Sem moradia, está pátria não é mãe gentil
Aparecida, balconista, foi despejada.
Durval, pedreiro, reintegrado à força por ordem judicial.
Maria Fernanda, diarista, teve a casa desabada.
Elias, motoboy, perdeu a moradia na chuva.
Emília, professora, divide o lar com outra família.
Samuel, auxiliar de enfermagem, tira da comida para o aluguel.
Eliana, cuidadora, viu seu barraco em chamas.
Augusto, desempregado, dorme no relento.
Aurora, empregada doméstica, mora no trabalho.
Frederico, policial, mora onde o risco não é só geológico.
O suor do trabalho escorre, não dignifica.
Quem madruga viaja mais, não será o primeiro.
A oportunidade é um trem lotado.
A justiça tarda e falha.
Sem moradia digna,
a pátria não é gentil construtores deste País.