficar.
Eu chorei muito, mas ele me prometeu que voltaria pra me ver, e quando terminasse os estudos, iria se casar comigo.
Antes de ir embora, ele queria me apresentar para os pais dele, pois eu ainda não tinha conhecido eles.
Eu me arrumei da melhor forma possível, e ele me levou até a casa dele.
Já de cara percebi que a mãe dele, não foi com a minha cara.
Ela me olhou de cima a baixo, e se quer falou comigo, ela saiu pra falar em particular com o Tony, e não voltou mais.
Percebi que a conversa não foi boa, pois seu pai voltou e estava envergonhado.
Ele me pediu desculpas e disse que a mãe, não tava se sentindo bem.
Já seu avô, o pai do seu pai, era mais educado, você não chegou a conhecer ele.
Mas era um homem gordo, careca, bem parecido com seu pai. Chamava, José Gonçalvez.
Ele foi até muito gentil, me cumprimentou e disse pra eu ficar à vontade.
Mas eu não me senti muito bem ali, o lugar era fio sem vida.
Embora a casa e o lugar fosse lindo, a energia dos pais do Tony, deixava tudo triste, bem diferente lá de casa. Então não fiquei muito tempo lá.
Depois ficou um pouco mais difícil de ver seu pai, a gente se falava por telefone quando dava.
E antes de voltar para a cidade ele veio me ver pra ficar um tempo comigo.
Eu estava desolada por ter que me afastar dele, mas ele disse que ia voltar.
Passou um tempo, e eu e seu pai, quase não nos falávamos.
Eu ligava direto, mas ele quase sempre estava ocupado, e quando a mãe dele atendia, até desligava na minha cara.
Mas tempos depois descobri que eu estava grávida, na verdade foi sua avó, minha mãe que percebeu, pois eu não tinha ideia.
Eu tinha conseguido falar com seu pai, e disse pra ele sobre a gravidez.
Ele não demonstrou muita animação, mas disse que ia vir me ver. Mas na verdade ficou ainda mais difícil de eu conseguir falar com ele.
Meu pai ficou furioso, e queria ir atrás dele, porém tempos depois o Tony apareceu.
Ele conversou com meus pais, e disse que assumiria sua responsabilidade.
Disse que no momento estava estudando, mas assim que terminasse os estudos, iria me levar pra morar com ele.
Eu fiquei muito contente, pois cheguei a pensar que ele ia me abandonar.
Passou todo o período de gestação, e você nasceu.
O Tony estava distante por todo esse tempo, mas veio me visitar no dia do seu nascimento. Veio ele e o pai dele o senhor Gonçalvez.
Seu pai estava feliz, e disse que tomaria conta da gente, logo ele terminaria os estudos, e viria buscar a gente.
O senhor Gonçalvez, se responsabilizou por todos os apagamentos médicos, e mandava sempre um auxílio pra gente.
Mas depois de um tempo, o Tony sumiu novamente, e mesmo o auxílio do senhor Gonçalvez, parou de chegar.
Eu estava desesperada, pois seus avos adoeceram, e eu tinha que tomar conta de vocês três.
Você tinha cinco anos quando os seus avós faleceram, você lembra ?
Ela me pergunta com os olhos marejados, mas eu lembro de pouca coisa, então só confirmo com um leve gesto de cabeça.
- as coisas ficaram difíceis pra nos dois, eu não tinha a mínima noção do que fazer, eu não tinha outros familiares e estava sem rumo.
Eu todos os dias tentava falar com seu pai, mas sem sucesso, mas depois de dois anos da morte do seus avós, eu recebi uma ligação do seu pai.
Pela voz ele parecia abalado, eu estava em um misto de alívio e raiva, mas ele me explicou por que sumiu durante tanto tempo.
Disse que o pai tinha morrido, e ele ficou muito abatido, e precisou cuidar das coisas em casa.
Disse que ficou tão abalado com a perda do pai que precisou ser internado em uma clínica.
E ficou por esse tempo desconexo de tudo.
Eu me senti péssima, pois eu sabia muito bem pelo que ele tinha passado.
Eu contei o que tinha acontecido e ele sentiu muito por mim.
Disse que estava com saudades, e queria me ver e queria ver o filho.
Eu também estava morrendo de saudade e quando ele falou que estava vindo pra me ver, eu fiquei muito feliz.
Realmente quando nos revemos, ele parecia muito abatido, estava bem mais magro, e já com entradas profundas nos cabelos.
Mas eu também não era mais aquela menininha.
O importante foi que ele ficou muito feliz em nos ver, e queria matar toda a saudade, por esse tempo afastado.
Logo ele soube como estava minha vida, e que eu não tinha a mínima ideia do que fazer.
Ele tomou a frente e disse que queria levar a gente pra cidade.
