[Intro — Dark ambient synth, slow heartbeat, sound of pills shaking]
[Spoken: low, raspy, empty voice]
Doze anos, porra. Casa do lago com dois idiotas.
Entrei escondido no quarto da minha avó, abri a gaveta, peguei as pílulas no escuro.
Engoli a seco. Sem pensar.
Apaguei por dois dias seguidos.
Não foi a porra de um erro.
Foi a minha primeira rota de fuga.
[Pause]
[Verse 1: The Cage — Heavy martial rap flow]
Sete anos no inferno numa escola de merda que a minha mãe escolheu.
"Ensino Médio Clássico", a vitrine perfeita daquela hipócrita.
Eu queria outra fita, mas ela puxava as porras das cordas!
Cada prova oral era um massacre.
Cada prova escrita sangrava nota vermelha na mesa!
Reprovado duas vezes, o alvo perfeito pros covardes da sala.
Preso na jaula construída pro "meu próprio bem".
A psicopata do controle, a que sempre sabia como me sufocar com a porra de um sorriso no rosto!
[Pause]
[Verse 2: The Bloodline — Distorted guitars, tempo accelerates, pure rage]
Aí a família vai pro caralho. Tribunal.
O juiz, os advogados urubus, e meu pai paralisado lá no meio.
E a minha mãe olha no olho deles e solta a granada:
"Estamos separando porque o Luca pediu."
Usou a porra do meu nome como bala!
Vi meu pai quebrar no meio, em tempo real.
Mas não acabou ali. Eu fui atrás de você, seu velho de merda.
Tinha dezoito anos.
E você me espancou tanto que eu passei duas semanas na porra de um hospital!
[Music stops abruptly. Single bass note ringing]
A próxima vez que te vi... você tava num caixão.
Pequeno. Fodido. Sozinho.
Destruído pela própria vida de merda.
Olhei pra tua cara...
e não caiu uma foda de uma lágrima.
Não senti nada. Só um vazio do caralho.
[Pause]
[Pre-Chorus: The Mania — Dissonant chords, chaotic synths, frantic voice]
E a minha cabeça? Um pêndulo fudido!
Quatro da manhã! A mania bate, caçando uma dose de violência!
O álcool derruba os escudos!
Ligando pra puta pra ter uma ilusão de calor humano!
Estourando limite na Amazon comprando lixo de plástico sem ter um puto no bolso!
Brigando em fórum, xingando os outros na internet, queimando meu tempo!
[Pause]
[Chorus: The Chemical Fog — Explosive Nu-Metal wall of sound, screamed vocals]
DOSE DUPLA! Leio a porra da bula e tomo o dobro!
DOSE DUPLA! Bebendo rum sozinho, copo atrás de copo, desafiando a morte!
Caçando a neblina! A neblina pra esconder essa nojeira!
Afogando os monstros e os extremos na chuva química!
DOSE DUPLA! Até tudo ficar preto!
Até eu deixar de existir, caralho!
[Pause]
[Post-Chorus: The Crash — Slow, sludgy, dragging rhythm]
E aí... a queda.
Abraçado com a privada no meio da madrugada.
Vomitando a cachaça, vomitando o ódio, perdendo a guerra.
Com meus demônios plantados nas minhas costas...
Olhando por cima do meu ombro e rindo da minha cara no escuro.
Olhando por cima do meu ombro e rindo da minha cara no escuro.
[Pause]
[Extended Doom Metal Breakdown: The Exodus — Crushing slow guitars, double kick drums. 60 seconds of pure instrumental agony]
[Pause]
[Verse 3: Max & The Street — Spoken becoming desperate scream over heavy bass]
Aí o casamento também foi pra casa do caralho.
Joguei minhas roupas numa mala. Deixei o resto apodrecer.
Olhei pra cara daquela escrota e perguntei: "Com
[Verse 4: The Spartans — Tribal drums building, powerful relentless rhythm]
Aron e Kelly.
Dormindo pesado no meu peito.
No menor barulho, eles pulam pra frente.
Se jogam entre mim e o resto do mundo!
Espartanos! Sem medo! Sem hesitar!
Eles protegem a matilha!
E eu... eu sou a porra do Alfa deles!
[Pause]
[Massive Post-Metal Climax — Epic triumphant guitars, orchestral synths, blast beats]
[Screaming with pure victory and defiance]
DOSE DUPLA! MAS AGORA É AR PURO, CARALHO!
DOSE DUPLA! ARON E KELLY, NÓS CAGAMOS PRA VOCÊS!
EU BEBI O MEU INFERNO! ABRACEI A PRIVADA! E SOBREVIVI À QUEDA!
DEIXEI AS MENTIRAS DA MINHA MÃE E O CAIXÃO DO MEU PAI NAS CINZAS!
E EU AINDA TÔ AQUI! SUJO! PUTO! E DE PÉ!
EU E MEUS DOIS ESPARTANOS, NÓS MIJAMOS NAS SUAS RUAS!
[Pause]
[Outro — Slow guitar riff fading into drone. Steady, peaceful voice]
São quatro da manhã. Tô acordado.
A bipolaridade ainda bate na porta.
Mas não encosto mais na porra do rum.
Olho pros meus cachorros. Eles tão prontos.
Vamos sair na neblina. Silent Hill.
Os demônios não tão mais rindo.
O resto do mundo... que se foda e queime.
[Latido de dois cachorros à distância]
[Uma nota longa de guitarra que desaparece no silêncio total]