Sabe uma coisa que eu acho curiosa?
Às vezes acontece alguma coisa pequena durante o dia e a primeira vontade é contar para alguém.
Uma música.
Uma frase.
Uma bobagem qualquer.
E, quando a gente percebe, a mão já procura o celular antes mesmo de a cabeça lembrar que aquela pessoa não está mais ali.
É estranho, não é?
Porque a ausência não chega sempre como tristeza.
Às vezes ela chega como um impulso.
Como essa vontade de dizer: “olha isso”.
Como se uma parte da gente ainda acreditasse que aquela conversa continua em algum lugar.
Eu acho bonito e dolorido perceber que algumas pessoas não saem exatamente da nossa vida quando vão embora.
Elas ficam em pequenos lugares.
Num pensamento rápido.
Numa música.
Numa história que ninguém mais entenderia do mesmo jeito.
E talvez a saudade seja isso:
não é apenas sentir falta de alguém.
É sentir falta de quem éramos quando esse alguém existia perto da gente.
Porque há pessoas que conhecem versões nossas que nem nós mesmos conhecíamos.
E quando elas partem, parece que levam consigo uma língua que só nós dois falávamos.
Mas talvez a vida também seja aprender a conversar com essas partes que ficaram.
Sem tentar trazê-las de volta.
Sem fingir que nunca existiram.
Só agradecendo pelo lugar bonito que ocuparam dentro da gente.
Me diz uma coisa...
quando você sente vontade de procurar alguém que já não está mais na sua vida, você sente falta da pessoa...
ou da pessoa que você era quando estava com ela?
Às vezes a pergunta mais difícil não é sobre quem foi embora.
É sobre quem ficou.
—
Até a próxima pergunta.