Ele falou que agora estava tomando conta dos negócios do pai, e que se vendêssemos o sítio de meus pais, poderia inteirar e comprar uma boa casa na cidade.
Eu dei permissão pra ele, e deixei ele encarregado de tudo, ele disse que o dinheiro do sítio, deu pra inteirar a metade do valor da casa, e a outra metade ele pagaria com o dinheiro dele.
Eu estava muito feliz por estar ao lado dele, e agora tínhamos nossa família reunida.
Eu fui tão cega, que entreguei tudo na mão dele. E agora estamos aqui.
Minha mãe termina a história com pesar, e lágrimas nos olhos.
Eu levo a mão no rosto dela, e limpo as lágrimas com o polegar.
Pensar o quanto meu pai à enganou, e quanto ele roubou dela.
Essa casa era dela, pago com o dinheiro que pertencia a ela.
Meu pai foi um crápula, da pior espécie pelo que fez. E isso me enfurecia.
Pensar que estamos prestes a perder nosso lugar, por causa da canalhice dele.
Eu tive que me controlar, pra não transparece minha revolta naquele momento.
- para mãe, eu já disse, nada disso é culpa sua. Ele te enganou, ele enganou muita gente.
- mas lembrando agora, todos os sinais estavam lá, eu que fui ingênua demais pra perceber.
- mãe, o pai é um criminoso, ele enganou gente muito mais astuta e preparada nessa vida, ele não te merece, ele não merece suas lágrimas, nem as de raiva.
Minha mãe, faz carinho na minha mão que está em seu rosto. E me olha com ternura.
- sabe qual é a melhor parte dessa história. Digo com um sorriso orgulhoso.
- qual. Ela pergunta curiosa.
- a melhor parte, e que eu nasci herdando sua beleza, deus me livre se parecer com ele.
Ela dá uma gargalhada alta, com já fazia tempo que eu não via.
Depois leva a mão em meu rosto, e faz carinho com o polegar em minha bochecha.
- você é lindo meu amor, não se parece nada com ele. Eu tenho muita inveja da moça sortuda que vai conseguir roubar seu coração de mim.
- nunca mãe, meu coração é só seu, jamais irão me afastar de você.
- ah tá, você fala agora, mas quando aparecer um rabo de saia que você goste, a mamãe vai virar vovó rapidinho.
- é mas ainda vai ser a vovó mais linda de todas.
Ela arregala os olhos e me dá um tapinha no ombro, fingindo estar nervosa.
- tá vendo, já tá pensando em me abandonar.
Ela finge estar indignada e rola pro outro lado, dando as costas pra mim.
Eu abraço ela me divertindo, e acaricio o ombro dela, enquanto dou beijos no rosto dela.
- tó brincando mãe, nós estaremos juntos pra sempre, não importa o que aconteça.
Ela segura a minha mão sem olhar pra trás, e passa o polegar nos meus dedos suavemente fazendo carinho.
- que bom meu amor, você é tudo o que mais importa pra mim.
Eu encosto a cabeça na dela, e ficamos juntinho em silêncio, enquanto eu sinto os cheiro floral do shampoo dela em seus cabelos e o perfume do creme em seu corpo.
É uma sensação muito reconfortante, parece que todos os problemas sumiram de nossas vidas, durante aquele momento.
- fica aqui com a mamãe, dorme comigo pra eu não ficar sozinha.
Ela me pede como uma súplica, mas ela nem precisava pedir, pois eu não quero sair do lado dela tão cedo.
Eu apenas beijo sua bochecha, e ficamos em silêncio fazendo suaves carinhos um no outro, até o sono chegar.
Eu desperto e me sinto um pouco confuso. Demoro alguns instantes pra me lembrar aonde estou.
Lembro que dormi no quarto da minha mãe aquela noite, já fazia muito tempo, que não dormia com minha mãe, na verdade a muitos anos, desde os primeiros dias que viemos viver nessa casa.
Mas depois disso, essa foi a primeira vez.
Quando meu cérebro se acostuma sinto um alívio. Olho para a porta que está aberta, e já é dia. A luz do sol ilumina o corredor.
Minha mãe não está na cama, e sinto o cheiro do café vindo da cozinha.
Ainda estou um pouco sonolento, com uma sensação estranha, aquela sensação de ter tido um sonho, mas logo que despertei me esqueci completamente, fica apenas a sensação.
Logo tenho que ir para o serviço, o relógio marca seis e dez da manhã, costumo me arrumar as seis.
E saio as seis e meia, mas como fui dormi tarde ontem, minha mãe deve ter preferido me deixar dormir um pouco mais. O serviço não fica longe daqui, uns dez minutos andando, então tenho tempo.
Assim que me levanto, percebo que meu pau está duro, me curvo extintivamente envergonhado.
Não planejei dormir na cama de minha mãe ontem, então esqueci de pôr a cueca.
Minha samba canção esta esticada como a lona de um circo.
