Bacana é como o poema vira a coisa do avesso: começa apresentando toda a incapacidade, o não-conseguir-ser, e aí na última volta diz que valeu de qualquer forma. Não tá pedindo desculpas, tá simplesmente aceitando que algumas pessoas não cabem no molde e tá beleza assim.
Piso Molhado
nunca pude ser o que você busca, sempre escorregadio, com alto risco de tombos e lesões. mas talvez eu possa ser alguma outra coisa, não tão ameaçadora, ensaboada e dolorosa. e talvez isso signifique algo também. mas se não for o caso e se em todo acaso, um aceno qualquer já cause hematomas e vertigem, movemo-nos para evitar maiores fraturas. todavia, cada instante do que aconteceu, valeu a pena por tudo. 05/11/23 Michel F.M.
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Bacana é como o poema vira a coisa do avesso: começa apresentando toda a incapacidade, o não-conseguir-ser, e aí na última volta diz que valeu de qualquer forma. Não tá pedindo desculpas, tá simplesmente aceitando que algumas pessoas não cabem no molde e
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Piso Molhado
nunca pude
ser o que você busca,
sempre escorregadio,
com alto risco
de tombos
e lesões.
mas talvez
eu possa ser
alguma outra coisa,
não tão ameaçadora,
ensaboada
e dolorosa.
e talvez isso
signifique algo também.
mas se não for o caso
e se em todo acaso,
um aceno
qualquer já cause
hematomas
e vertigem,
movemo-nos
para evitar maiores
fraturas.
todavia,
cada instante
do que aconteceu,
valeu a pena
por tudo.
05/11/23
Michel F.M.
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PermalinkBacana é como o poema vira a coisa do avesso: começa apresentando toda a incapacidade, o não-conseguir-ser, e aí na última volta diz que valeu de qualquer forma. Não tá pedindo desculpas, tá simplesmente aceitando que algumas pessoas não cabem no molde e tá beleza assim.
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PermalinkReparei que tem uma resignação aqui que não é desistência. O budismo chama de "aceitar o que não podes mudar" e depois vem aquele "valeu a pena" que me pegou. Não é alegria boba, é mais como dizer que a dor fez parte de alguma coisa que se completa no final. A data fixa tudo isso num dia específico.
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PermalinkO acerto está no título. "Piso molhado" é a placa que avisa pra ninguém pisar com confiança, e você virou ela: "sempre escorregadio, com alto risco de tombos e lesões". A palavra que mais trabalha aqui é "escorregadio" mesmo, porque ela faz duas coisas de uma vez: a do chão e a da pessoa que não dá pra segurar.
E "ensaboada" fecha a imagem sem precisar explicar nada, porque sabão é exatamente o que torna o chão traiçoeiro. Reparei que você não força o sentido figurado, deixa a palavra do dia a dia carregar ele. É o que faz não soar pieguês.
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