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~ Se estamos destinados a ser, eu te vejo mais tarde.

Tatianeturcatti
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Não quero ter pressa de você.

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Não quero ter pressa de você.

Talvez porque algumas coisas, quando são verdadeiras, não precisam ser perseguidas. Elas encontram um jeito. Atravessam cidades, desencontros, domingos vazios, amores que não deram certo e chegam justamente quando a gente já não está olhando para a porta.

E se você existir (e eu gosto de pensar que existe) espero que esteja vivendo.

Espero que esteja aprendendo a gostar da própria companhia. Que tenha algumas cicatrizes que não precise mais esconder. Que já tenha descoberto que há uma diferença enorme entre estar sozinho e estar em paz.

Eu também estarei vivendo.

Talvez eu esteja em algum café, escrevendo qualquer coisa sobre a vida e fingindo que sei alguma coisa sobre ela. Talvez esteja rindo alto com meus amigos. Talvez tenha acabado de comprar flores para a minha própria casa. Talvez ainda esteja tentando entender por que algumas pessoas chegam para ficar e outras chegam apenas para nos ensinar a abrir a janela.

Não sei.

Mas gosto de imaginar que, enquanto eu vivo a minha vida, você vive a sua.

E que, em algum lugar, sem saber, nós dois estamos construindo a pessoa que vai caber no encontro.

Porque eu não quero encontrar você para ser salva.

Nem quero que você precise de mim para se sentir inteiro.

Quero que a gente se encontre inteiro o suficiente para escolher um ao outro.

Quero um amor que não tenha a urgência das coisas que têm medo de acabar.

Um amor que saiba esperar.

Que não transforme silêncio em castigo, distância em ameaça ou liberdade em falta de amor.

Quero poder olhar para você numa manhã qualquer e pensar: então era você.

Sem fogos.

Sem música.

Sem nenhuma dessas grandes coisas que inventaram para o amor parecer extraordinário.

Só você, talvez descabelado, procurando o café.

Eu, provavelmente reclamando que você deixou alguma coisa fora do lugar.

E uma felicidade tão silenciosa que quase ninguém perceberia.

É isso que eu quero.

O extraordinário escondido no cotidiano.

Quero saber como você fica quando está com sono. Qual música você coloca quando ninguém está olhando. Se você fala sozinho. Se gosta de janela aberta. Se demora para escolher no cardápio. Quero conhecer suas manias antes de conhecer suas certezas.

Quero rir das mesmas histórias tantas vezes que elas deixem de ser engraçadas e passem a ser nossas.

Quero uma vida que não precise parecer bonita para os outros.

Uma vida que seja bonita por dentro.

Com mercado no sábado, toalha molhada em cima da cama, viagem marcada, conta para pagar, jantar improvisado, beijo na testa, discussão besta, reconciliação na cozinha.

Uma vida onde o amor não seja o acontecimento.

Mas o jeito como a vida acontece.

E talvez eu esteja romantizando demais.

Mas quem disse que amar alguém precisa começar pela prudência?

Às vezes penso que o amor é justamente essa pequena irresponsabilidade de acreditar em alguém que ainda nem chegou.

Por isso, se você estiver por aí, não tenha pressa.

Vá.

Conheça o mundo.

Ame algumas pessoas.

Erre.

Aprenda.

Faça planos que não incluam meu nome.

Eu farei o mesmo.

E se, no meio de tudo isso, a vida resolver ser delicada conosco, talvez um dia ela coloque você diante de mim.

E eu vou reconhecer alguma coisa que não saberei explicar.

Talvez não seja familiaridade.

Talvez seja descanso.

Como se, depois de tantos anos procurando, alguma parte de mim finalmente dissesse:

ah.

Era aqui.

Mas até lá, viva.

Eu não quero que você fique me esperando.

Eu também não vou ficar esperando você.

Porque, se estamos destinados a ser, não precisamos transformar a espera em morada.

A vida precisa acontecer antes de nós.

E, quando acontecer, quando você chegar (se chegar) eu espero que encontre em mim uma mulher que não estava esperando ser escolhida.

Uma mulher que já tinha aprendido a se escolher.

E então, talvez, você sorria.

Eu também.

E a gente descubra que o amor não chegou tarde.

Ele só estava nos ensinando, cada um em seu caminho, a chegar na hora certa.

Então vá.

Eu te vejo mais tarde.

Thoughts

  • denovonao

    tipo, parar de correr atrás de alguém e só viver a sua vida. é bem mais fácil depois.

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  • cafeDeSegunda

    Essa felicidade silenciosa que quase ninguém percebe. Eu conheço. Está dentro de casa, em coisas pequenas.

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  • Tania_R

    Estou exatamente nesse processo de saber quem sou sozinha. Esse texto quase dói de tanto que bate certo.

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  • EncontroDeQuinta

    Nove anos sem alguém achando que eu preciso de um homem para ficar de pé. Concordo demais com isso aqui.

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  • rgomes85

    Conheço essa vida paralela que você descreve. Quatorze dias aqui, quatorze ali, e a gente só aprende mesmo quando está longe.

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  • mesapradois

    Essa coisa de se escolher primeiro é tudo. Demora de aprender, mas quando aprende, muda de verdade.

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