Sinto meu rosto pegando fogo e rezo para que minha mãe não tenha visto isso.
Eu vou correndo na ponta dos pês para o banheiro, por costume corro para o banheiro do corredor que fica entre o quarto da minha mãe e o meu.
No quarto da minha mãe tem banheiro, mas sempre foi de uso de meus pais.
Entro na água quase fria, torcendo para meu pau amolecer logo.
Ele está duro feito uma pedra, e tento pensar em coisas desagradáveis para ajudar.
Não sei por que está assim, deve ter sido o sonho, mas eu não lembro de nada.
Sinto o sangue pulsando pelas veias do meu membro, e um desejo de me masturbar.
Esfrego lentamente, e só de triscar na cabeça inchada, sinto que vou explodir.
Estou quase me empolgando, quando minha mãe bate na porta. Eu tomo um susto, e me cubro.
Minha mãe do outro lado da porta me chama para o café.
- filho, o café tá na mesa, não vai sair sem tomar café não ouviu.
- tá bom mãe, já to indo.
Eu fico aliviado, pois por um instante achei que tinha deixado a porta aberta.
Mas agora me sinto ainda mais envergonhando, pensando se minha mãe me viu nessa situação quando acordou antes de mim.
Tento afastar esse pensamento e parecer o mais natural possível.
Saio do banheiro direto pro meu quarto, e visto o uniforme da empresa.
Depois vou para cozinha ainda um pouco envergonhado.
Relaxo quando vejo minha mãe agindo naturalmente, graças a deus ela não viu nada.
Meu café já está na mesa, e ainda quente.
Sentamos um de frente para o outro, e conversamos enquanto tomamos nosso café.
- acho que vou sair pra procurar um emprego hoje.
Minha mãe me diz motivada.
Eu queria fazê-la desistir, mas tenho noção da nossa situação atual, e toda ajuda será bem-vinda.
Mas sei que ela ainda não está preparada, dependendo da situação, pode ser muito estressante, ainda mais nesse momento que ela está tão abalada, então tento persuadi-la, momentaneamente.
- mãe, realmente agora nossa situação não está legal, e outra fonte de renda pra gente vai ser muito bom. Mas é melhor a senhora se recuperar primeiro, se expor agora pode trazer mais problemas do que solução. Da mais um pouco de tempo, só pra senhora assimilar tudo o que aconteceu.
- ai filho, mas você tá se esforçando tanto pra tomar conta de tudo, que me sinto uma inútil.
- não fala isso mãe, você já faz muito por mim, e graças a você e seus cuidados que tenho disposição todo dia.
Mas como disse é só momentâneo, só pra senhora ter certeza que está pronta para as situações que tem la fora, a senhora mesmo sabe como o serviço pode ser estressante, e depois de tudo que a senhora passou, e melhor descansar mais um pouco.
- mas você passou pelo mesmo filho, e mesmo assim, você já está assumindo as responsabilidades.
- mas nem compara mãe, o impacto em mim, e muito mais leve do que deve ter sido pra você.
O que mais me abalou, foi ver você sofrendo, por isso é melhor a senhora repousar um pouco primeiro. Depois eu mesmo te ajudo como encontrar empregos pela internet.
Pra senhora não precisar ficar andando por ai.
Ela torce o bico, fazendo cara de emburrada.
- tá bom filho, mas eu não vou deixar você se sacrificar sozinho não, eu sei que posso ajudar, e estamos juntos nessa.
Ela me diz com orgulho, e eu sorrio contente por ela estar motivada.
Antes de sair, eu digo pra ela que volto direto pra casa depois do trabalho.
Digo para ela trancar tudo e tentar descansar mais um pouco. Despeço-me dela na porta de entrada e vou para meu serviço.
Porem ao sair pelo portão, o velho já está no posto dele, logo cedo curiando o movimento dos que passam. Ele fica ali com um copinho de café na mão, e um cigarro entre os dedos.
Alguns cumprimentam quando passam por ele, eu o ignoro, e ele faz o mesmo.
Enquanto estou trancando o portão, escuto ele puxando uma escarrada e cuspindo.
Sei que isso é uma forma de provocação. Eu ignoro e nem olho na direção dele, confirmo se o portão está trancado e sigo meu caminho sem olhar pra trás.
No serviço, me justifico mais uma vez pela falta de ontem para o encarregado, mas não conto nada sofre o que aconteceu. Apenas invento uma má digestão, algo desse tipo.
No serviço minha mente viaja, estou prensando e formas de como aumentar a minha renda.
Penso até se seria viável, pedir uma escala em período integral na empresa.
Porem isso seria burrice, pois não tiraria nem perto do que preciso para pagar as dívidas do mês, e não teria mais tempo pra nada.
Mesmo que eu tivesse quatro empregos, eu não bateria a meta da dívida.
