PUTA, VIRGEM
O LIVRO DO MEU PRÓPRIO CORAÇÃO
Eu sou conto.
Mais lindo:
Prostituição.
Perversidade, meu sonho.
Tive 57 homens.
Hoje, madura,
queria fila,
queria todos eles na cama.
Provar todos sentindo,
sobre tudo, luxúria,
tudo aquilo:
prazer, orgasmo,
gemido,
como se tira a roupa
ou coloca.
Sobre todos,
não perguntaram se eu era pura.
Apenas queriam me sujar,
me espremer,
como puta de esquina,
de bar, de balada.
Mas ninguém sabia
que a puta era virgem.
Mas o jogo começa.
Rainha começou.
Joga o jogo aos 16 anos.
Parou até os 19 anos.
Parou.
Aos 21 anos, voltou.
Foi agarrada,
quase violentada
por um policial
numa blitz.
Faz todos os amigos descerem.
De repente, ele agarra e beija.
Que susto!
É jogo.
Depois, na balada,
ele enfrenta.
Nome?
Pergunta somente:
“Beija?”
Eu me sinto como puta
apenas porque estou aqui.
Volta de novo.
Flor branca.
Moreno, olhos verdes.
Apenas carona.
Jogo:
“Você nunca sai sem pagar.”
Algo você precisa dar.
Mas roubo beijo
na porta da sua casa.
Para.
Volta em 2012.
Nojo de bares.
Beija quem não beija
para ser futuro marido
da amiga
ou prima,
que achei nem saber que tinha.
Motoboy queria beijar.
Não queria voltar com ele,
mas ele caiu no próprio jogo:
destino.
Mês frio.
Conversa que não sei.
Por que puta beija no bar?
Porque ele quis beijar.
Não queria beijar.
Talvez duas vezes,
volta anos,
nem beija.
Sim, queria “comer puta” dentro.
Vi conseguir.
Pego o carro,
vou para a porta da casa da sogra.
Virou ponto de droga
e prostituição.
9 de julho de 2016.
Ela volta à aventura.
“Quer puta?”
Quer dizer que é virgem?
Mas, em março de 2016,
pediu-me em namoro
pela primeira vez.
Mas não estava pronta.
Mas o tempo permitiu.
Sobre a curiosidade do prazer
que sonhei,
não foi como imaginei.
Quinze dias.
Termina.
Depois, conhecer a sogra.
Julho, mês frio.
Sete homens.
Jogo mais perfeito
para terminar o ano de 2017.
Foi aventura das paixões.
Jogo que marcou minha vida.
Ser desejada por homens
e assediada por mulheres
que poderiam ser irmãs.
Só que, no fundo,
nem todas eram.
Elas guardavam perversidade
em suas camas,
mas cada um joga
aquilo que tem.
Conhecer o inferno
da sua própria perversidade.
Ciúme ou inveja.
Sociopatia de um amor
que não passa.
Na mente,
nunca sai do papel.
Apenas como eles querem.
Sou imaginação deles.
Mas isso é teoria.
Isso é meu conto.
Puta, virgem.
Quem, entre os 57,
perguntou?
As aparências enganam.
Quem você é?
Como se comporta?
Sobre nada real,
mas sobre amadurecimento.
Você aprende a ser goleiro.
Ele joga,
você segura.
Isso é plano real,
sentindo.
Ser poeta
é escrever sobre seu passado
ou seu presente.
A inspiração vem
como você se entrega.
Cada escrita sobre o real,
sentindo crítica
ou apoio.
Poetas,
apenas sonhadores,
dores,
suas máscaras,
seus pecados.
Aí você encontra o mundo
que faz aparecer,
para no futuro
seu nome aparecer
em um livro de poemas.
Primeiro livro:
“Amor aos 16 anos na escola.”
Volta aos 37 anos,
à nostalgia.
Saber.
Quero a promessa de poeta.
Será escândalo
sobre tudo que é prazer.
Tudo como eu vejo,
eu sinto.
Sobre ser livro
do meu próprio coração.
Poesia.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho