QUEM SOU EU?
Sou alguém 10,
Sou alguém 20,
Sou alguém 30,
Quase 40 anos.
Tô livre sobre
Quem sou,
Pra onde ir,
Que ter saída.
Viver numa prisão?
Minha casa, meu
Refúgio. Não preciso
Ir ao convento pra tá na cadeia.
Apenas preciso
Direção dos ventos,
Ânimo no coração.
Preciso intuição,
Preciso
Ser meu relógio.
Ele precisa estar no pulso,
Saber tempo
Ou hora da decisão:
Sim ou não.
Não preciso calculadora
Ser foi inteligente
Sobre uma equação, divisão,
Subtração.
Preciso
Pensar, raciocinar,
Calma, respira.
Eu preciso de papel,
Eu preciso
De caneta
Com brilho e cheiro
Pra fazer meu diário.
Pra onde vou?
Quantas páginas vou rasgar
Porque não achei
Perfeição?
Apenas parei meus fracassos,
Mas, mesmo assim, continuei.
Sou nada, não!
Sou humana.
Às vezes pareço, sou anjo;
Outras vezes, sou o próprio demônio.
Sou listagem
Da minha lista. Quem
Vou me dirigir?
Meu futuro,
Com jumento ou burro,
Ou apenas como puro-sangue?
A certeza corre,
Voar meus cabelos ao vento.
A certeza, se morri,
Descobrir.
Tempo não para, mentira,
Mas ele se revela.
Máscaras caem,
Baralhos, tudo engana.
Todos os caminhos
Também verão que
Que foi jogo na mesma.
Como sem dinheiro,
Apenas fui rei ou rainha,
Ou o próprio peão que fez
Uma história com começo,
Meio e fim...
Ana Cristina Poronhak de Carvalho