E mesmo que conseguisse o valor suficiente em quatro empregos, por quanto tempo conseguiria manter esse ritmo.
Eu acho que infartaria logo no primeiro ano. Se eu conseguisse um cargo alto, que me pagasse algumas dezenas mensais resolveria meu problema, mas não tenho nenhuma formação.
E mesmo em empresas como essa no ramo do tele marketing, os cargos mais altos não devem ganhar mais de três mil por mês. Ou seja, inviável.
O caminho mais promissor hoje em dia é pela internet, vejo vários Youtubers e jovens no Dropshipping que ficaram milionários usando a internet.
Porem meu prazo e curto, ontem eu já dei incio as minhas primeiras tentativas, mas não sou iludido que da noite pro dia uma montanha de dinheiro vá aparecer na minha conta.
Tenho que encontrar outros meios e ramificar minhas investidas em várias possibilidades diferentes.
Eu descarto as bets e o daytrade, não sou estúpido de me arriscar em apostas.
O daytrade nem tanto, mas, mesmo assim, existe o risco de dar merda, e eu mais perder do que ganhar. E não tenho tanta experiência e conhecimento assim para me arriscar.
Além do tempo, que nesse momento para me especializar nisso é muito curto.
Por enquanto vou me concentrar nos trabalhos remotos quando eu estiver em casa.
E separar um puco do dinheiro, pra investir na divulgação das minhas páginas de filiação dos sites de venda.
Minha mente começa a trabalhar, e me lembro sobre alguns vídeos que vi, uns vídeos sobre como criar páginas dark no YouTube. Fazer alguns reels e vídeos com ajuda da inteligência artificial, com vídeos de assuntos chamativos, e tentar lucrar com views. Parece uma boa.
São apenas quatro horas no serviço, mas as horas custam a passar.
Saio as presar para chegar em casa, quando chego na rua de casa, vejo que o velho ainda está sentado em frente a casa dele,, eu entro rápido em casa e quando abro a porta minha mãe está preparando o almoço.
- oi filho, que bom que já chegou, o almoço logo tá pronto.
Eu vou até ela dar um beijo na bochecha dela.
- a senhora conseguiu descansar um pouco mãe.
Pergunto preocupado.
Ela torce um pouco os lábios.
- preferi segurar um pouco filho, se eu tomasse o remédio agora, só ia acordar mais tarde.
E queria deixar tudo pronto pra quando você chegasse, vou descansar depois do almoço.
Faz sentido o que ela disse, dou outro beijo na bochecha dela. E não saio sem provocar.
- e que mãe teimosa viu.
- credo filho, tá me tratando feito uma velha gaga.
Ela diz com um sorriso, e uma falsa expressão de indignação.
- cuidado viu, daqui a pouco eu vou te chamar de Marluce.
Faço uma piada usando o nome da mãe do meu pai.
- creio em deus pai.
Ela faz o sinal da cruz, como se tivesse se protegendo.
- mãe eu vou fazer alguns trabalhos no computador, se precisar de alguma coisa é só chamar.
- tá bom filho, quando o almoço tiver pronto te aviso.
Antes encho minha garrafa com água, e me preparo para encontrar algum trabalho.
Eu sabia que não seria fácil, mas entrei em minhas páginas das minhas lojas, e pra tristeza, ainda não constou nenhuma venda.
Aproveito pra fazer mais um pouco de divulgação, e uso algumas redes sociais usando as plataformas populares para isso.
Depois passo algum tempo fazendo algum serviço remoto, até minha mãe chamar para o almoço.
Almoçamos juntos, e fico feliz em ver que ela está se alimentando, sem eu precisar insistir.
Ela diz que precisa se esforçar, pra me convencer que já está pronta pra trabalhar.
Eu faço uma brincadeira me fingindo que sou o médico dela, e digo que ela tem que repousar.
Tentamos tornar nossos momentos divertido, e afastar nossas mentes dos acontecimentos recentes.
Fico feliz por ver que ela não está mais se isolando no quarto, e chorando escondida.
Pelo menos não quando eu estou em casa. Mas ela parece melhor de verdade.
A tarde depois do almoço, dou um remédio pra ela, pra ela dormir tranquilamente sem ficar acordando e interrompendo o sono.
Ela deita no sofá enquanto assiste TV, ate pegar no sono.
Eu vou para o quarto e continuo atrás de trabalho, tento fazer o mais rápido possível, para acumular meus ganhos.
Está tudo tranquilo, e nem parece que estamos no olho do furacão de nossas vidas.
Minha mãe acorda e já escureceu, ela toma um banho e depois vai preparar o jantar.
Depois do banho ela passa pelo meu quarto e me vê concentrado de frente para o computador.
Ela me envolve em um abraço por trás, apertando levemente meu pescoço.
E o perfume dela me revigora, sinto muita paz e carinho só com o perfume dela.
Ela me pergunta o que estou fazendo, eu dou uma explicação rápida, e ela fica admirada e confusa, vendo aquele monte de símbolos e letras na tela.
Pra quem não conhece, principalmente pessoas como minha mãe, que tiveram pouco acesso à tecnologia. Sei que isso parece coisa de doido.
Minha mãe é muito jovem ainda, mas seus costumes vêm de um tempo antigo.
Coisa da mãe dela, que era muito religiosa, e restringia muitas coisas.
Minha mãe é cristã, frequenta a igreja de vez em quando e tudo mais.
Mas não do nível que minha avó e meu vô eram.
E meu pai também sempre foi muito ciumento com ela, até o celular dela ele regulava, não gostava que ela ficasse pendurada em conversa e redes sociais, e minha mãe na verdade nunca teve muito interesse, o que ela gostava mesmo e de acompanhar vídeos sobre culinária.
Ela me pedia pra usar meu notebook e passava horas, aprendendo e fazendo as receitas que aprendia.
Então quando ela vê o que estou fazendo, pra ela é só uma confusão total.
Ela me dá um beijo apertado na bochecha, e diz que vai preparar o jantar.
Quando o jantar fica pronto ela me chama, as refeições são minhas únicas pausas.
Jantamos e conversamos, eu tento sempre alegrar ela fazendo uma piadinha.
Depois do jantar, não podemos ter nossos momentos juntos assistindo a um filme como antigamente.
Eu tenho que continuar o trabalho. Minha mãe arruma um pouco a casa, e assiste sua novela.
Eu estou a muito tempo concentrado, e nem percebo que horas são.
Minha mãe passa pelo meu quarto, e diz que vai se deitar, eu vejo que já passa da meia noite.
Ela pergunta se já vou pra cama, mas pretendo ficar um pouco mais.
Percebo uma leve pontada de desapontamento nela.
- achei que você fosse dormir com a mamãe hoje de novo.
Ela diz de forma manhosa fazendo bico.
- não da mãe, tenho que aproveitar cada segundo.
Ela faz beicinho, mas depois abre um sorriso orgulhosa.
Ela vem ate mim e me da outro dos seus abraço carinhosos por trás, beijando repetidamente minha bochecha.
- oh, bebe da mamãe, como esse bebe é esforçado. Como eu amo esse bebe lindo.
- para mãe.
Eu tento me desvencilhar dos beijos dela, fingindo irritação.
Ela sabe que eu não gosto quando ela me chama de bebe da mamãe.
Ela sorri alegremente e me dá um último beijo afundando o rosto na minha bochecha.
- tá filho, mas não se desgasta muito tá bom, que horas você entra amanhã no serviço.
- as sete.
Respondo com pesar, tinha me esquecido desse detalhe.
- tá vendo, tenta descansar um pouco, e se quiser ir deitar com a mãe, a porta tá aberta.
Eu faço um sinal positivo, e ela me deseja boa noite antes de ir pro quarto dela.
Bem que eu queria dormir ao lado dela de novo, ontem mesmo com algumas poucas horas, senti como se fosse o melhor sono da minha vida.
Mas não quero passar pelo que aconteceu pela manhã novamente, eu não consigo controlar ele quando estou dormindo, dessa vez tive sorte que minha mãe não tenha visto minha ereção matinal.
Mas é melhor evitar, não quero que o clima entre a gente fique estranho.
Programo o relógio para me alertar as três da manhã, estipulo esse horário para continuar trabalhando, sem varar a noite.
O tempo passa rápido, e desligo o despertado rapidamente antes mesmo do segundo bip.
Por hoje chega, vou dormir um pouco, pois as seis horas já tenho que estar de pé.
Acordei com o despertador a seis horas em ponto.
Minha mãe já estava fazendo o café, eu consegui sentir o aroma.
Estava me sentindo um pouco quebrado, e ainda com sono, mas levantei sem enrolar.
Fui tomar meu banho e antes de me trocar, verifico meu saldo na plataforma de trabalhos remotos.
Com a noite toda praticamente de trabalho consegui ganhar uma boa quantia, mas muito distante ainda do que eu preciso.
Depois de me trocar vou para a cozinha e dou um bom dia pra minha mãe com um beijo em sua bochecha.
Ela pergunta como estou e se dormi bem. Digo que sim para não preocupá-la, mas me sinto um pouco cansado.
Ela serve meu café e sentamos juntos à mesa, e conversamos um pouco.
- Filho depois você me mostra como arrumar emprego na internet como você falou.
- mostro sim mãe, depois do serviço eu te mostro. E a senhora, já está se sentindo melhor.
Ela confirma com um gesto de cabeça, enquanto sorve um pouco do café.
Mas sei que ela apenas faz isso para me tranquilizar.
- eu quero estar preparada, encontrar emprego não é tão fácil, então já quero aprender, e se algum serviço aparecer pra mim, eu já estarei pronta.
Gosto que ela esteja se esforçando, mas não deixo de me preocupar.
Mas não posso ficar segurando ela, e o quanto antes ganharmos mais dinheiro, mais rápido saímos dessa situação.
Termino meu café e me despeço da minha mãe com um beijo.
Saindo de casa, logico, o velho está no seu posto, sentado como um vigia da vida dos outros.
Finjo nem notar a presença dele e vou para o trabalho.
Nos momentos que posso fico tentando imaginar novas maneiras de aumentar minha renda,
E verifico no site de trabalhos remotos, quantos trabalhos igual aqueles deveria fazer por dia, pra atingir a meta da dívida do mês.
Vejo que se eu conseguir trabalhar umas dez horas por dia sem parar, eu consiga junto com meu salário aqui da empresa, me aproximar do valor da dívida,
Porem ainda temos as contas da casa, fora mercado e internet, que é essencial.
E mesmo que eu trabalhe direto em casa e aqui na empresa, teria que ficar sem dormir e parar pra comer, para conseguir bater o valor necessário.
Isso me preocupa, fazer isso de vez em quando beleza, mas todos os dias durante anos é impossível.
Já sinto os efeitos de ter dormido apenas por três horas ontem. Imagina passar dias sobre esse efeito.
Fico imaginando alguns cenários, que possa se encaixar no meu dia, para aumentar a produtividade.
Eu estava esquecendo o dinheiro que estou gastando com anúncios para divulgar os meus sites de venda, ainda é um valor pequeno que estou gastando, mas se quiser ter mais visibilidade e aumentar as possibilidades de venda, terei que gastar bem mais.
É provável que minha mãe logo comece a trabalhar, isso pode ajudar um pouco, mas ela não tem experiência no mercado de trabalho, e não conseguira muitos ganhos de início.
Poderia pagar um curso pra ela expandir suas possibilidades, mas no momento isso é inviável.
Fazendo algumas contas enquanto olho para a página de trabalhos remotos.
Percebo que estou ganhando mais por hora trabalhando em casa, do que ganho com esse serviço aqui na empresa.
Isso acende uma luz de esperança em minha mente, eu passo quase cinco horas por dia aqui na empresa.
Se usasse essas horas para me concentrar nos trabalhos em casa, poderia aumentar consideravelmente minha renda.
Meu dia de serviço termina, e vou pra casa com esse pensamento.
Entro pelo portão sem reparar se o velho estava no posto dele de tão concentrado que estava em meus pensamentos.
Dentro de casa minha mãe me recebe com um sorriso, e está preparando o almoço.
Ela me mostra o que está preparando e meus olhos chegam a brilhar, ela está fazendo lasanha, meu prato predileto.
- eu quis fazer um agrado pra você meu amor, percebi como você tava cansadinho hoje.
Eu não escondo minha animação, adoro a lasanha da minha mãe.
Eu dou um beijo demorado na bochecha dela, e digo que vou trabalhar no quarto, enquanto ela termina de preparar o almoço.
Começo minha rotina em casa, verificando os sites de vendas, e pra minha alegria, vejo que obtive uma venda.
O valor da remuneração é pífio, porém me enche de esperanças, pois já estou indo para algum lugar.
Gasto mais algum tempo com divulgação, e depois vou para a plataforma remota.
Depois de algum tempo minha mãe vem me avisar que o almoço tá na mesa.
Estou morrendo de fome e não perco tempo em me juntar a ela.
No almoço toco no assunto do trabalho com minha mãe, querendo a opinião dela.
Digo sobre os valores que estou conseguindo com cada trabalho, e que acho que vou sair da empresa, pra me concentrar só no trabalho remoto.
Ela não entende muito sobre o que eu estou falando, mas diz que confia em mim, e me apoia.
Eu fico contente pois já tinha decidido ir por esse caminho, só precisava desse apoio para ter certeza.
Depois do almoço, ela me cobra sobre o assunto dela procurar emprego.
Eu digo se ela não prefere falar sobre isso, depois do descanso dela, e digo que vou pegar o remédio. Mas ela me para antes.
- não filho, eu vou parar de tomar esses remédios, tenho que superar isso, ontem já dormi melhor.
E estou me sentindo bem, vendo o quanto você está se esforçando, me dá forças, e está na hora de eu ajudar também.
Sinto-me feliz e orgulhos no modo que ela fala, realmente ela parece melhor, as marcas em seus olhos, já não estão avermelhadas. E até sua voz parece mais alegre.
Ela se aproxima de mim e me abraça apertado.
- durante esses dias eu estava me destruindo por dentro, me concentrando no que eu tinha perdido.
Mas você meu filho, você me faz enxergar que eu não perdi nada. Eu te amo muito meu amor.
Eu não consigo segurar as lágrimas, sentir aquele tipo de admiração e o amor de minha mãe, me faz desabar em lágrimas.
Não lágrimas de tristeza, é um sentimento de conquista, de amor.
Ela leva as duas mãos em meu rosto, e limpa minhas lágrimas com os polegares, enquanto acaricia suavemente minhas bochechas.
Seus olhos estão brilhantes e marejados, mas ela sorri enquanto me olha nos olhos.
- me desculpa meu amor, me desculpa por todos esses dias que eu te deixei preocupado.
Obrigado por cuidar e não desistir de mim.
A mãe tá aqui agora, e sempre estarei aqui pra você, sempre. Porque você é tudo o que eu preciso nessa vida.
Eu respiro fundo, e controlo o choro, seguro as mãos dela nas minhas, e beijo carinhosamente.
- eu jamais desistiria de você mãe, sem você eu não existo.
Eu queria dizer mais coisas para demonstrar o quanto ela significa pra mim.
Mas ninha voz está embargada, e sei se eu continuar, logo vou cair no choro novamente.
Eu limpo meu rosto um pouco envergonhado. Respiro fundo, e abro um sorriso tímido.
- então vamos lá, se prepara pra mais uma aula.
Eu digo de forma cômica, para disfarçar minhas emoções.
Ela sorri mas antes segura meu rosto com uma das mãos, e me beija na bochecha, dizendo que me ama. Eu digo que também a amo.
Sentamos juntos no sofá, e cadastro ela em um site de empregos.
Mostro pra ela como deve ser feito as pesquisas, como ela deve se candidatar, quando achar uma proposta.
Mostro tudo que é necessário, e ajudo ela a fazer um curriculum pra ela.
Deixo ela fazer todo procedimento sozinha pra ela ir se familiarizando. Minha mãe é muito inteligente, só não tem prática, mas aprende tudo rápido e com facilidade.
Depois que ela terminou seu curriculum, ela começou a se candidatar para algumas vagas.
Como ela não tinha nenhuma experiência em carteira nos concentramos nas áreas que ela tinha experiência.
Ela durante todos esses anos se concentrou nos trabalhos de casa, e não tinha receio sobre trabalho.
Na verdade ela estava muito empolgada, eu que estava meio receoso em minha mãe fazendo esses trabalhos em casa dos outros. Mas não tínhamos muita escolha, e nem tempo para isso.
Talvez depois, se eu conseguir aumentar meus ganhos, ela não precise mais ter que trabalhar.
Mas agora, a ajuda dela é muito importante.
Inscrevo ela também em algumas empresas para vagas de atendente ou recepcionista.
Ela é linda, e esses empregos combinariam muito com ela.
Mas comparando os ganhos mensais de serviços como diarista autônoma, e os salários oferecidos das empresas, os de diarista seriam maiores.
E ela mesmo prefere esse tipo de serviço, fica até empolgada com a possibilidade de trabalhar em alguma cozinha, como cozinheira.
Por fim deixo ela explorando o aplicativo, e vou retornar aos trabalhos.
Perdi algumas horas importantes ensinando minha mãe, mas qualquer segundo que passo ao lado dela, vale muito a pena.
Pensar isso, dispara um gatilho de tristeza em mim, e me dou conta que passaremos muito menos tempos juntos, depois que ela começar a trabalhar.
Durante todos esses anos, só nos afastávamos quando eu tinha que ir pro colégio.
Mas quando chegava em casa ela sempre estava lá me esperando.
E agora isso iria mudar, tento pensar que é só por um tempo, mas um vazio se abre no meu peito.
Mas não tem jeito essa é nossa realidade agora. Tudo culpa do canalha do meu pai.
Tenho que me concentrar no trabalho e recuperar o tempo perdido.
Minha mãe sempre me apoiando, sempre aparece deixando algum lanche e enchendo minha garrafa de água quando preciso.
Quando me dou conta, já escureceu, e minha mãe me chama pro jantar.
Conversamos, e ela está um pouco chateada fazendo bico por ainda não ter recebido nenhuma ligação, ou proposta de emprego.
Eu acho graça, e digo que tem que ter paciência, que logo algo vai aparecer.
Mas ela não se contenta, diz que quer ir lá no centro e procurar como faziam antigamente.
Distribuir curriculum e ir de porta em porta oferecendo seus serviços. Disse que era assim que sua mãe fazia.
Eu acho graça, deixando ela emburrecida, mas digo que não tem necessidade, que ela pode ganhar muito mais tempo se candidatando pela internet, de porta em porta, ela diminuiria muito suas possibilidades. Digo pra ter paciência que logo ela vai receber alguma proposta.
Ela bufa, mas consente.
Depois do jantar e de tomar banho, volto a me concentrar no trabalho.
Antes de dormir, minha mãe vem me deseja boa noite, dessa vez ela não toca no assunto de dormir com ela, pois sabe que terei de recusar. Mas me pede pra não ir dormir muito tarde e descansar direito, por causa do trabalho amanhã.
Mas digo pra ela, que amanhã só vou na empresa para pedir meu desligamento.
Meu horário de amanhã seria a tarde, mas vou no período da manhã, logo no primeiro horário, para pedir demissão, e voltar o mais rápido possível, pra continuar os trabalhos em casa.
Ela entende, mas diz pra eu descansar um pouco mesmo assim, e antes de sair me dá um beijo na testa de boa noite.
Fico até as três novamente programando, depois durmo um pouco pois realmente estou cansado.
Acordo as seis e meia e estou um pouco atrasado para chegar na empresa as sete, quero estar lá pra sair o quanto antes, não sei quanto tempo vai demorar o processo de desligamento. Mas quero que seja breve, para eu poder continuar trabalhando aqui em casa. Nunca a expressão tempo é dinheiro, fez mais sentido pra mim.
Dessa vez nem tomo banho, me arrumo mas não visto o uniforme, levo o uniforme na bolsa para entregar na empresa.
Chamo de uniforme, mas é apena uma camiseta branca com o logo da empresa. Que não faz muita diferença com a roupa que uso no dia a dia.
Levo tudo que preciso pois quero resolver tudo hoje mesmo.
Meu café já está na mesa, e converso um pouco com minha mãe antes de sair.
Ela me deseja boa sorte, e digo que volto logo, assim que resolver tudo por lá.
Saio de casa, e lógico dou de cara com o velho, em seu posto.
Com seu copo de café, e seu cigarro, cuspindo que nem um bode.
Um conhecido dele passa do outro lado da rua estendendo o braço para cumprimentá-lo.
Ele dá um grito escandaloso e repete o gesto. Dando uma risada irritante. Eu dou as costas ignorando.
Chegando na empresa, vou direto para o RH e procuro saber sobre o processo de desligamento.
A moça me diz se já informei a alguém, eu digo que não, e ela pede um momento.
Pouco depois ela volta, me perguntando o motivo, eu dou uma explicação qualquer.
Depois de um tempo ela volta, acho que devia falar com meu encarregado.
Como eu já estava decidido ela não disse mais nada, apenas perguntou se eu estava com minha documentação para dar início ao processo.
Entreguei tudo que ela pediu e fiquei aguardando. Depois entreguei o crachá da empresa, e as duas camisetas do uniforme.
Alguns minutos depois ela volta com minha carteira de trabalho, e alguns papéis, disse que preciso ir até o sindicato e apresentar os papéis por lá pra dar baixa na carteira, algo desse tipo.
Eu não pretendia ir, mas como ela disse que o sindicato era dois números ao lado da empresa, decidi resolver isso logo.
Por sorte o lugar estava vazio logo pela manhã, nem era oito horas ainda, e logo fui atendido.
O processo foi rápido, como eu que pedi demissão, não tinha muito o que fazer, era só dar a baixa e pronto.
Eu não pretendia mais passar por esse processo, agora que descobri que posso ganhar mais pela internet, só trabalharia em outro lugar, se valesse muito a pena.
Estou de volta para casa e já passa das oito. Foi rápido e fico contente por isso.
Estou me sentindo feliz por não precisar ficar saindo de casa, não que a empresa fosse ruim, mas só por não ter que acordar tão cedo, me arrumar, andar até lá, e depois voltar, já me sinto bem melhor.
Pensando nisso, sinto pena da minha mãe, quando ela começar a trabalhar, a rotina dela vai ser muito pior, tendo que se deslocar a distâncias maiores, pegar condução, e o trabalho desgastante.
Isso me deixa angustiado, tenho que resolver isso logo, tenho que tirar ela dessa vida o mais rápido possível. Talvez consiga encontrar algo pra ela na internet, posso abrir pra ela um canal de culinária no YouTube e na Twitch. Isso me empolga, porém os rendimentos seriam demorados.
Nossa situação é mais imediata, e por enquanto temos que segurar a barra.
Vim andando todo caminho tranquilamente, quando chego na minha rua, fico feliz por não ver o velho sentado do lado de fora, já me deixa mais contente.
Chego no portão de casa, e a porta da entrada está aberta. Causa-me um pouco de surpresa, pois ela nunca fica aberta desse jeito, o portão está trancado, penso que minha mãe deve estar fazendo faxina na casa, sei lá.
Mas quando estou prestes a virar a chave no portão, meu sangue gela.
Meus sentidos imediatamente parecem se aguçarem, penso ter ouvido um barulho que vem de dentro da casa.
Meu coração, não sei por que dispara imediatamente, não tenho certeza do que ouvi, mas sinto uma sensação de que algo está estranho, uma sensação de emergência. Então me apresso pra entrar em casa.